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31 outubro, 2010

gostosuras ou "traversuras" ?

por valéria tarelho em ,





1


hello inn


nos contos há bruxas más
drásticas
frias


no meu canto
o caldeirão fervilha
poções mágicas


rimas fihas
de uma boa mãe


                                                                                                                        2


                                                                                            
bruxas
para paulo medeiros



feias
porcas
más

[no entanto
gostosas
nos contos

de fodas]





3



atirei o pau no ingrato


para ser bruxa
por completo
só me falta
um gato


perto




4

cabelos enrolados e ideias, idem

ideias louras
voam
de carona
na minha
vassoura




5



feiticeira

o meu cabelo não nega.
6




bruxa madrinha


para o verso
bem travesso
sou um doce


[concedo
desejos
diversos


com a minha
va[le]rinha]


                                                                                                                           7


madame   mim

muita gente
diz assim
:
"minha mãe é uma santa"

aqui em casa
há quem garanta
:
"todo dia
é halloween"


8

 era uma vez...
                                 para Al Chaer


espelho
espelho meu
existe ALguém
mais do tarelho
 que eu
?
?
?
?
?




valéria tarelho
*créditos das imagens nos comentários





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30 outubro, 2010

amoreira

por valéria tarelho em , ,


1

brotam em mim amoras
doces rubras suculentas
se você 
me namora 

me consumo em labaredas
quando você - bicho-
da-senda -
me devora


2

na amora
no ramo
em roma
:
amor há

a poesia
aroma
onde o poema
[na]mora


valéria tarelho

*na foto : mãos calejadas de poesia
**as frutas foram furtadas a caminho do primeiro turno da eleição. terei cem anos de perdão ? 
*** também furtei pitangas. amanhã tem mais peraltice :)

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29 outubro, 2010

update

por valéria tarelho em

tradução para o italiano do poema "das iminências" [post anterior], especialmente para Francesca Biasetton, que, gentilmente, me concedeu o uso de sua arte.

imagem: "La poesia prêt-à.porter", de Francesca Biasetton




l'imminenza



essere velata sola
da una fase di luna
quasi fuori di sé
sdraio debboli poemi
in dubbi lenzuole
semi-sobri

                 [delle lettere - saggi -
                 provanno l'equilibrio
                 delle frasi
                 come che traballante] 

mentre la luna
lascia la scena
un po’ ubriaco

(di sogno)


valéria tarelho

*tradução de Sergio Di Fiore

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das iminências

por valéria tarelho em , , ,

imagem: "La poesia prêt-à.porter", de Francesca Biasetton


sendo velada só
por uma lua em fase
quase fora de si
deito poemas débeis
em dúbios lençóis
semi-sóbrios

                   [as letras - sábias -
                   treinam o equilíbrio
                   das frases
                   meio trêmulas]

enquanto a lua
sai de cena
um tanto bêbada

(de sonho)


valéria tarelho

*versão ilustrada aqui .
** imagem do topo usada com autorização da autora.


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sábado eu vou...

por valéria tarelho em

...ver a turma da Zenilda Lua em [cor]ação.

estão todos convidados para o Todas as Letras de São José, evento que integra a 44ª Semana Cassiano Ricardo.
venham!! são josé dos campos é logo ali :)

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28 outubro, 2010

breviário

por valéria tarelho em , , ,

imagem via horizonto.free.fr


baldaŭ



o encontro, amor 
no próximo espanto


assim espero
assim : esperanto


valéria tarelho

*poeminha  assim, assim, 
para espírito de poucos :)

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desiderata

por valéria tarelho em , ,

imagem © pereira lopes

pálida
&
polida    
       a palavra
       - poluída -
        posa
        pelada 

não deu
para ser
lida


valéria tarelho

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27 outubro, 2010

bis

por valéria tarelho em ,

Google imagens


evidência


é sempre ele
que ilumina o
outdoor da dor

ele que num piscar
[neon ou não]
faísca
afasta o fosco
ajusta o foco
filtra 

ele
meu sol
meu pixel

ele bright
holofote
spot
flashlight

ele fosforescência

estrela que entra
sai de cena
deixa
todas as luzes

tesas




valéria tarelho
*repost de março/2007 


* *evidentemente, ele não é ele, muito menos ele :))

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26 outubro, 2010

ex-fera

por valéria tarelho em

ilustração de Lisa Evans

lua inteira
e terna
me nina


valéria tarelho

* pedido às visitas noturnas:
 o último a sair, apague a lua.

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overture

por valéria tarelho em , ,

*fotografia: 1818 Overture, de Christopher Barker


canto os tons noturnos
dos insones
entoo o mi dos boêmios
o dó dos que doem
no ponto
[e não dormem]

pelo canto dos olhos
miro o infortúnio:
sonho [lá]
que não veio
ou  virá

conheço a letra
do pesadelo em pauta
e a lorota que toca
o acorde do sol

nota
ultra-violenta_mente
maior


valéria tarelho


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23 outubro, 2010

olhares

por valéria tarelho em , , ,

a olho nu


meu olho, quando mergulha em teu olho, não vê: contempla.
é um ver mais nítido, que se admira ante achados e pedidos no fundo cristalino.
é um [m]olhar de êxtase, imerso nas transparências que a menina do teu olho vai despindo. 



valéria tarelho


 os olhares deles:








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22 outubro, 2010

achados e perdidos

por valéria tarelho em

imagem via meme.yahoo.com/explore


I luv you
[d ilúvio]


intitulo
arca de noé
o típico amor
que salva

amor em que
se afoga
[e nada]
é do tipo
barca furada

platônico
é o amor em que
um só dá

com os burros n’água


valéria tarelho
em Escritoras Suicidas, ed. 39
março/2010




* inaugurando a tag 'achados e perdidos', que abrigará poemas publicados em outros blogs, revistas e afins, mas que nunca deram o ar da graça aqui no textura.
em postagens anteriores já publiquei alguns desses filhos desgarrados, sem classificá-los, mas, a partir de agora, os trarei para morar com a família, nesse cantinho destinado aos perdidos & achados [jamais abandonados].

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21 outubro, 2010

em nome do paulo III

por valéria tarelho em , , ,

"tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas"


(trecho de
por um lindésimo de segundo
paulo leminski)
      

num átimo de completude
[valéria tarelho]



tudo em mim
    ainda 
arde 
tudo é fim
    de tarde 

tudo começo
    de noite
tudo açoite
    de beijos



tudo meio assim
    metade-metade
tudo (in)certo
    tintim por tintim
tudo quase equilíbrio
    de ébrio 

tudo em parte perto
    do empate



tudo ato
tudo fato
tudo a jato



tudo cênico
tudo lânguido
tudo frêmito



gozo
      e
        êxodo



tudo agora
    anda às escuras
como se as coisas todas
    fossem meras
conjecturas





* repost, só porque hoje este poema completa sete aninhos.
**da série: vale a pena ler isso de novo?



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ardendo por aí IV

por valéria tarelho em

Pimenta da Boa


                    por Raimundo de Moraes




Desde que o poeta Meleagro de Gadara (130-60 a.C.) teve a ideia de fazer a primeira antologia literária do Ocidente, essa possibilidade de reunir muitas vozes num só livro ganhou o gosto popular e tornou-se uma sedução irresistível para acadêmicos e editores. De poesia a contos, de fábulas a frases famosas, antologia é algo que agrada pela variedade e pela proposta inicial de abordar um tema ou um autor.

Mas quando vários autores e vários estilos se reúnem, aumentam as possibilidades de aquilatar talentos e degustar uma boa prosa, uma boa poesia. É o que ocorre na antologia Dedo de moça, onde o leitor vai encontrar mulheres de todos os tipos, e certamente cada uma delas vai afastá-lo do tédio e da mesmice.

O livro reúne textos da revista literária on-line Escritoras Suicidas, que em cinco anos de existência já arregimentou mais de 100 colaboradoras de todo o Brasil. Mas por que suicidas? Trata-se de uma paródia, caro leitor. De suicidas essas escritoras não têm nada. Talvez talentosas como uma Virginia Woolf, uma Silvia Plath, uma Ana Cristina César, mas que estão viventes e produtivas em cada edição da revista, editada por Florbela de Itamambuca e Silvana Guimarães – que assinam também a organização dessa plural antologia, reunindo 30 nomes – alguns verdadeiros, outros fictícios. Pois para entrar nesse clube da Luluzinha, se o autor for homem de nascimento tem que inventar um pseudônimo feminino.

Mas retomando o mote da variedade, nesse apimentado Dedo de moça é possível encontrar logo de cara as peripécias poético-eróticas de Adelaide de Julinho, e mais adiante dois excelentes contos de Mariza Lourenço, o humor nonsense de Patty Flag, a poesia que nos fisga (e amaldiçoa) de Valéria Tarelho. O cardápio é bem variado, e entre as 30 Suicidas dessa antologia há também um grupo pernambucano composto por Cida Pedrosa, Dona Cecy, Julya Vasconcelos, Jussara Salazar e Márcia Maia.

Publicações como o Dedo de moça são importantes para o registro da literatura que surgiu junto com o advento da internet, onde cada vez mais poetas e escritores exploram a plataforma on-line para escrever e serem vistos. E o Dedo de moça não deixa de ser uma vitrine desse buliçoso segmento, comprovando que o enter do teclado pode conviver (e interagir) com o ruído gostoso do folhear de um livro.






Dedo de moça – uma antologia das escritoras suicidas
Org. Florbela de Itamambuca e Silvana Guimarães
Ilustrações Eliége Jachini
Ed.Terracota
160 páginas, R$ 26




*resenha publicada na Interpoética - outubro/2010

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20 outubro, 2010

filho da poeta

por valéria tarelho em

Google imagens


entra em cena
o poema
que atiro
a olho

entoa um choro
o poema
que tiro
de ouvido

desde o útero
[ligado ao umbigo]
o poema
me decl-
ama

por instinto


valéria tarelho

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18 outubro, 2010

encantamento

por valéria tarelho em ,

foto: domingo com theo, no céu


deixa a gente meio boba
meio gorda
meio doida
de afeto

neto meio deixa
a gente perto
do firmamento


valéria tarelho

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so [n]ice

por valéria tarelho

o gelo
não pertence
a meu inverno
de minuanos internos
que apetecem
outra pele

o gelo
derrete-se [antes]
ante um lance
solar
[olhar
que me revela
amena]

à revelia
da alma

polar




valéria tarelho






Bebel Gilberto canta So Nice
Composição: Marcos Valle / Norman Gimbel / Paulo Sérgio Valle

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15 outubro, 2010

perdidamente

por valéria tarelho em , , , ,



                                                           a Florbela Espanca



bela [fera]
quanto mais                                                    
teu poema bate
maior o amor
aflora


o mesmo [en]canto
que perfura trevas
perfuma auroras


peço-te poeta [pétala]
:
espeta mais
tua guerra tanta
a santa paz 
espanca


com flor
bélica




valéria tarelho



"E é amar-te, assim, perdidamente...
                                                    É seres alma, e sangue, e vida em mim
                                                    E dizê-lo cantando a toda a gente!"

                                                  Florbela Espanca

                                                   

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