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21 outubro, 2010

ardendo por aí IV

por valéria tarelho em

Pimenta da Boa


                    por Raimundo de Moraes




Desde que o poeta Meleagro de Gadara (130-60 a.C.) teve a ideia de fazer a primeira antologia literária do Ocidente, essa possibilidade de reunir muitas vozes num só livro ganhou o gosto popular e tornou-se uma sedução irresistível para acadêmicos e editores. De poesia a contos, de fábulas a frases famosas, antologia é algo que agrada pela variedade e pela proposta inicial de abordar um tema ou um autor.

Mas quando vários autores e vários estilos se reúnem, aumentam as possibilidades de aquilatar talentos e degustar uma boa prosa, uma boa poesia. É o que ocorre na antologia Dedo de moça, onde o leitor vai encontrar mulheres de todos os tipos, e certamente cada uma delas vai afastá-lo do tédio e da mesmice.

O livro reúne textos da revista literária on-line Escritoras Suicidas, que em cinco anos de existência já arregimentou mais de 100 colaboradoras de todo o Brasil. Mas por que suicidas? Trata-se de uma paródia, caro leitor. De suicidas essas escritoras não têm nada. Talvez talentosas como uma Virginia Woolf, uma Silvia Plath, uma Ana Cristina César, mas que estão viventes e produtivas em cada edição da revista, editada por Florbela de Itamambuca e Silvana Guimarães – que assinam também a organização dessa plural antologia, reunindo 30 nomes – alguns verdadeiros, outros fictícios. Pois para entrar nesse clube da Luluzinha, se o autor for homem de nascimento tem que inventar um pseudônimo feminino.

Mas retomando o mote da variedade, nesse apimentado Dedo de moça é possível encontrar logo de cara as peripécias poético-eróticas de Adelaide de Julinho, e mais adiante dois excelentes contos de Mariza Lourenço, o humor nonsense de Patty Flag, a poesia que nos fisga (e amaldiçoa) de Valéria Tarelho. O cardápio é bem variado, e entre as 30 Suicidas dessa antologia há também um grupo pernambucano composto por Cida Pedrosa, Dona Cecy, Julya Vasconcelos, Jussara Salazar e Márcia Maia.

Publicações como o Dedo de moça são importantes para o registro da literatura que surgiu junto com o advento da internet, onde cada vez mais poetas e escritores exploram a plataforma on-line para escrever e serem vistos. E o Dedo de moça não deixa de ser uma vitrine desse buliçoso segmento, comprovando que o enter do teclado pode conviver (e interagir) com o ruído gostoso do folhear de um livro.






Dedo de moça – uma antologia das escritoras suicidas
Org. Florbela de Itamambuca e Silvana Guimarães
Ilustrações Eliége Jachini
Ed.Terracota
160 páginas, R$ 26




*resenha publicada na Interpoética - outubro/2010

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