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Mostrando postagens com o rótulo você

permita-se

permita-se. tão pouco peço a você que me permeia o verso. pernoite. se não possui o endereço, siga sua sombra impressa em cada sílaba. moro em uma frase mal construída, mas ofereço fibra no alimento. [desa]linho no leito. te dou meu teto. um interior aberto, para que você preencha. seja presença. mansa. imensa. caso o medo me impeça de abrir a porta, persista. saiba: não resisto a um argumento de fazer chover por dentro. tente outra vez. insista em gotas. e, quando dentro, deite sua voz ao pé do ouvido. venha [in]vento, precedendo as águas que irão moldar relevos. perceba, eu te reclamo há tempos. e te recebo há tanto nesses poemas piegas. isentos de segredos. valéria tarelho

e me beija com a boca de hortelã

Amanheci com essa sensação de estar aí, contigo, ou qualquer trem assim, com carga de ternura. Trem de pouso. Trem que atravessa a serra do querer-te bem, percorre o túnel (obscuro) que liga o meu ao teu mundo. Não sei bem o trem, mas tem seu quê de cafuné com segredos ao pé do ouvido.  Sei que foi algo bom, com a leveza que o sonho tece em cada cílio e me espreguiça essas ideias de aconchego. Nova mania que perfuma o hálito deste sábado em que habito. Só (mas com você na ponta da sílaba). valéria tarelho

sopro

lá onde os medos esqueceram de nós

Então, combinado, te encontro lá, onde não importam os rótulos e as essências realçam. Saltam aos olhos.  Lá, no templo da audácia com delicadeza: frasco mínimo onde ouso suculências, extraídas de flor: os "serás" das cerejeiras; os acasos das acácias​; a perdição dos girassóis (ao teu redor).  Eu, seu bouquet; você, meu bourbon. Então, ok, me encante lá, onde o outro não causa espanto. Lá, onde  amor via satélite é um escândalo bom. Lá, onde os corpos escrevem as seivas da paixão. Eu, teu sândalo. Você, meu ópio. Nós, até lá sei quando, promessas de (in)fusão. Lá, então, nosso lugar ao ócio. Lá onde não interessam etiquetas e o gostoso é comer com as mãos. Lá, onde lamber os dedos é ritual de iniciação. Valéria Tarelho *imagem via Insta @atualizandostatus

Querido você

Te desenhei em mim. À ponta de apenas. À caneta sem carga. À lápis de será. À tinta invisível. Rabiscos que só eu e o poema das quintas traduzimos. Na pauta da língua. Na poesia das papilas. Assinado eu, a das transparências. valéria tarelho * No Livro da Tribo 2018 *foto via Pinterest