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permita-se

permita-se. tão pouco peço a você que me permeia o verso. pernoite. se não possui o endereço, siga sua sombra impressa em cada sílaba. moro em uma frase mal construída, mas ofereço fibra no alimento. [desa]linho no leito. te dou meu teto. um interior aberto, para que você preencha. seja presença. mansa. imensa. caso o medo me impeça de abrir a porta, persista. saiba: não resisto a um argumento de fazer chover por dentro. tente outra vez. insista em gotas. e, quando dentro, deite sua voz ao pé do ouvido. venha [in]vento, precedendo as águas que irão moldar relevos. perceba, eu te reclamo há tempos. e te recebo há tanto nesses poemas piegas. isentos de segredos. valéria tarelho

extra forte

Moço do café: volta. Fica. Te dou o pão de cada dia, alguma poesia passada do ponto, um pouco de som licoroso, um foco de luz para leitura (indireta) de íris. E, caso você fique, só peço em troca uma noite semelhante àquela do sonho, de pipoca e Netflix.  Ambos de olho no feel me. Valéria Tarelho *imagem via Pinterest

ideia fixa

em manhã fria, de preguiça, eu só te peço: fica. aqui tem cama e comida. aquecidas. tem lenha na lareira, água na moringa. cobertor de orelha. tira férias da vida e fica abraçando a simples ideia (fixa) de habitar meu chalé ao pé da serra.  não vá ainda. fica.  permaneça, moço, até o fim (do filme) que me inverna. mas, se gostar, fica. fazendo folia a vida inteira.  valéria tarelho imagem via @mil996