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Mostrando postagens de Agosto, 2017

glitter

Deixe de lado esse nó (ultrapassado) que não ata, nem desata e cria um laço bem bonito com o presente.
Enfeite-se de riso. Purpurine-se de luz própria. O amor vai te encontrar através do brilho. 

Valéria Tarelho

*imagem do insta @precisavaescrever

Querido L

Gosto desses encontros em que somos surpreendidos pelo acaso, como hoje cedo. Você é pego desprevenido e não há tempo para embutir o riso, que fica estampado (seu lindo!). Eu retribuo o sorriso e depois lamento não ter investido e inventado outro pretexto (o quarto, ou quinto?), para falarmos sobre o clima, o fim horário de verão, o hipermercado que inaugurou por esses dias. Entre um assunto e outro, contaria que ainda te escrevo (quem sabe o bichinho da curiosidade te picasse, você lesse, e visse o quanto há de mim - e nós - à tua espera). Mas sigo em frente, emudecida, coração na boca, feliz com teu sorriso a me amanhecer vontades.

Assinado eu, que qualquer hora parto para o ataque. De riso. E nervos.
Te quero além do que é preciso para sermos.

p.s.: meu domingo inteiro agradece ter havido você no início do caminho. 


Valéria Tarelho


*Imagem via Pinterest

dê amor

nem que seja 
por uns dias
de folia

vista minha fantasia
de amor


Valéria Tarelho

*momento "prozack"

sob medida

Ela quer um amor, mas não um amor qualquer. Quer para si, para sempre, enquanto puder. Difícil encontrar quem preencha o requisito básico: seja livre, para permanecer. Entregue. 
Ela tem fé que em um dia desses, de distração, vai esbarrar nesse amor exato. Que lhe cabe. E sabe, de antemão: tem o dedo de Deus em cada detalhe.

Valéria Tarelho

* foto de Isabella Franco - SJC

Meu nego

A porra toda é que ele é gostoso. Vicia. 
E não engorda!
Que droga! 

[Só por meia hora não vou te provar na saliva
Só por meia hora não vou te provar na
Só por meia hora não vou te provar
Só por meia hora não vou te
Só por meia hora não vou
Só por meia hora não
Só por meia hora
Só por meia
Só por

a pontinha da língua

Eta cafézinho porreta!]



Valéria Tarelho

Querido L

Completamos quatro meses de nada. Inércia. Movimento zero. Acenos não contam pontos no placar dos zelos. Penso até que você o faz por educação. Ou medo da doida aqui. Te odeio! E te amo do meu jeito tonto com o e_terno olhar de boba, quando encontro o teu olhar blasé (que camufla o olhar em chamas, eu sei).
Hoje te peguei no pulo, e teu sorriso foi o carinho de um fevereiro inteiro. Falei menos, muito menos, do que merecemos. Falei aos atropelos, mas que culpa tenho se meu lado insano te adora e não filtra os pensamentos? Pena que você não colabora e nada disse a respeito, mas sorriu enquanto ouvia minhas sandices e eu brinquei meu carnaval ali, sob o confete de teus olhos e as bateria nota 10 do coração.
É carnaval, amor, veste a fantasia que te dou todos os dias e só você não vê o quanto é linda. De intensos: brilho e cor.

Assinado eu, que pinto, bordo e ponho meu bloco na rua, sem vergonha alguma. Alma nua, por você.

p.s.: um dia você irá me agradecer por toda a paciência com que esper…

Querido L

Eu queria te contar da espera pelo teu amanhecer (em mim), mas você não crê na luz no fim de tudo.
Permaneço aqui, a apreciar tua aura, decifrar tua alma. E a insistir em acender auroras (em ti).

Valéria Tarelho

Tipo OAB

Quando até os mosquitos mostram claramente que preferem você, mas o mocinho te trata como um pedaço de carne qualquer, não tenhas dúvida: dê o sangue a quem deseja comer-te e beber-te como se fosse a última fonte de vida na face do Face (esta terra de ninguém).
Valorize seu tipo sanguíneo, não seja sangue de barata. Tonta.
Valéria Tarelho

assim seja

Que o Sol seja o motivo principal para esquentar a cabeça. 
Só desejo uma cuca fresca e pancadas de brisa na base da nuca. 
Chuva de beijos seria uma bênção extra. 
Que eu mereça. Que você alcance. 
Assim seja.

Valéria Tarelho

obstáculo

amar
não estava
nos planos

Valéria Tarelho
*imagem via urbanarts.com.br

construção

ela é
pétala
ele é
pedra


em algum
lugar
entre a pressa
e a espera

ele e ela
edificam

primaveras

valéria tarelho

patogênico

aquela febre
parecia amor

era um germe

causa mortis:
sepse
no pseudo
para sempre


valéria tarelho

* foto de Giovanna Lima

tem ghost para tudo

ele passou
como um trem
[fantasma]

e parece
que foi
ontem

que tudo saiu
dos thrillers


Valéria Tarelho

*imagem via Pinterest

Querido L

Sexta-feira no semáforo, emparelhados, aconteceu a chance que vivo pedindo aos céus, mas amarelei naquele vermelho tão favorável. Se eu virasse o rosto para o seu lado, fatalmente abriria o jogo, enviaria beijos, desenharia coração no ar, te convidaria a me seguir, a me sonhar, ou que me ouvisse (ao menos enquanto o verde não viesse). Mas não, nem sei se você notou que eu estava ali, olhando para o lado oposto, fingindo que nada de mágico acontecia.
Os anjos fizeram o dever de casa nos aproximando, mas eu deixei em branco a pergunta da prova, com receio da resposta estar correta. Zerei. Comi bola, mas você também não colabora e ficou na sua zona de conforto.
Sigo assim, deixando o que sinto ficar subentendido. E livre de pagar outro mico.

Assinado eu, manequim seu número, mas você não experimenta para ver como te caio bem.

p.s.: precisando de uns ajustes, faço no mesmo instante


valéria tarelho

be happy

Ser feliz é a meta. Resolva sua matemática, dissolva a metáfora em água com menta, friccione bem, aumente o som e, se possível, não fume (facilite o trânsito para os pulmões).

Filme os momentos bons, filtre os maus ingredientes, sinta fome, tenha sede, sacie ambas, crie outras. "Alternative-se". Sempre ! 

Que a felicidade, esse ítem ímpar e, praticamente, imperceptível, seja múltipla. E more em uma esquina qualquer, entre o bem e o mal, dentro de você. Destine-se a ela.

Desatine-se!

Valéria Tarelho

#imagempinterest
distribua - se por aí, vire-se em abraço, atenção, conforto. varie - se. seja uma versão melhorada do seu último verso.
deixe - se. espalhe-se. transmita - se entre as gentes que tocas. que a gente passeia por aqui para se trocar.
ofereça - se. doe-se. apaixone - se.
até transbordar.

valéria tarelho

*imagem via Pinterest

malígna

eu me viro
em várias

e me vingo
em vida

por cada
vírgula
mal dita

entre um
eu te amo
e um
linda

valéria tarelho

abril, oito, ano qualquer

8 é o teu (mundinho) infinito, sóbrio, erigido no que aparenta ser sólido. 8 é a tua infinita vaidade, em riste, posição de ataque, em oposição ao meu infinito (íntimo) deitado eternamente. Meu sem fim indefensável. Meu céu, silenciado. Condenado à saudade infinda. Conformado a amar-te em tempo inexistente: lá onde teu nunca mais vive ilhado com meu para sempre. Cercado de mágoa por todos os (desconso)lados.

valéria tarelho 

bélico

amar 
é um 
olé

(e não um elo
como o poeta
alega)

amar
- logo -
é duelo

entre o verde
- lógico -
e o - indeciso -
amarelo

coracão
versus
cérebro

no vermelho


Valéria Tarelho

*Ilustração de Alberto Montt

Querido L

Querido L,

Diz aí, mocinho, como desapaixono, depois de todo o riso (tímido e solto) nestes seis meses à beira do abismo? Me conta, menino, para onde direciono essa vontade (crônica) de ser teu abrigo, ninho, colo, em caso de abandono? Como faço para te contar meus causos, calar teus lábios e selar um (im)pacto (poético) com teus olhos? 
Não, criança, eu não me apaixono assim tão fácil, mas sonhei um acesso a teus braços e segui meu faro, sempre em frente. Um dia desses, habitaremos o mesmo abraço. Acho.

Assinado eu, que deixo um rastro desse amor por onde passo. Siga as pistas. Explícitas. Ou evite meu olhar pedinte, me deixando à míngua.

p.s.: Lamento que você seja leigo em códigos. Os meus, de amor e liberdade, por exemplo. E os de Hamurabi.


Valéria Tarelho

Ana Clara faz 4

E Deus um dia decidiu que ela viria alegrar nossas vidas. Ok, ela chora pra dedéu, mas quem liga?
Ana Clara, a boneca da vovó, quatro anos de luz e flor (cheinha de espinhos 😂). Editar

ao papel

ao papel:

se eu não te amassasse tanto assim...

sem ti

onde foi parar o sentido
que havia na seta
de meu sádico cupido

(cego
mas exímio
atira dor)
?

Valéria Tarelho

*cartoon de Dan Reynolds

simples assim

Tudo que mais precisamos, é pouco. Precioso. É quase nada. Não custa muito e vale tanto. 


dos impostos

amo
não declaro

sonego 
enquanto puder


Valéria Tarelho
Eu não vim aqui a passeio, então, espero deixar meu rastro, assim como trago (e levo) marcas dos que passaram. Mantenho espaço (aberto, amplo, cheio de aconchego) para tudo o mais que virá. Nada menos.


Valéria Tarelho

e me beija com a boca de hortelã

Amanheci com essa sensação de estar aí, contigo, ou qualquer trem assim, com carga de ternura. Trem de pouso. Trem que atravessa a serra do querer-te bem, percorre o túnel (obscuro) que liga o meu ao teu mundo. Não sei bem o trem, mas tem seu quê de cafuné com segredos ao pé do ouvido. 
Sei que foi algo bom, com a leveza que o sonho tece em cada cílio e me espreguiça essas ideias de aconchego. Nova mania que perfuma o hálito deste sábado em que habito. Só (mas com você na ponta da sílaba).


valéria tarelho


Um lugar para dois

Não. Não foi com medo de avião que segurei pela primeira vez a tua mão. Foi, talvez, com pavor dos pés no chão, que voei ao teu encontro. Foi, céus após tantos desencantos, que pousei no teu pier. Em paz. Peito contra peito. Antes taquicárdico, que tardio (disse-me o eco).
A realidade é cruel, tem olhos panorâmicos, tentáculos de titânio, mantém nossas mãos no cárcere. Fora dealcance.
Foi, sim, com medo de não entrelaçar nossos dedos, que dei asas ao querer-te no tempo presente. Indicativo. A tempo, contento e teto. Sujeitos a atos concretos. Verbos em conjunção.
Destino é um​ pássaro selvagem que come nas minhas mãos.
Seguras de ti.

Valéria Tarelho

fonte

ouso
sou excesso
osso exposto
olho d'água

transbordo versos
no concreto
que te asfalta
a fala


valéria tarelho

*imagem via Pinterest  — sentindo-se em paz.

delírios

não era amor
aquela seca
curada na saliva

era o mero 
término
da procura
(homérica)
por algum
destempero

sequer foi amor
o impacto casual
do meu clima (semi)árido
com o tua fala (ultra)
úmida

não
não foi real
não foi invento

no entanto era
pleno

cheio de dedos
plantou delírios
em meu canteiro
de pudor-perfeito



Valéria Tarelho

*folha: presente do Matheus Tarelho

sopro

flor de trevo

a esperança
é o verde (mata)
que não nasce
em árvore

sorte aparece
para quem
se atreve
e crê
:
existe poesia
entre ervas (ditas)
daninhas

(e um dedo de prosa
em cada uma
das minhas
pétalas)


valéria tarelho


foto: Aliexpress
tagMarcar fotopinA

PH faz três

"eu te darei o céu, meu bem, e o meu amor também"


Toma, que meu mundo de poesia também é teu. Pega. Leva no coração um pouco da magia que faz desaparecer a dor. E serra - ao meio - os medos tolos. Abraça essa minha porção palhaça (de riso e cisco no olho), tão tua. Guarda para quando sentir frio. Tira da cartola coelhos da boa sorte e lenços das fortunas que o dinheiro não compra. Segue os passos que meu amor percorreu só para ficar mais fácil o teu trilhar. E brilha. Do jeito que ensinei naquele verso que gravei no vento.
Olha. Sente? Meu presente só se vê com os superpoderes (poéticos) que tens nos gens.

Vovó Val

lá onde os medos esqueceram de nós

Então, combinado, te encontro lá, onde não importam os rótulos e as essências realçam. Saltam aos olhos. 
Lá, no templo da audácia com delicadeza: frasco mínimo onde ouso suculências, extraídas de flor: os "serás" das cerejeiras; os acasos das acácias​; a perdição dos girassóis (ao teu redor). 
Eu, seu bouquet; você, meu bourbon.
Então, ok, me encante lá, onde o outro não causa espanto. Lá, onde amor via satélite é um escândalo bom. Lá, onde os corpos escrevem as seivas da paixão.
Eu, teu sândalo. Você, meu ópio. Nós, até lá sei quando, promessas de (in)fusão.
Lá, então, nosso lugar ao ócio.
Lá onde não interessam etiquetas e o gostoso é comer com as mãos.
Lá, onde lamber os dedos é ritual de iniciação.


Valéria Tarelho

*imagem via Insta @atualizandostatus

perícia

às vezes, e só às vezes, (in)vejo-me. 
geralmente acontece quando ele me despe com aquele olhar perito, de ler por dentro.

valéria tarelho

*tirinha do Laerte

seu tipo

Te ofereço algo do tipo exótico (eufemismo para "que porra é essa?"). Tipo eu, que escreve um post direto no Facebook e ele "engole". Tipo que não aprende com erros, foge do bom senso e pratica uns versos para que não leiam. 
Sou do tipo para você não botar defeito. Não faço tipo: te apresento. E os nomeio os erros de A a Z.
Tipo que não faz rodeios e quer saber: vem comigo?


valéria tarelho

coisinhas

Fico feliz por coisa pouca. Coisa que destoa. Destaca-se da produção em massa. Coisa com um quê de música. Textura de flor. A cor da fúcsia. Um bom acorde. O som da respiração. Coisa quase nenhuma, que parece múltipla nas (certas) mãos. Coisa que a tecla dita e a tela há de comer. Um dia. Mas, antes, fez bailar pupilas.

Feliz por coisa que chega de surpresa. E fica. Finca raiz. Fixa sua essência. Etérea. Coisa que venta com mansidão de pluma. Coisa que é poesia (seja prosa, seja poema, seja bula de dipirona). Quase crônica essa doença ao pé da letra. Mania que atiça quando a palavra dança. Solta. E tira, para a valsa, minha alma. Só.

Fico feliz por coisa alguma. Coisa tamanha. 


Valéria Tarelho

*imagem via Instagram

as impotências também fodem

consciência tranquila
mãos limpas
boca suja

teu nome 
explode
na ponta
da língua
que não pode
porra alguma

[engole]


Valéria Tarelho

*imagem via Tumblr: olhe os muros

acidente

meu amor e eu
morremos um
para o outro

(já sabemos)

só falta quem conte
para os corpos
e convença
as mentes

valéria tarelho
* dialogando com Cacaso

super

Mãe não morre, sai de cena para descansar as cadeiras.
Vai ali, por as pernas para o ar, depois da doce trabalheira.
Fica à espera, à espreita, dá a mão do lado de lá da invisível cerca - única barreira que a separa e impede de tocar os que abrigou no ventre.
Mãe, o ser mais paciente - sem paciência - que a ciência não clona e a poesia não explica tanta asa e pés na Lua, estando à beira do fogão. Ou da fúria.
Mãe, só uma. E muitas. Onde quer que voe e pouse suas pantufas.

Valéria Tarelho

* para a super Aliete, que exerceu tantos papéis, inclusive o de minha mãe.

** imagem via Pinterest

two lips

Tenho a impressão que tulipas não duram muito. A vida útil deve ser igual ao bulbo que você plantou em mim há estações e - por mais que eu venha cuidando - nunca brotou.
O amor é mesmo uma puta plantinha sem-vergonha, morta de orgulho. Não é lá aquela flor exótica.
Valéria Tarelho

cabeça a prêmio

eu praça 
ele prédio 

eu liberta
térrea & 'pássara'

ele preso
ao décimo altar
do tédio 


valéria tarelho

* imagem : "Você praça eu acho graça. Você prédio eu acho tédio”, uma quadrinha de Dafne Sampaio, poesia na rua carimbada nas paredes e tapumes das obras dos prédios.

epílogo

Vai, menina, ler outro livro. Varie o estilo, escolha outra autoria, aposte no novo. 
Virar a página não resolve, porque você permanece na mesma história, cenário imutável, personagens óbvios. Encerre o capítulo que você teima em reviver. Queime todo esse papel lido e relido (foi lindo, mas saiu dos trilhos) e renasça na sua mania de crer no amor. 
Seja um livro de prosas ou poemas, que tenha cheiro e recheio de surpresa. Vai lá, na prateleira de cima, ser feliz! Leia. Quantos forem necessários. Precisos. Preciosos. Então escreva suas cenas, crie suas falas, consulte suas notas. Escolha o seu final.
Livre - se!

valéria tarelho

*imagem via Pinterest

escambo

enquanto houver encantamento 
eu, ropa
tu, piniquim 

[e um toque tulipa
- encarnado -
como nossas
moedas de troca]


Valéria Tarelho
* foto das bonitas que ganhei no dia das mães