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Mostrando postagens de Junho, 2015

bom dia

sábado, 27.06.15

sem título

gata

quase toda
sexta-feira
a poesia se enfeita

usa meias
[palavras]
de seda

e salta da gaveta

travestida
de poema


valéria tarelho
26.06.15
*image from Vogue Italia, shot by Ellen Von Unwerth

Pela fresta

Lá fora, o mesmo céu de outono. Idêntico ao de ontem, nas cores, nos intentos. Chovem cúmulos e cismas. Sangram feridas, fadigas suturam. Secam. Coçam por toda uma vida.
Um sol submisso curva-se, rendendo-se ao inverno novo em folha. Ensaia o vento sua nova trilha, que oscila: vaia e assobia (depende de quem rege a filarmônica do dia).
Dentro, um cão ressona. Baba, bêbado de sonho (e pança cheia). Uma chaleira desafina no fogão, contrastando com a ária da primeira passarada. Na casa inteira reina o aroma de broa. O pão caseiro sovado em companhia do primeiro vazio da estação (outros virão a calar).
Há uma véspera do que não convém. Existe uma estreia que não convence.
Mas o inverno, vestindo seu surrado suéter, comparece, acobertando a névoa das urgências. Que não se dispersa.

é o que há
para agora
:
pão fresco
poema vencido
e chá

de espera


valéria tarelho
inverno 2015

para sempre

não era para ser
mas parecia pereceu
sem
perceber o amor
que eu não cabia
valéria tarelho 24.06.15 *dialogando com um guardanapo Emoticon smile
**imagem do Eu me chamo Antônio

no mínimo

sobre todos
os "pê esses"
que o poeta
posta

eu poderia
apor
meu pé da letra

mas sou prolixa


se o amor
- assis -
é assim
:
infiel
ilegal
imoral

se é engodo
se engorda
se é caso
de polícia

quem ama
não se importa

aposta
a última ficha

no poema


valéria tarelho
12.06.15
*um longo diálogo com os p[oema]s de Assis Freitas

adeus

fim de maio/2015

fresquinha

Livro da Tribo 2015

movediço

Meu texto "isso" foi musicado por Rogerio Santos e virou um bolero cheio de ginga, "movediço".


Movediço
(Rogerio Santos/ Valéria Tarelho)

Não era amor, era pele
Em cada encontro-atropelo
Colisão de urgências
Corpos em queda livre
Destroços Não, não era amor, nem apele
(Aquele bombardeio...)
Dois destróiers com mísseis nos olhos Teleguiado momento
Em pelo Azul-afundamento
Não era nada além
Não era nada aquém Fenda na onda-nave
Que impulsionava o vícío
cio, ciclo, cisma, sismo, abismo Ou bem nada disso
Curto-circuito movediço
dez/2014
Abaixo, um ensaio bacanudo :) https://www.facebook.com/rogerio.sp/videos/vob.1226581642/10203588861781914/?type=2&theater


fogo e fogão

saudade não é sobremesa. é prato principal: acompanhamento e mistura. trivial. saudade até tenta ser doce em meio ao sal, mas saudade faz sorar. secar a boca. servem saudade em qualquer quantidade e espécies: saudade por peso, prato feito, a la carte. saudade self service é a que mais consome a gente. ontem provei saudade mal passada. fria. hoje tem um banquete de saudade recente. quente, de queimar a poesia.

valéria tarelho

So sorry :/

Perdoem a enxurrada de postagens, e peço desculpas antecipadas pelas próximas tempestades...ainda não terminei as postagens de 2014.
O lado bom é que há pouca atualização para 2015.

Beijos,

releitura

recriar nossa infância no filho que não criamos quando eu te queria tanto.
desvendar a adolescência ao brincarmos de cavar antigos tesouros em bilhetes anônimos [à bic preta, ponta fina].
experimentar o próximo beijo como quem tem quinze ânimos. um manancial de fôlego. prová-lo até dar enjoo.
estremecemos quando o terreno era arenoso. fofo, mas inseguro. morremos de ruir. hoje, no solo extremo, adquirimos a solidez dos rochedos. ainda há tempo de, 'perhappiness', rascunhar alguns planos. nos fartar de ângulos.
sim, há tempo de sobra. só folheamos alguns enredos nessas dezenas de desenganos em que não [nos] atuamos.
vem comigo, revisitar o primeiro olhar que cruzamos. o primeiro impacto, que causamos. a primeira vez que nos habitamos.
vem reeditar nosso tempero: marinada de sal, luar, sol, estrelas. a carne, tenra. uma pitada de pimenta [aquela, de lamber os dedos. lembra?].
et voilà!


valéria tarelho
dezembro/2014

novembro, 30

No aniversário do Gustavo, filho, um registro com meus três pedacinhos de amor


confissões de "envelhescente"

1. às vezes vou a, volto da e esqueço a crase em casa.

2. houve uma fase em que eu deixava as aspas abertas. e as frases escapavam com o pensamento, que fugia.

3. nessa época havia sempre uma palavra na ponta da língua. eu ficava mordida para lembrá-la. saiba: mordida é eufemismo. eufemismo! enfim, lembrei!

4. as reticências eram minhas melhores amigas, mas aí...

5. usei todos os porquês, porque disseram que o mundo acabaria em 2000. não acabou. e, logo no início do ano fatídico, tive um filho. ele reivindica todos os porquês. com juros.

6. tenho preguiça de inicial maiúscula e pontuar poemas. também tenho licença poética, o que atenua o delito. eu posso, nada me poda.

7. não ando na linha, nem sigo a pauta do dia. eu quero é viver em pátina! o que pintar, leminski assina: poeta.

8. minha vida é um diário de bordo. de bolso. compacto. se for mandá-la a algum lugar, que vá pra pocket, que irá feliz da vida.

9. velha era aquela 'idéia' acentuada. minhas ideias novinhas estão na …

radical livre

amar
[esse verbo intransitável]
está a caminho
mas aviso:
vai chegar com atraso

parou para amar
o próximo
amar a esmo
amar a si mesmo
[com todo amor próprio
a que tem direito]

amar
[esse verbo interativo]
segundo o amor amigo
está vivo
e - lentamente - vindo
trazendo na bagagem
amores antigos
amores doídos
amores não correspondidos
:
uma mala de amores
bem ou mal
amados

quando - enfim -
ele chegar
trate de amar
o exausto amar
[esse verbo inflexível]
com todo amor
e carinho
:
exercite seu âmago
massageie o ego
alongue esse amar
oxidado
amar só quer abrigo
:
um coração desimpedido
para seu íntimo
congestionado


valéria tarelho
novembro, 17, 2014
horário "deverão"

cara de "hã?"

em novembro/2014, com meus cachinhos

fragmento

Em novembro/2014, quando chegou a  agenda Tribo 2015, essa surpresa que escrevi em dezembro/2013, em um diálogo com o poema de Assis Freitas

o p da vida

viva apaixonadamente!
por sua pátria, suas plantas, sua pessoa, seus pets, seu presente, seus parentes, pacientes, pela profissão que defendes. ou dependes.
apaixone-se, diariamente, por seus pares, seus particulares, o público que te privilegia e nem sempre te pertence.
viva para amar os poemas mais que polêmicas ou problemas; os pés acima das pernas; ame cada passo antes de amar os passeios; ame as pontes, horizontes que parecem passarelas. desfile de mãos dadas com um pensamento leve; reserve um tempo para amar os pontos de partida; ame, inclusive, os finais, passaportes para o próximo parágrafo.
viva enamorado[a] dos pássaros, do poente, da poesia, das palavras, das portas à sua frente, das passagens proibidas. permita-se amar despudoradamente.
viva, especialmente, como quem está perto da apoteose, próximo de partir para sempre, prestes a ser o pó. corpo presente.
e o principal ingrediente: veja [com olhar de poeta] que a vida é uma festa e você tem convite vip.
participe!


valéria…

balanço

há barracos que não valem o preparo do terreno. outros, são dignos de uma construção em praça pública. um monumento!
há tragédias que não merecem a plateia. outras, dependendo da circunstância, valem a cena. com direito a aplausos. bis. especialmente as tragicômicas. principalmente se atu[r]o.
há pessoas [dentro e fora dos barracos, com seus textos prontamente trágicos na pauta da língua] que não valem o poema. diria que a algumas, de pouca fala, até cai bem um haicai. seguido, no mínimo, de um hiato. ecos de silêncio.
existem cobranças que não valem o investimento a qualquer título. porque a curto, ou longo prazo, sairemos falidos. 
por essas e outras, economizo amigos. tenho poucos. raros. e caríssimos. com eles não desperdiço quando esbanjo o riso ou gasto saliva no mais prolixo diálogo. com eles ao lado, me sinto a salvo nesta selva-cenário.
não compro certas pessoas. pobres de espírito. caras pra cara... piiiiiiiiiiiiiii !!!!!

valéria tarelho
novembro/2014

pérolas

saudade
é uma colcha
que não mais
descobre
o amor que dorme

saudade
é uma concha
cujo marulho
emudeceu

valéria tarelho
para Adriane Garcia

Fotografia de Helena Gromova

Marinho
[Adriane Garcia]

Concha batendo
Com as vagas
Gastando-se dos
Intermitentes recifes

Saudade é perder
A pérola.

in other words

é primavera, amor.
agora e novembro a fora: status de flora. copa e cabana, um cantinho, uma viola, sampa e canção
:
serão nossa horta, jardim, pomar. é primavera, meu bem. ali, além. aloha!
vamos unir as escovas, a sua rede, minha redoma, minha renda com sua barra, seu chope com meu shopping, sua ipanema e minhas tiras [que as havaianas dançaram no último arrastão].
é hora de, a sós, amar à sombra. de grafitar poemas no quadro do luar [particular] de meu ser tão. sermos a soma de meu sim com teu yes. trançar de línguas e idiomas. com fusão. [fly me to the moon] novembro ou não. você verá, paixão - toldos verão -, o rio é de janeiro, mas será sempre fe[r]vereiro sob o avanço do redentor.
há mais calor, é feito estufa e feito estava. não é minha praia. minha onda é uma noite mais sinatra. [Let me see what spring is like on Jupiter and Mars] vem! novembro até que é fresco.
é efeito flor.
valéria tarelho novembro/2014

por thánatos

hoje é dia de todos os prantos, choro de vela, cheiro de flor.  dia de dar trégua às campanhas e ir à campa, à capela, de acompanhar a família à morada eterna dos que nos esperam. sem mistério. dia de lembrar dos seus, dos meus, dos nossos. contar seus causos no almoço (se foi cremado, hoje evite o churrasco) e rir com prazer e não pesar. dia de traduzir dor como happy hour. sem erro. a vida é isso: osso. prove o tutano de eros.

valéria tarelho finados/2014

desculpe a nossa falta...

Todos os anos tiro férias virtuais, e demoro a pegar no tranco. Este ano ainda não me motivei a sair do ponto morto em relação ao blog. Primeiro, por falta de tempo, pois assumi outros papéis , canalizei a poesia com que encaro a vida para outra esfera, que ocupa o pouco tempo livre que eu dedicava ao "textura". Segundo, e talvez mais determinante, porque em tempos de Facebook, onde se divulga tudo como em uma grande feira-livre, poucos são os que vão beber de outras fontes. Blogs poéticos estão como a maioria dos livros de poemas: praticamente ninguém compra, visita, tem tempo para. Ainda assim, e apesar dos "pensares", arrumei um fio de forças para [tentar] atualizar o blog, começando com o que andei produzindo desde a data em que parei as postagens, em 2014. Obrigada a você, que insiste em rondar por aqui :)
Beijos, Val

no Livro da Tribo 2015