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30 junho, 2015

poema para os poros do ocaso

por valéria tarelho em ,


eis
a segunda pele
que me envolve
em fim de sol
:
tua tez

película lúcida
que molda-se
à tônica
dessa minha
natureza

louca


valéria tarelho
29.06.15

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"LOucomotiVE-se"

por valéria tarelho em



tire
o coraçao
dos trilhos
meu bem

que o trem
da vida
é bala

seu tiro
enlouquecido
pode pegá-lo

dormindo


valéria tarelho
29.06.15

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esterco

por valéria tarelho em , ,



a poesia
me pegou
dejeto



valéria tarelho
28.06.15
*adubando a vida há mais de meio século

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bom dia

por valéria tarelho em ,

sábado, 27.06.15

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sem título

por valéria tarelho em


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gata

por valéria tarelho em , ,




quase toda
sexta-feira
a poesia se enfeita

usa meias
[palavras]
de seda

e salta da gaveta

travestida
de poema


valéria tarelho
26.06.15
*image from Vogue Italia, shot by Ellen Von Unwerth

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Pela fresta

por valéria tarelho em ,

Lá fora, o mesmo céu de outono. Idêntico ao de ontem, nas cores, nos intentos. Chovem cúmulos e cismas. Sangram feridas, fadigas suturam. Secam. Coçam por toda uma vida.
Um sol submisso curva-se, rendendo-se ao inverno novo em folha. Ensaia o vento sua nova trilha, que oscila: vaia e assobia (depende de quem rege a filarmônica do dia).
Dentro, um cão ressona. Baba, bêbado de sonho (e pança cheia). Uma chaleira desafina no fogão, contrastando com a ária da primeira passarada. Na casa inteira reina o aroma de broa. O pão caseiro sovado em companhia do primeiro vazio da estação (outros virão a calar).
Há uma véspera do que não convém. Existe uma estreia que não convence.
Mas o inverno, vestindo seu surrado suéter, comparece, acobertando a névoa das urgências. Que não se dispersa.

é o que há
para agora
:
pão fresco
poema vencido
e chá

de espera


valéria tarelho
inverno 2015

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clemência

por valéria tarelho em

uma noite
inocente
me salve

e absolva
dos amores
das insânias
e poemas

que cometi
a sangue

free


valéria tarelho
24.06.15

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para sempre

por valéria tarelho em , ,




não era para ser
mas parecia
pereceu
sem
perceber
o amor
que eu não
cabia

valéria tarelho
24.06.15
*dialogando com um guardanapo Emoticon smile
**imagem do Eu me chamo Antônio

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coisinha à toa

por valéria tarelho



à distância
à deriva
à beira

onde e como
quer que estejas

vai passar

é apenas
uma crase


valéria tarelho
22.06.15

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idílio

por valéria tarelho em , ,

olhos nos olhos
:
sou seu cisco
és meu colírio


 valéria tarelho
19.06.15
por chico, com chico, em chico : amem

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e por falar em saudade

por valéria tarelho em ,


ainda arde
o sabor
das ácidas
metades

[encaixes
tão perfeitos
de nós dois]


valéria tarelho
19.06.15

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cascata

por valéria tarelho em ,



as águas
vão
rolar
ladeira
abaixo

eu rio
você ri
[acho]


valéria tarelho
16.06.15

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armadilhas

por valéria tarelho em ,


como atrapalha
esse tal amor
[cheio de lapsos]

 seria sábio
sair da ilha
soltar a linha
libertar o passo

 não se enroscar
em tontas
amarras


 valéria tarelho
12.06.15
* para todo amor que houver nessa vírgula

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no mínimo

por valéria tarelho em , , ,

sobre todos
os "pê esses"
que o poeta
posta

eu poderia
apor
meu pé da letra

mas sou prolixa


se o amor
- assis -
é assim
:
infiel
ilegal
imoral

se é engodo
se engorda
se é caso
de polícia

quem ama
não se importa

aposta
a última ficha

no poema


valéria tarelho
12.06.15
*um longo diálogo com os p[oema]s de Assis Freitas

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havia um caminho dentro da pedra

por valéria tarelho em



e quando a vida
era brita
atirei-a no lago
de um riso
raso

criei redemoinhos
para mover
o barco


valéria tarelho
01.06.15

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adeus

por valéria tarelho em , , , ,

fim de maio/2015

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rouge

por valéria tarelho em , ,



a vida acena
sua bandeira
de seda
vermelha

[desejando que você
se renda]

hoje
- amor -
é sexta-feira

tem noite
de lua
acesa


valéria tarelho

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de la mancha

por valéria tarelho em ,



na minha estante
nada
(nem nódoa)
será como

cervantes


valéria tarelho
maio/2015

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fresquinha

por valéria tarelho em , , ,

Livro da Tribo 2015

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jogo sujo

por valéria tarelho em , , , ,



não te
omo
mais

se lhe serve
de comfort
:
passe bem


valéria tarelho
no Livro da Tribo 2015

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papo sério

por valéria tarelho em , ,



a poesia não brinca em ser vício


valéria tarelho

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movediço

por valéria tarelho em , , , , ,

Meu texto "isso" foi musicado por Rogerio Santos e virou um bolero cheio de ginga, "movediço".


Movediço
(Rogerio Santos/ Valéria Tarelho)

Não era amor, era pele
Em cada encontro-atropelo
Colisão de urgências
Corpos em queda livre
Destroços
Não, não era amor, nem apele
(Aquele bombardeio...)
Dois destróiers com mísseis nos olhos
Teleguiado momento
Em pelo
Azul-afundamento
Não era nada além
Não era nada aquém
Fenda na onda-nave
Que impulsionava o vícío
cio, ciclo, cisma, sismo, abismo
Ou bem nada disso
Curto-circuito movediço

dez/2014

Abaixo, um ensaio bacanudo :)

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piramidal

por valéria tarelho em



eu
não
egito
sem
você



valéria tarelho

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"ipanêmico"

por valéria tarelho em , ,

hoje
pintou um céu
jobim

branco
ton sur tom


valéria tarelho

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fogo e fogão

por valéria tarelho em ,

saudade não é sobremesa. é prato principal: acompanhamento e mistura. trivial. saudade até tenta ser doce em meio ao sal, mas saudade faz sorar. secar a boca.
servem saudade em qualquer quantidade e espécies: saudade por peso, prato feito, a la carte. saudade self service é a que mais consome a gente.
ontem provei saudade mal passada. fria. hoje tem um banquete de saudade recente. quente, de queimar a poesia.


valéria tarelho

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So sorry :/

por valéria tarelho

Perdoem a enxurrada de postagens, e peço desculpas antecipadas pelas próximas tempestades...ainda não terminei as postagens de 2014.
O lado bom é que há pouca atualização para 2015.

Beijos,


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29 junho, 2015

sequela

por valéria tarelho em , , ,

acho que chovia
que era um charme
chegou cegando
cheio de sins

certeza
é que o cetim
da pele
ainda sente

aquelas digitais


valéria tarelho

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vítima das circunstâncias

por valéria tarelho em , ,

pica cebolas
para chorar
pitangas
quem não faz
drama
não mama

valéria tarelho
dez/2014

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euforia

por valéria tarelho em , , ,

nuble
seja de sol
surja chuva
exista esse êxtase
:
dia com qualquer clima[x]
onde um poema
eu faria

como se fora
sexta-feira


valéria tarelho
dezembro/2014

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releitura

por valéria tarelho em

recriar nossa infância no filho que não criamos quando eu te queria tanto.
desvendar a adolescência ao brincarmos de cavar antigos tesouros em bilhetes anônimos [à bic preta, ponta fina].
experimentar o próximo beijo como quem tem quinze ânimos. um manancial de fôlego. prová-lo até dar enjoo.
estremecemos quando o terreno era arenoso. fofo, mas inseguro. morremos de ruir. hoje, no solo extremo, adquirimos a solidez dos rochedos. ainda há tempo de, 'perhappiness', rascunhar alguns planos. nos fartar de ângulos.
sim, há tempo de sobra. só folheamos alguns enredos nessas dezenas de desenganos em que não [nos] atuamos.
vem comigo, revisitar o primeiro olhar que cruzamos. o primeiro impacto, que causamos. a primeira vez que nos habitamos.
vem reeditar nosso tempero: marinada de sal, luar, sol, estrelas. a carne, tenra. uma pitada de pimenta [aquela, de lamber os dedos. lembra?].
et voilà!


valéria tarelho
dezembro/2014

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não morreu

por valéria tarelho em ,

aquela proposta
permanece
de pélvis

it's now
or never

valéria tarelho
dezembro/2014

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novembro, 30

por valéria tarelho em , , ,

No aniversário do Gustavo, filho, um registro com meus três pedacinhos de amor


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dei mole

por valéria tarelho em , , ,

reprovei
na prova
de amor
:
não era
chamada
oral


valeria tarelho

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desperdício é quando...

por valéria tarelho em ,

o coração
diz pensa
a cabeça
diz para
a vida
diz puta
e
a poeta
diz posta

[o poema
que se diz
farsa ]


valéria tarelho

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a vapor

por valéria tarelho em ,

às vezes
dá vontade
de dobrar
a vida

mas ela passa


valéria tarelho

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partilha

por valéria tarelho em , , ,

há males
que vêm
para os bens

há milhares
que não se vê
um vintém

[ eu juros
:
nada disso
inventariei ]


valéria tarelho

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arre água

por valéria tarelho em ,

água do céu
não pinga

nem há água
ceivada
que se veja

[e isso nos
represa]

se for digerir
essa seca
- sertaneja -
não beba

água
benta


valéria tarelho
seca/2014

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confissões de "envelhescente"

por valéria tarelho em ,

1. às vezes vou a, volto da e esqueço a crase em casa.

2. houve uma fase em que eu deixava as aspas abertas. e as frases escapavam com o pensamento, que fugia.

3. nessa época havia sempre uma palavra na ponta da língua. eu ficava mordida para lembrá-la. saiba: mordida é eufemismo. eufemismo! enfim, lembrei!

4. as reticências eram minhas melhores amigas, mas aí...

5. usei todos os porquês, porque disseram que o mundo acabaria em 2000. não acabou. e, logo no início do ano fatídico, tive um filho. ele reivindica todos os porquês. com juros.

6. tenho preguiça de inicial maiúscula e pontuar poemas. também tenho licença poética, o que atenua o delito. eu posso, nada me poda.

7. não ando na linha, nem sigo a pauta do dia. eu quero é viver em pátina! o que pintar, leminski assina: poeta.

8. minha vida é um diário de bordo. de bolso. compacto. se for mandá-la a algum lugar, que vá pra pocket, que irá feliz da vida.

9. velha era aquela 'idéia' acentuada. minhas ideias novinhas estão na balada. inconsequentes. sem trema, nem trauma.

10. domingo no parkinson foi um tremendo dia!

11. já passei do ponto, mas não dei sinal.

12. alzheimer mandou lembranças e esqueci onde as guardei.


valéria tarelho
novembro/2014
*poeta é a vovózinha

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radical livre

por valéria tarelho em ,

amar
[esse verbo intransitável]
está a caminho
mas aviso:
vai chegar com atraso

parou para amar
o próximo
amar a esmo
amar a si mesmo
[com todo amor próprio
a que tem direito]

amar
[esse verbo interativo]
segundo o amor amigo
está vivo
e - lentamente - vindo
trazendo na bagagem
amores antigos
amores doídos
amores não correspondidos
:
uma mala de amores
bem ou mal
amados

quando - enfim -
ele chegar
trate de amar
o exausto amar
[esse verbo inflexível]
com todo amor
e carinho
:
exercite seu âmago
massageie o ego
alongue esse amar
oxidado
amar só quer abrigo
:
um coração desimpedido
para seu íntimo
congestionado


valéria tarelho
novembro, 17, 2014
horário "deverão"

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espetáculo

por valéria tarelho em , ,

o domingo
deixa o palco
e
abracadabra
:
foi mágico
ver o dia
te iludindo
diante de seus
óbvios

[e você ali
aplaudindo
esse número
batido

ora pombas! ]


valéria tarelho

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cara de "hã?"

por valéria tarelho em ,


em novembro/2014, com meus cachinhos

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por fora

por valéria tarelho em , , ,

sexta
é super
sexy

eu sei
tu sabes
ele sábado


valéria tarelho
novembro/2014

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urbe

por valéria tarelho em , ,

não há nada
que faça
com que eu
esqueça

é noite
de sexta
e você
- amor -
pertence
a outro
planeta

onde sou
apenas
uma lenda


valéria tarelho

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psicopoeta

por valéria tarelho em , ,

há luz
sina
ação

é coisa
de doido
as_pirado
essa tua
poesia

[fora da casinha]

valéria tarelho
para o Marcos Magoli


~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

MURAL
sexta-feira
.....
estou 
louco
pra ser
lúcido
Marcos Magoli

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o amor está na moda

por valéria tarelho em , ,

se o amor
sai caro
mas é o seu
número

in_vista
dos pés
à cobiça

[em suaves
pretensões]


valéria tarelho

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fragmento

por valéria tarelho em , , , , , ,


Em novembro/2014, quando chegou a  agenda Tribo 2015, essa surpresa que escrevi em dezembro/2013, em um diálogo com o poema de Assis Freitas


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o p da vida

por valéria tarelho em ,

viva apaixonadamente!
por sua pátria, suas plantas, sua pessoa, seus pets, seu presente, seus parentes, pacientes, pela profissão que defendes. ou dependes.
apaixone-se, diariamente, por seus pares, seus particulares, o público que te privilegia e nem sempre te pertence.
viva para amar os poemas mais que polêmicas ou problemas; os pés acima das pernas; ame cada passo antes de amar os passeios; ame as pontes, horizontes que parecem passarelas. desfile de mãos dadas com um pensamento leve; reserve um tempo para amar os pontos de partida; ame, inclusive, os finais, passaportes para o próximo parágrafo.
viva enamorado[a] dos pássaros, do poente, da poesia, das palavras, das portas à sua frente, das passagens proibidas. permita-se amar despudoradamente.
viva, especialmente, como quem está perto da apoteose, próximo de partir para sempre, prestes a ser o pó. corpo presente.
e o principal ingrediente: veja [com olhar de poeta] que a vida é uma festa e você tem convite vip.
participe!


valéria tarelho
novembro/2014

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balanço

por valéria tarelho em , , ,

há barracos que não valem o preparo do terreno. outros, são dignos de uma construção em praça pública. um monumento!

há tragédias que não merecem a plateia. outras, dependendo da circunstância, valem a cena. com direito a aplausos. bis. especialmente as tragicômicas. principalmente se atu[r]o.

há pessoas [dentro e fora dos barracos, com seus textos prontamente trágicos na pauta da língua] que não valem o poema. diria que a algumas, de pouca fala, até cai bem um haicai. seguido, no mínimo, de um hiato. ecos de silêncio.

existem cobranças que não valem o investimento a qualquer título. porque a curto, ou longo prazo, sairemos falidos. 

por essas e outras, economizo amigos. tenho poucos. raros. e caríssimos. com eles não desperdiço quando esbanjo o riso ou gasto saliva no mais prolixo diálogo. com eles ao lado, me sinto a salvo nesta selva-cenário.

não compro certas pessoas. pobres de espírito. caras pra cara... piiiiiiiiiiiiiii !!!!!


valéria tarelho
novembro/2014

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pérolas

por valéria tarelho em ,

saudade
é uma colcha
que não mais
descobre
o amor que dorme

saudade
é uma concha
cujo marulho
emudeceu

valéria tarelho
para Adriane Garcia

Fotografia de Helena Gromova


Marinho
[Adriane Garcia]

Concha batendo
Com as vagas
Gastando-se dos
Intermitentes recifes

Saudade é perder
A pérola.

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in other words

por valéria tarelho em ,

é primavera, amor.
agora e novembro a fora: status de flora.
copa e cabana, um cantinho, uma viola, sampa e canção
:
serão nossa horta, jardim, pomar.
é primavera, meu bem. ali, além. aloha!
vamos unir as escovas, a sua rede, minha redoma, minha renda com sua barra, seu chope com meu shopping, sua ipanema e minhas tiras [que as havaianas dançaram no último arrastão].
é hora de, a sós, amar à sombra. de grafitar poemas no quadro do luar [particular] de meu ser tão. sermos a soma de meu sim com teu yes. trançar de línguas e idiomas. com fusão. [fly me to the moon] novembro ou não.
você verá, paixão - toldos verão -, o rio é de janeiro, mas será sempre fe[r]vereiro sob o avanço do redentor.
há mais calor, é feito estufa e feito estava. não é minha praia. minha onda é uma noite mais sinatra.
[Let me see what spring is like on Jupiter and Mars]
vem! novembro até que é fresco.
é efeito flor.

valéria tarelho
novembro/2014

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pelo cano

por valéria tarelho em ,

a morte
liquida
a vida
que vaza
por mais que
você
a vede
vida
é esse mofo
na parede

valéria tarelho
finados/2014

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pire[x]

por valéria tarelho em , ,

a vida
é vítrea

evite
as paixões
só lidas


valéria tarelho
finados/2014

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vem!

por valéria tarelho em , , ,

viveu
e isso lhe custou
cada vintém
da vida
que hipotecou
ao nascer

vem
pra caixa
você também


valéria tarelho
finados/2014

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por thánatos

por valéria tarelho em , ,


hoje é dia de todos os prantos, choro de vela, cheiro de flor. 
dia de dar trégua às campanhas e ir à campa, à capela, de acompanhar a família à morada eterna dos que nos esperam. sem mistério. 
dia de lembrar dos seus, dos meus, dos nossos. contar seus causos no almoço (se foi cremado, hoje evite o churrasco) e rir com prazer e não pesar. dia de traduzir dor como happy hour. sem erro.
a vida é isso: osso. prove o tutano de eros.


valéria tarelho
finados/2014

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desculpe a nossa falta...

por valéria tarelho em , , ,

Todos os anos tiro férias virtuais, e demoro a pegar no tranco. Este ano ainda não me motivei a sair do ponto morto em relação ao blog. Primeiro, por falta de tempo, pois assumi outros papéis , canalizei a poesia com que encaro a vida para outra esfera, que ocupa o pouco tempo livre que eu dedicava ao "textura". Segundo, e talvez mais determinante, porque em tempos de Facebook, onde se divulga tudo como em uma grande feira-livre, poucos são os que vão beber de outras fontes. Blogs poéticos estão como a maioria dos livros de poemas: praticamente ninguém compra, visita, tem tempo para.
Ainda assim, e apesar dos "pensares", arrumei um fio de forças para [tentar] atualizar o blog, começando com o que andei produzindo desde a data em que parei as postagens, em 2014.
Obrigada a você, que insiste em rondar por aqui :)

Beijos,
Val


no Livro da Tribo 2015

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