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31 julho, 2006

aviso ao navegante

por valéria tarelho

não importa
quando parto
ou como [e se]
aporto

idas e vindas
são um ato
autômato

pausar um porto
ousar outro
zarpar de pronto
é prático

nada
causa vaga
nostalgia

nada
em voga
atinge o âmago

cheia ou rasa
choro ou riso
x ou y
não me impingem

tenho olho
habituado
a todo tipo
de ocaso

todo tempo
de acaso
tenho ilhado


cruzo águas
do agora

futuras marcas
não figuram
no meu mapa

mágoas passadas
que resgato
e trago a bordo
não passam de reféns
do ontem naufrágo

não possuo
bens
ou bússula

não há banzo
que comigo
possa

posse [benzinho]?
impossível


valéria tarelho
* ao som de maresia - adriana calcanhoto

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29 julho, 2006

das sutilezas

por valéria tarelho

temos um modo
próprio
de nos tocar

toque
nem sempre
físico

estímulo
contudo
químico

bombástico
jeito atípico
de agitar
o átimo

poético
aspecto tátil
ao tanger
o íntimo
e atingir
o núcleo
:
oculto
no concreto
translúcido
no abstrato

tatuado
no espaço gráfico
nosso [im]pacto

com tato
com tanto
trato

tácito
como de hábito


valéria tarelho
* há um sujeito oculto
em minhas pressas e rações diárias.
à poesia que emana dele,
meu olhar suspeito
[preso em flagrante deleite].

** soundtrack:
apenas mais uma de amor - lulu santos

"deixo assim ficar subentendido"

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28 julho, 2006

oz não é aqui

por valéria tarelho

"someday I'll wish upon a star
wake up where the clouds are far behind me"


o tédio
[ tema batido ]
de todo dia

a taquicardia
[ velha amiga ]
do peito tísico

o trauma
[ antiga trama ]
dos medos de tranças

o tempo
[ a toque de valsa ]
tricotando detritos

sorrir para o sol
que sai de assalto
e entra em cartaz
:
truque [ frustrado ]
de aprendiz

[ tornado
possível
é só
um invento
over
the rainbow
]


valéria tarelho

* o hawaii é aqui

"over the rainbow / what a wonderful world"
versão com israel kamakawiwo'ole [o grande iz]

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27 julho, 2006

homem.com.H

por valéria tarelho

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sem título

por valéria tarelho


tem poema
que nasce pronto
mal respira anda
com as próprias penas
se vira na lida
como cria
de outros bichos
:
poema filho
desse vício
que me morde
dessa droga
[ démodé?]
com que me pico
todo [demo] dia

tem poema
de bizarra beleza
e poema medonho
como o demônio
:
poema cruza
da mãe natureza
com coisa
do capeta
[camuflado
de poeta]

tem poema
que assino embaixo
tem poema
que passo por cima
tem poema
que assassino
antes do parto
:
aborto
o futuro monstro
mostro ao mundo
se é presente dos deuses

[às vezes publico
um ogro do tipo
sujeito ao lixo
:
sem pé
sem cabeça
sem título

gerado sem pai
nem porquê]


valéria tarelho
[da série: "assinei, mas não devia"]

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FLAP (-me camaleoa)

por valéria tarelho


São Paulo: dias 29 e 30 de julho
Espaço dos Satyros I
Pça. Roosevelt, 214, Centro.

A edição de São Paulo traz, dentre outros convidados, o cineasta Sérgio Bianchi, a vereadora Soninha Francine, o crítico Manuel da Costa Pinto, o jornalista Ivan Marques e escritores como Luiz Ruffato, Frederico Barbosa, Claudio Willer e Xico Sá.

A FLAP! nasceu em julho de 2005 como uma contra-proposta à FLIP (Festa Literária Internacional de Parati), um evento que o grupo entende como direcionado ao público de classe alta, caro para muitos estudantes (o público paga para entrar em palestras e shows), além de focar em autores de best-sellers e estrelas de televisão; ainda que acabe trazendo escritores e críticos importantes. Organizada por estudantes do curso de Letras (FFLCH) da Universidade de São Paulo e da Academia de Letras da São Francisco (Direito), a FLAP! 2005 reuniu mais de 300 pessoas no Teatro dos Satyros na Praça Roosevelt e teve divulgação nos principais veículos literários por reunir professores universitários, críticos e os principais escritores do cenário paulista em palestras acaloradas. Agora em 2006 mais estudantes de outros cursos da USP, assim como estudantes de Letras no Rio de Janeiro, colaboram em sua organização.

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24 julho, 2006

perspectiva

por valéria tarelho


fotografia © Ricardo Tavares


tem dias
em que sou
so(u)l poente
:
aquele instante só
que transcende a luz
antecede o breu
provoca o céu
e seus pastéis
:
dias em que
sou troca
de papéis


valéria tarelho

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17 julho, 2006

cliques de quarta

por valéria tarelho em , , ,

pelo olhar de João Urban:


Virna Teireira


Valéria Tarelho


Tatiana Fraga, representando Bruna Beber (telão)


Mônica Oliveira, representando Silvana Guimarães (telão)


Marília Kubota


Jane Sprenger Bodnar


Andréa Del Fuego


Frederico Barbosa - abertura do evento
que aconteceu na Casa das Rosas - SP,
em noite de 12 de julho - lua cheia.

outros cliques aqui

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15 julho, 2006

soul

por valéria tarelho


fotografia © rui gouveia

sou como este
sábado de sol
:
suor & sede
norte ao sul

e tal o
sinuoso s
que este céu
azul sugere
e não possui

só sabe-se
do embuste
o seio

[solo alheio
c insinua
sem sabê-lo]


valéria tarelho
em tarde sólita de sábado :
será sorte?
será sátira ?

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100 palavras

por valéria tarelho

Textura
ROGERIO SANTOS
( Para Valéria Tarelho )

verão
nos
teus
versos
que
nunca
se
despe
da
própria
pele
a
veste

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14 julho, 2006

mais escritoras suicidas

por valéria tarelho

ooopppsss!!! já estamos em julho e esqueci de avisar que a edição 07, mês de junho, está no ar .
o tema é desejo. e desejo que passem por .

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Sobrevivemos, sem um arranhão

por valéria tarelho em , ,

Atentados e atropelos à parte, o "suicídio coletivo" aconteceu. Quem compareceu pode testemunhar em nossa defesa - ou acusação. Só não vale ficar indiferente a dez mulheres sangrando desespero por todos os poros. Dez mulheres saltando do topo de textos densos, mesmo quando irônicos. Dez suicidas despidas de preconceitos - e despindo o pré-conceito que permeia a literatura feminina. Sim, ele existe. Ainda. E se veste de um (ul)traje qualquer. Por isso, as suicidas. E também as suicidas, para rir de tudo isso.

Nossa garra, rasgando essa veste démodé - guerra dos sexos é uma roupa pra lá de fora de moda. E suja . Mas algumas pessoas a usam, disfarçando o ranço ou com o tema batido despudoradamente à mostra. Frederico Barbosa é testemunha ocular desse crime. E logo na abertura do evento, o condena.

Quarta-feira saímos do site de apenas letras impressas. Deixamos nossas cidades, casas e Internet. Fomos dar a cara a tapa. E antes que pensem que além de suicidas, somos escritoras masoquistas, declaro: temos coragem. Falo por mim, mas creio que as demais assinam embaixo. Coragem de dar o recado, doa a quem doer. E danem-se os insensíveis!

Saímos da tela para o telão que mostrava slides das autoras presentes e, também, as representadas (uma pena não estarmos todas unidas, mas teremos outras oportunidades - morte lenta, mais prazerosa que a súbita).

Saímos do nosso próprio anonimato e pudemos trocar palavras, abraços, beijinhos, olhares. Ouvir a voz que soa o que os dedos suam, todos - suicidas ou não - puderam. O público, como meros estudantes em uma sala de aula, estudava gestos de quem estava ao microfone para, igualmente, aprender. Vi, na platéia, alguns mestres das palavras. Os nomes, fotos e outros detalhes, deixo por conta de Mariza Lourenço, presente em espírito. Aliás, toda suicida esteve presente. Se não fisicamente, na tentativa bem sucedida de morte ao estereótipo.

Envenenando o que poderia ser clichê, asfixiando um eventual texto prolixo, mostrando de que matéria são feitas nossas vísceras: foi assim que cometemos suicídio ao vivo. Pela primeira vez, publicamente: em plena Casa das Rosas, nessa São Paulo que literalmente sangrava em outros pontos (de A a Z, uma zona).

No site, nossa morte é tema, que sangra todos os meses. Coisa de mulher (ou não), como menstruação.

valéria tarelho
** aos amigos presentes: Rogério Santos e Ronald Chira ~> um "xêro"

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05 julho, 2006

por valéria tarelho

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01 julho, 2006

Sangue na Casa das Rosas

por valéria tarelho

Recital de escritoras sangra preconceitos na Casa das Rosas
(por Marília Kubota)

No dia 12 de julho de 2006 dez autoras participantes do projeto Escritoras Suicidas estarão se apresentando na Casa das Rosas, a partir das 19h30. As poetas e escritoras Andrea Del Fuego, Jane Sprenger Bodnar, Jussara Salazar, Mara Coradello, Marília Kubota, Mariza Lourenço, Ro Druhens , Silvana Guimarães, Valéria Tarelho e Virna Teixeira vão ler textos que refletem a condição feminina na literatura.

No ar desde outubro de 2005, atualizado com um tema a cada mês, o site Escritoras Suicidas — www.escritorassuicidas.com.br — vem divulgando a produção representativa de novas e novíssimas autoras, que começaram a produzir a partir dos anos 90 e 00. São mais de 30 colaboradoras fixas, além de convidadas.

O nome Escritoras Suicidas não presta reverência a Virgínia Woolf, Ana Cristina César, ou outra escritora/poeta suicida, como se poderia supor, mas faz parte de uma estratégia para fazer com que o estereótipo que se cola à literatura feminina — o da escrita confessional, passional e voltada ao umbigo — se auto-extermine. Um site só de mulheres, uma ironia ao estigma que impuseram à "literatura feminina" = drama + depressão + suicídio, explica Silvana Guimarães, editora do site.

Os textos das autoras sangram o clichê de que escrita de mulher é sinônimo de fragilidade de espírito ou de idéias. Há pouco tempo um editor de um site afirmou — em resenha do livro 25 Mulheres que Estão Fazendo a Nova Literatura Brasileira, organizado por Luiz Ruffato — que uma antologia só de mulheres despertava nele a vontade de encontrar uma mulher fisicamente estimulante e fatal entre as autoras. O mesmo sujeito usou de analogias torpes e jogo de palavras batido, cometendo imprudências, como comparar algumas de nossas escritas com costura , diz Mara Coradello, também editora.

Causar o harakiri de preconceitos é tão objetivo, que as editoras propuseram uma inversão lúdica: convidaram homens que se dispusessem a escrever tão bem como mulheres, contrariando o chavão de que autora de talento escreve como homem. Incógnitos, muitos autores têm perseguido o êxito de Nelson Rodrigues, que escreveu sete livros sob pseudônimos femininos.

As Suicidas pretendem fazer com que as mistificações literárias em torno da escrita de mulheres morram de vergonha em outras capitais do país, durante este e o próximo ano. Estão organizando eventos que podem incluir as cidades do Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte e outras. E em 2007 deve ser publicada uma antologia que abranja a diversidade desta safra de deusas do vento, ou como se diz em japonês, kamikazes.


Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 - SP
próximo ao metrô Brigadeiro

entrada franca

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