
anos setenta
garota
conga branca
saia de pregas
mangas longas
meias logo
abaixo das coxas
tornou-se moça
na corda bamba
mulher à beira
foi dona doida
maluca beleza
lelé da cuca
[e mais um porre
de alcunhas]
mas era uma
maria só
[pobre star] do ceará
maria sem órion
maria sem hora
maria sem guia
estrela una
fora de si
vestia um mar
despia seu
"desequibrilho"
- a girar a girar a girar -
canta maria
em céu
só seu
um nada
sóbrio
serestar
valéria tarelho
à maria cearense, uma lenda, uma estrela
Comentários
figura lendária de Guarujá, litoral sul de SP foi 'personagem' de minha infância. dizem que era professora e que a morte da filha, por afogamento, deu origem à loucura.
bebia muito, talvez para afogar a memória. vestia todo o seu guarda-roupas, peça sobre peça, menos as íntimas. era comum vê-la em cena pelas ruas, erguendo suas muitas saias. nua e não.
cantava só, falava só, xingava só. brigava com deus e o mundo enquanto travava sua própria luta. maria metia medo na criançada que, como eu, corria. e ria.
hoje vejo maria com olhos adultos e percebo seu brilho. único.
Esse texto me deixou com uma saudade...me trouxe à lembrança leituras antigas. A atmosfera onírica e essa melancolia trágica do final me fez lembrar de ofélia e de Ismália.
Gostei de mergulhar nesse devaneio..
Valeu!
Vários malucos fizeram parte de minha infância/adolescência.
Um deles virou personagem. Chamava-se Xantu e era um gari. Ele costuma dizer coisas sem nexo como: vou fotografar esta jogada com a máquina de escrever e insitir numa nova marca de carro chamada Chavete.Está num conto meu chamado "O gari e o guri".
Os malucos sempre são bem-vindos, pois jogam na cara da sociedade suas contradições, seu cinismo e otras cositas más.
Nostálgico teu poema, tua conga lembrou de meu kichute e das calças "boca de sino" com emenda lateral.
E de Pink Floyd, Led Zeppelin e tantas coisas boas dos anos setenta, apesar da dita...dura.
Beijão querida.
Ricardo Mainieri
Vários malucos fizeram parte de minha infância/adolescência.
Um deles virou personagem. Chamava-se Xantu e era um gari. Ele costuma dizer coisas sem nexo como: vou fotografar esta jogada com a máquina de escrever e insitir numa nova marca de carro chamada Chavete.Está num conto meu chamado "O gari e o guri".
Os malucos sempre são bem-vindos, pois jogam na cara da sociedade suas contradições, seu cinismo e otras cositas más.
Nostálgico teu poema, tua conga lembrou de meu kichute e das calças "boca de sino" com emenda lateral.
E de Pink Floyd, Led Zeppelin e tantas coisas boas dos anos setenta, apesar da dita...dura.
Beijão querida.
Ricardo Mainieri
A betty Vidigal escreveu sobre ela outro dia: estava falando em um celular invisível.
Muito bom poema!
Flá Perez
lembrei até de um poema (trecho) do leminski:
(...)
todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também
valeu, pessoas!