fui criada ao acaso
em meio a uma crise
de insônia
(maybe um orgasmo
de insânia)
posso ser um último ato
(sem direito a reprise)
algo límpido
algo lúcido
implícito no desatino
de um deus-menino
(perhaps algo sujo
no jato do gozo
de um diabo adúltero)
possuo fases de lua
- inúmeras faces -
repousa em meu peito
um vulcão dormente
- que no leito irrompe -
cúmplice do vento
sou o disfarce que ele ousa
e quando caio das nuvens
desmancho em magma
(talvez não passe de um dueto
entre inferno
e firmamento
quem sabe poesia humana
refém saída da lama
à superfície da alma)
valéria tarelho
publicado na máquina do mundo, nº 1, abril/05
Simplória
23 minutos atrás
















indicado por Assis de Mello
indicado por Rosangela Ataíde


















blog: textura





4 comentário(s):
(uma crise de insônia ou um orgasmo
de insânia) Fantástico isso!
Lindas imagens!!! "... um dueto entre inferno e firmamento..." Beijos!!
por um instante me achei dentro do poema
E se foi um orgasmo de insânia, que infame o mundo se ele não viera... que falta faria se ela não houvera...
e que barrocas estas minhas palavras
soando como as de um padre Vieira...
A explosão que cria uma poeta Valéria
é um começo de um mundo onde morrem
porque não se explodem coisas velhas.
Postar um comentário