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04 janeiro, 2016

apesar do cérebro

por valéria tarelho em , , , ,

Por alguns meses, frequentei o céu. E céu é um campo onde encontrei espaço - amplo - para te sonhar. Também é céu a porta de acesso que ousei atravessar, para que pudesse te realizar. E tentar ser teu pedaço mais doce no decorrer dos dias e noites.

Céu, daqui em diante, jamais será tratado no pretérito. Vivo um céu presente. Ainda sinto todo o meu ser em nosso céu mais recente.

Céu, meu doce, é todo esse [a]mar que nos permeia: da origem em meio ao sal, ao ponto xis no mapa da nossa mina. Escondida. Paradisíaca!

Céu é uma imensidão. Tão vasto, que, às vezes, me perco. E penso pousos para nosso voo. Repenso o solo. Peso, na palma da mão, o mel da tua presença, comparado ao metal da ausência. E oscilo entre o etéreo e o chão. Mas aborto essas missões suicidas, ao lembrar-nos: pássaros. [pre]Destinados ao alto. Ao patAMAR mais elevado . Às nuvens. Jamais abaixo da linha do "horizontem". Pairando o hoje, que nos enleva.

Céu é a soma do que sou, quando tu és, é o total que nos tornamos. Céu é múltiplo de tudo que ofereço, e que me dás, quando ousamos um par de asas [nas palavras, nos gestos, no desejo que nos levita].

No meu céu de tantos dias, te eternizei . Inteiro. Meu céu tem gosto, cheiro, sabor, textura, sons, tem teu rosto e atende por teu nome [que eu sei , sempre soube, guardar no peito].

Estou no céu e não vivo um momento. Nego qualquer investimento em um paraíso perdido. Para mim, é tudo completo, porque és definitivo. Em mim. E tudo que crio, pensando em ti, te manterá vivo. Comigo.

Meu tempo é a lembrança onde tu sempre arderás. Meu lucro é o amor [por ti] que veio para ficar. Fixar em mim. Tatuado na pele de todos os amanhãs.


valéria tarelho

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