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27 setembro, 2015

porque sim

por valéria tarelho em , ,



Porque te amo desde a meninice, quando éramos felizes dando alguns passos juntos, em curto espaço.

Porque te amei, até quando abaixei o som do teu nome, desliguei o farol de teu sorriso, adormeci teus olhos e me afastei para não atrapalhar teu sono. Em mim. Por anos. Décadas. Tantas que, quando me dei conta, era uma outra vida. A época de pegar ondas deu lugar à correria em terra firme. As contas deixaram de ser mera tarefa, embora continuem sendo um problema resolvê-las. As pessoas com as quais nos relacionamos não são as mesmas. A família cresceu, porque semeamos amor em outros solos e colhemos seus frutos, que levamos no colo, colocamos os rumos aos seus pés.

E nesse novo mundo, com novos rostos, novos planos, tudo novo, fui fazer barulho. Teu nome agora ecoa, reacendi o teu sorriso, despertei teus olhos. Fiquei um tempo desacreditando nesse amor, de um passado ainda vivo, mas que acordou em um a realidade diferente.

Agora assumo o susto. Assumimos. Somamos. E a matemática só não supera a nossa história. A geografia complica, mas não interrompe nosso trânsito. A tecnologia é nossa melhor amiga.

E descobrimos, nesta idade de urgências, que "eu te amo" é mais bonito quando dito sem pressa, com os olhos, em nossa língua.

Porque te amarei por toda a vida, ainda que passem outras trinta décadas, teu nome, sorriso e olhar, levarei comigo: no peito e subentendidos nos textos que procrio.

Para sempre é um lugar dentro de um livro. Papéis em que existo, tu és, somos livres.



valéria tarelho
24.0.15 , primavera

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