leitores via feed assinar feed do blogassine textura por email

31 agosto, 2015

desaguando

por valéria tarelho em ,


omitir das poças
de chuva
que te amo

mentir ao mar
sobre a saudade
- um oceano -

disfarçar dos rios
o riso que rola
solto e sem motivo

fingir ao espelho
que não chorei
no chuveiro

porque te afogo
[e salvo]
há tantas águas


valéria tarelho

Bookmark and Share

3 comentários:

AiA disse...

Este poema é tocante!

valéria tarelho disse...

Grata, flor!!

Anônimo disse...

Olhando e tocando as frases nesta poesia...
sente-se as batidas e ressonâncias no peito.
Os efeitos?
Feitos assim: de um bate e apanha sem fim,
em cadência desconcertante.(quase uma taquicardia literária).

Tão coisa do tempo (que emociona quem já passou por muitas corrente-za-s)
e percebe que, o que passou, escorreu pelos dedos,
pois já se foi e quem sabe o que virá?

Hoje as lembranças molham fácil os olhos,
de uma maneira meio assim, sem controle... (incontinência lacrimal - existe isso?)
com as belezas mais simples e realmente verdadeiras,
que possam vir embrulhadas em palavras,
que não precisam gritar presença,
mas carregadas de sutilezas, encantam, (e sempre encantarão)
quem já morreu muitas mil vezes, afogado de saudades.

Brilhante = Você.

PS: não consigo imaginar alguém escrever o que você escreve fazendo um bolo de chocolate, vendo tv ou algo comum do cotidiano. :)

vVv