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31 outubro, 2013

outubro

por valéria tarelho em


outubro tem encantos que se revelam aos poucos. hoje, dezoito, me transportou no tempo. há dez dias [08], eu estava renascendo.  outubro, seja assim: sereno. sou quase flor. 



    a primeira vez que brotou filha em minha vida foi em um outubro. e, também, a terceira. açucenas, melissas ou angélicas? só sei que outubro é cor de rosa. me nina. tem cheiro bom. 



    outubro, mês que é dez, mesmo quando é mais ou menos. ainda descubro o que é que outubro ten. 



    outubro chegando ao fim e não se contenta: hoje, 24, começa nova jornada. novo susto me aguarda? ou um sopro sobre o que mal cicatrizou? outubro será mistério até daqui a pouco, quando definirá meu tratamento. sim, tenho conserto. grande chance de [lou]cura. falta saber o método. outubro, seja manso. me leve no colo, coloque no leito. [en]cante. conte histórias que me ninem até amanhecer novembro [e seus novos segredos]. 
*duvido que acate: outubro insiste em revelar-se aos poucos. quer ser notável até o último instante. 



    vinte e oito, outubro está indo embora. me afeiçoei a ele a ponto de sentir dor no peito. bem lá dentro, onde habitam as dores dos bons tempos. outubro foi ameno, por inteiro. mesmo quando choveu, outubro o fez sem céu negro. forneceu um tom que só eu vejo. e águas mansas para o remanejo do que era turvo. 
outubro é novo amigo com um quê de velho. quando se for, ficarei a [vi]vê-lo.


souvenir

outubro partiu deixando uma cicatriz
para lembrar-me das viagens
por minhas colinas


valéria tarelho

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