outubro tem encantos que se revelam aos poucos. hoje, dezoito, me transportou no tempo. há dez dias [08], eu estava renascendo. outubro, seja assim: sereno. sou quase flor.

a primeira vez que brotou filha em minha vida foi em um outubro. e, também, a terceira. açucenas, melissas ou angélicas? só sei que outubro é cor de rosa. me nina. tem cheiro bom.

outubro, mês que é dez, mesmo quando é mais ou menos. ainda descubro o que é que outubro ten.

outubro chegando ao fim e não se contenta: hoje, 24, começa nova jornada. novo susto me aguarda? ou um sopro sobre o que mal cicatrizou? outubro será mistério até daqui a pouco, quando definirá meu tratamento. sim, tenho conserto. grande chance de [lou]cura. falta saber o método. outubro, seja manso. me leve no colo, coloque no leito. [en]cante. conte histórias que me ninem até amanhecer novembro [e seus novos segredos].
*duvido que acate: outubro insiste em revelar-se aos poucos. quer ser notável até o último instante.

vinte e oito, outubro está indo embora. me afeiçoei a ele a ponto de sentir dor no peito. bem lá dentro, onde habitam as dores dos bons tempos. outubro foi ameno, por inteiro. mesmo quando choveu, outubro o fez sem céu negro. forneceu um tom que só eu vejo. e águas mansas para o remanejo do que era turvo.
outubro é novo amigo com um quê de velho. quando se for, ficarei a [vi]vê-lo.
souvenir
outubro partiu deixando uma cicatriz
para lembrar-me das viagens
por minhas colinas
valéria tarelho
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