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A quem chamo de amigo





Meu amigo tem o colorido da primavera: da alvura do jasmim, ao dourado do trigo, esse amigo é uma aquarela tingindo meu negrume. Tem, também, o perfume que ela encerra: cheiro de mato, de terra, flor se abrindo. Cheiro de chuva que, emane do alto da serra, ou do asfalto, sinto próximo, como viesse de dentro.


Meu amigo é incandescente. É chama, verão, sol a pino, avivando minha languidez de sol poente. E quando dos cirros de meus olhos, cristais de gelo se convertem em água - e vertem - ele me invade com a luz da amizade, arrancando de meu cerne um prismático sorriso, que o reflete: amigo é essa ponte iridescente no céu, que denomino: arco-de-deus.


Meu amigo, de janeiro a janeiro, é outonal: desprende-se de tudo que o sustenta e deposita-se  a meus pés para me servir de húmus, pelo prazer de ver-me, no futuro, verdejar. Farfalha seu bom humor ao vento, certo de meu riso. Mostra preocupação comigo, ao forrar, com a sensatez das folhas secas, o solo de meu âmago. Juntos comemoramos a época da colheita - mesmo que não seja farta. Um grão que vingue, é lucro.


Meu amigo é lareira, chocolate quente, fondue, meia de lã...é estância de inverno: paragem aconchegante onde me abrigo do frio que me corta o peito - e queima a pele.


É um conforto ter meu amigo por perto, abrandando as intempéries das minhas variações atmosféricas - as repentinas mudanças de ares que me acometem. Chova ou faça sol, ele segura minhas ondas. Manda para longe as tempestades. Nada contra a corrente, se preciso for. Ele tem, em mim, uma amiga devota. Amiga a toda prova, para o que der e vier. Amiga sempre presente, em suas quatro estações. Preenchendo as lacunas de seus quartos de lua.


Do cimo de minha pequenez poética, que eu ao menos consiga, com o afago destas letras, traduzir meu afeto e amor incontroverso pelo amigo de todas as horas. Aquele que ri e chora comigo. Que diz não, que não devo ou que não posso. Aponta meus erros, briga, enfrenta uma guerra por mim.


Para você, que é meu amigo, segue meu coração, embrulhado em um sachê.




*imagem via Google



valéria tarelho
2005



Comentários

Dilmar Gomes disse…
Bonito texto, refletindo sentimentos nobres.
FELIZ DIA DO AMIGO!
Um grande abraço.
Anônimo disse…
...poxa.
Também quero ser seu amigo.

Minha senha = 12620, um dia chega meu dia.

Feliz dia.
Anônimo disse…
Sem o dom da poesia, mas deixando meu abraço, Val!

H
Anônimo disse…
Isto é mesmo uma inspiração Divina!E você está demonstrando ser uma amiga maravilhosa!!!!!!
Abraços, uma admiradora secreta.

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