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21 abril, 2009

julio cortázar

por valéria tarelho em , ,


Caricatura de Cortázar, de Gilmar Fraga

PARA CRIS

Agora escrevo pássaros.
Não os vejo chegar, não escolho,
de repente estão aí,
um bando de palavras
a pousar
uma
por
uma
nos arames da página,
entre chilreios e bicadas, chuva de asas,
e eu sem pão para dar, tão somente
deixo-os vir. Talvez
seja isto uma árvore,

ou quem sabe,
o amor.

Tradução Sidnei Schneider, 2007


PARA CRIS

Ahora escribo pájaros.
No los veo venir, no los elijo,
de golpe están ahí, son esto,
una bandada de palabras
posándose
una
a
una
en los alambres de la página,
chirriando, picoteando, lluvia de alas
y yo sin pan que darles, solamente
dejándolos venir. Tal vez
sea eso un árbol

o tal vez
el amor.

Julio Cortázar, Cinco últimos poemas para Cris
Salvo el crepúsculo, 1984.

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5 comentários:

Compulsão Diária disse...

Ah, Cris...hay ríos metafisicos, ella los nada como esa golondrina está nadando en el aire..yo describo y defino y deseo esos ríos, ella los nada. Yo los busco

Felipe Vasconcelos disse...

Eu não sabia que o Cortázar tinha poemas. Que bonito. Que dica maravilhosa, Val!
Beijo.

Henrique disse...

Lindo poema metalinguístico do Cortázar. Belas metáforas! Valeu pela dica!!

Anjo disse...

Linda explicação do poetar.

Beijos saudosos.

Ricardo Mainieri disse...

Val, este Córtazar poeta e tão bom quanto o Cortázar prosador.
O poema todo construído de um certo surrealismo, de uma metalinguagem exuberante.
Além de escrever excelentemente, Cortázar gostav a de jazz...

Beijão.

Ricardo Mainieri