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16 agosto, 2006

à francesa

por valéria tarelho

1

nada sei
a não ser
do seio
do nada

: nódoa
que detona
tecidos

: nódulo
no dedo [médio]
do tédio

nada
nas mamas
calejadas
da poesia

ainda encontro a cura

seja na bula
na bíblia
na cabala

uma fuga
na bala
na agulha

2

nada sou/
serei
a não ser
um sopro de
savoir-faire

: adega
- demi-sec -
do saber

: adaga
- cega -
da sabedoria

nada
na língua
flácida
da poesia

ainda acho abrigo

seja nos livros
nos discos
nos vídeos

alguma verdade
na vaidade
no vício

3

nada sei
além do que
não paira
mínima
dúvida

: tudo enfim
finda
em nada

ainda resta uma saída


valéria tarelho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

(Álvaro de Campos - trecho de Tabacaria)


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4 comentários:

Jalves disse...

Tenho uma pena que escreve
Aquilo que eu sempre sinta.
Se é mentira, escreve leve,
Se é verdade, não tem tinta.

FERNANDO PESSOA ( O POETA MÚLTIPLO )

Um abraço deste lado do már.

Anônimo disse...

...de novo.
Peço BIS

vαℓéя!α tαяeℓhσ disse...

Bom vê-lo por aqui novamente, Jalves!
Obrigada, grande abraço!!

solfirmino disse...

DEMAIS! SEM MAIS...