
pintura: mirage © salvador dali
quando te penso
agradeço que
não passa disso
pensar
é o máximo
que posso
imaginar
é o parco verbo
que possuo
quando muito
fantasio que
[ah, se por acaso
tua boca
se por descaso
teu murmúrio
(em ondas
se por orgasmo]
mas logo apago
a idéia de
[ah, se por ocaso
tua lábia úmida
na seca
de meus lábios
se por relaxo
se por capricho
amor ou sexo]
num átimo
deleto
o que - em tese -
seria ótimo
sem o ato
evito
passo
em falso
veja baby
o lado
prático
:
você nunca
será passado
[mas ah
se por um lapso
uau
se por um ímpeto]
valéria tarelho
* ouvindo "eu te devoro - djavan"
"eu quero mesmo é viver
pra esperar e esperar
devorar você"
Comentários
E admirar as palavras que escorrem de seus teclados e fluem tão verdadeiras e tão fortes (e outras vezes com delicadeza singular).
Os mosaicos que você esquadrinha com tanta sutileza, parecem contas dispostas nesta tela imaginária (ou quem sabe pinceladas com endereço certeiro numa textura branca).
E cada uma dessas palavras (como pedrinhas) formam suas poesias tão carregadas de emoção.
Mestra (ou musa) de tantas idéias agarradas a ti.
Desculpe, mas vou interromper o silêncio deste cantinho tão especial que você nos cede, e digitar bem alto (até prá quem não quem ou-ver):
Você é maravilhosa.
P.S.: a névoa e o vazio que você todo dia disssolve em nossas vidas nos permite sonhar. Entender que o lado luz do mundo resiste e que a sensibilidade humana ainda sobrevive (apesar de muitos; e destes dias tão pesados que andam por aí).
Me perdoe mais uma vez, mas é somente através desta névoa que me permito enfrentar seu brilho ofuscante de frente (você é uma estrela).
nem sempre fico satisfeita com e resultado final, portanto, não espere encontrar aqui algo de extraordinário, assim não haverá decepção, ok?
e quando não gostar de algo, igualmente digite bem alto: QUE MERavilha! ;)
grata, meu único (e anônimo) leitor
assíoduo.
(Mário Quintana)
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
(Esconderijos do Tempo)