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Mostrando postagens de Janeiro, 2017
por outro ângulo


ela soube seguir em frente quando lhe deram as costas e cerraram as portas.
ela deixou de lado aquela dependência e agora só aposta em si. joga-se. costuma vencer.
ela não dá mais a outra face, mas agradece a quem retribuiu com falsidade seu bem querer. isso a tornou possível.
ela existe. apesar de.



valéria tarelho
*foto dela

#perfil
#ela

elas

bem-te-seguem

Lembra de mim

Lembra de mim? Eu costumava usar turquesa e desfilar para seu olhar ultravioleta. Havia um Sol em nossa chama. E o lençol era de pele, suor e essência de nós - sem monogramas. Eu te escrevi por dentro, onde o tempo não desmancha as lembranças. E tranço, nos poemas, nossos nomes. Com amor.

Lembra de nós? Crianças. Expostas à luz do saber-nos (ab)solutos. Tivemos a melhor infância, juntos, e adolescemos justo quando adultos. Sem tempo para brincar de esconder.

Lembra do Sol (só love, só love)? Há estações não o vejo. Chove, chove, chove...e - só - permaneço.

Lembro bem. De mim, de ti, de nós: dois e únicos. E, mesmo sob intensa chuva de silêncio, não há um momento em que eu esqueça que o sol faz cócegas e dá piruetas. Olha no fundo do olho e chora ao ler meus poemas.


Valéria Tarelho
*imagem via Vozes do Brasil - MPB

Penso, logo...

No que você está pensando? [Facebook]



Pensando neste mesmo dia, em um outro ano, que já não importa quando. Você, Mr. Face, não registrou a lembrança, nem poderia, vou tentar um flashback.

Eu vestia luto. De preto, até no intimo. Um anel com pedra na cor daquele azul mais bonito era o único indício de que o mundo poderia renascer das cinzas. Céu anil, isento de nuvens chumbo.

Ironia do destino, nesse dia a vida vestia jeans (índigo blue) e não o negro das quintas "satânicas" (era terça, pela primeira vez na nossa existência). A camisa, óbvio, da grife de sempre (deve ter alguém que explique tanta fidelidade a Tommy Hifilger).

Nosso ano começou ali, após um dezembro duvidoso. Recomeçamos, meio que lutando para sobreviver, meio entregando os pontos. Optamos pela sobrevida, para não morrer - tão cedo - desse  mal de amor.

Resistimos por quase dois meses (somando sete, ao - tão pouco - todo) até que ele - vida -  veio, aos beijos e desejos mais intensos, aliviar-me a dor.

Covard…

Pão-de-ló

Quando você chegar (exausto de lida e de comer asfalto),  serei pousada no campo, quarto arejado, rede na varanda, chão de ripa, cama aquecida na rima, diária completa na ponta da língua: café da fazenda, comida à lenha, licor, pinga da boa, água da fonte, verdura fresca, compota de fruta, colheitas da própria terra. Entrega orgânica.

Serei a roupa de cama limpa, fronha de pano, lençol que não desajeita, aroma de flor de laranjeira, toalha fofa,  tina de madeira, luz de lamparina. Lenha.

Serei a saudade que crepita na lareira desde a véspera. Moda de viola ao pé da janela. A vela e a flor para o santo que te guia. O coração apurando no barro da panela.

Quando você chegar, seu moço, lá de onde nascem as carências, serei sua parlenda. O dedo de prosa à mesa. O corpo (nu) do poema. Fêmea.



Valéria Tarelho