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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

lar

"I look at you, and I'm in home"
- Finding Nemo -


Exatamente assim. Você é minha casa, minha idade mais linda, a inocência que ainda teima, impregnada de lembranças de teus olhos. Amêndoas. Olhar que amo.

Meu endereço é você. Teu colo, o lugar onde repouso. Teu abraço, meu retorno ao lar. Teus beijos recebem toda a minha correspondência.

Onde quer que você habite, mora uma certeza: vou me habituar à estampa vintage da sua cortina e ao estilo retrô da sílaba de estar.



valéria tarelho

não me cure de você

te mando cheiros de meu domingo a meio sol. no caminho há jasmineiros em flor, o que perfuma os passos, monitorados por um aplicativo que não foi programado para essas sutilezas. ele também não registra os pensamentos por quilômetro percorrido, nem a natureza (amorosa) das memórias.

o coração tem aguentado o tranco, mas vai disparar ao te rever. leve lenços porque meus olhos ainda são crianças, sem maturidade emocional para os "nãos" do descaminho.

se eu morrer, que seja desse amor que você não sabe como socorrer.
se sobreviver, que nada diminua a minha loucura, meus excessos, este viver você entre o aqui e o além.

karma, meu bem, ainda não tem cura.

assinado eu, seu lado são.


valéria tarelho

adapte-se

O meu amor é elástico, anatômico, dobrável, adaptável.
Moldável, o meu amor - massinha - nas tuas mãos criança.
Maleável, o meu amor - de papel - no teu coração menino.
Mas só enquanto, seu moço, você merecer me comer sem caroço.

valéria tarelho

ângulos

que tal ver a vida por outro ângulo?
o lado negro nem sempre foi terrível, assim como, o lado branco, teve seus momentos encardidos.

não julgue o livro pelos poemas escritos, procure conhecer os esquecidos no limbo.
poetas são um poço de virtudes e vícios.


valéria tarelho

além da vida

em alguma vida foi assim, você me cuidando desde cedo. e sei que em todas que vivemos, tive seu zelo.

ainda tenho. e tens o meu. é o que nos mantém, apesar do tempo e dos entremeios.
é o que me dá alento.

até a próxima, meu bem.

até além.



valéria tarelho

petrichor

quero amanhãs que me devorem. enjoei de hojes sem teus beijos. coleciono ontens secos. os lábios rachados dos agoras sangram em bicas. o poema chora seu sinal. vermelho. rima que nunca cicatriza. mordo as horas que há bocas nos separam. sepultam os abraços. hojes de urnas contendo cinzas.

quero amanhãs de asfalto, pedágios, velocidade máxima. amanhãs de pressas e apreços. precisão de línguas lambendo fal[h]as e silêncios. a saliva das palavras selando cada sílaba do desejo.

amanhãs tenros para nos comermos. crús. com destempero. destemidos.
à luz dos próximos milhões de sóis.

amanhãs com chuvas que desprendam nosso cheiro pelas ruas das futuras luas. que levarei no ventre.



valéria tarelho

* petrichor: o cheiro da chuva após atingir o solo seco

sua sereia

de que são feitas as manhãs de ausência? devem ser frias, retorcidas, azedas. secas. sem sal. devem ser graus acima do breu. sem som. o próprio umbral.

completamente antagônicas às maravilhas que você me doa [desde quando me conheço por peixe].

perdoa. volta a ser minha ilha. meu atol. lagoa que me abriga. meu reino de coral. meu colo. o quintal onde sou sua mais linda loucura. o fundo de olho onde você mergulha e respira sua lenda mais verdadeira.


valéria tarelho

aquarELE

E hoje me pintei de ti. Das tintas de tua voz. Das cores que descubro e nem sei o nome. Todas oriundas da paleta de tua presença. Única. Específica.

Hoje, simplesmente, pintei o presente. Colori o olhar, aquarelei a íris do arco multicor que você acorda em mim. Minha criança interior. Minha crença no poema que nos declama.

Hoje, que eu não cresça. Permaneça assim, impregnada de inocência.


valéria tarelho

encontros marcados

Há encontros que são verdadeiros encantos. Uma vida é muito pouco para o exagero que te amo. Enquanto houver pulso, estarei te respirando.

Vem, que te dou colo, meu bem, quando teu corpo pedir repouso. Vem, que me transformo no teu sonho. No teu pedaço ingênuo. No teu inteiro. E te resgato a tempo de termos quatorze anos. Ou dezoito. Ou a idade de nos perdermos. Um no encanto do outro.


valéria tarelho

ao vento

Que o dia seja menos denso e a saudade não se levante tão cedo, embora tenha despertado antes de mim.

Sinto tua presença. No "bom dia (minha linda)", que ouço repetidas vezes. Ainda. Religiosamente.

Terça-feira, 5 de janeiro, ano que veio sem você. Só penso que é menos um dia e que uma hora dessas você chegará para o " bom dia". Ao vivo.

Que o beijo e meu cheiro cheguem aí. Destino: tu. Teu pensamento.

- Pedi ao vento -



valéria tarelho
*e fui prontamente atendida <3 p="">

apesar do cérebro

Por alguns meses, frequentei o céu. E céu é um campo onde encontrei espaço - amplo - para te sonhar. Também é céu a porta de acesso que ousei atravessar, para que pudesse te realizar. E tentar ser teu pedaço mais doce no decorrer dos dias e noites.

Céu, daqui em diante, jamais será tratado no pretérito. Vivo um céu presente. Ainda sinto todo o meu ser em nosso céu mais recente.

Céu, meu doce, é todo esse [a]mar que nos permeia: da origem em meio ao sal, ao ponto xis no mapa da nossa mina. Escondida. Paradisíaca!

Céu é uma imensidão. Tão vasto, que, às vezes, me perco. E penso pousos para nosso voo. Repenso o solo. Peso, na palma da mão, o mel da tua presença, comparado ao metal da ausência. E oscilo entre o etéreo e o chão. Mas aborto essas missões suicidas, ao lembrar-nos: pássaros. [pre]Destinados ao alto. Ao patAMAR mais elevado . Às nuvens. Jamais abaixo da linha do "horizontem". Pairando o hoje, que nos enleva.

Céu é a soma do que sou, quando tu és, é o total que nos to…

ceciliando

Começar de novo e acreditar que, em janeiro, chegaremos lá. Não sei onde, mas lá tem você, eu, e o que pudermos levar no coração. Que seja a flor da leveza que um dia cultivamos.


valéria tarelho


"Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada. 
Levo o meu rumo na minha mão."
Cecília Meireles MEIRELES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001

depois de nós

depois de nós,
laços ou embaraços?

depois de nós,
que outros abraços

serão tão exatos

em espaço pouco
e aperto mútuo?

depois de nós,
quem mais
(ou melhor)

cerzirá o buraco
onde pulava
meu coração

de mãos doidas
com o seu
?



valéria tarelho

hipocrisia zero

Basta de eufemismos, de pílulas douradas, de palavras perfumadas para disfarçar o ranço.

A verdade é tão mais linda quando crua, rasgada, nua, de cara limpa. Com cheiro do que há na (sua) natureza: seja flor, seja estrume.


valéria tarelho
*por um mundo com menos falsidade