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22 janeiro, 2016

sexta-feire-se

por valéria tarelho em , , , , ,

saia do modo
sério

ame-se
poeme-se

se possível
sambe-se

até o sábado
não ser



valéria tarelho

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21 janeiro, 2016

baião de dois

por valéria tarelho em , ,

doa-se
amor
doce

a quem
me apimente
antes

saboreie
durante

depois
peça outro
prato

( e palite
o paio
dos meus dentes)



valéria tarelho

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lar

por valéria tarelho em , , , , , , ,

"I look at you, and I'm in home"
- Finding Nemo -


Exatamente assim. Você é minha casa, minha idade mais linda, a inocência que ainda teima, impregnada de lembranças de teus olhos. Amêndoas. Olhar que amo.

Meu endereço é você. Teu colo, o lugar onde repouso. Teu abraço, meu retorno ao lar. Teus beijos recebem toda a minha correspondência.

Onde quer que você habite, mora uma certeza: vou me habituar à estampa vintage da sua cortina e ao estilo retrô da sílaba de estar.



valéria tarelho


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20 janeiro, 2016

também bate um coração

por valéria tarelho em , ,

ser feliz é deixar de lado os óculos e enxergar tudo nítido. quatro graus de miopia não embaçam o que sentimos. temos tato. contato. não tememos o labirinto entre nossos lábios.


valéria tarelho

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17 janeiro, 2016

eu não me chamo sharon stone

por valéria tarelho em , , , ,

poemas
apenas
porque
não sei
cruzar
as pernas

para te manter
atento
teso
aceso

lendo-me
por dentro


valéria tarelho


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não me cure de você

por valéria tarelho em , , , ,

te mando cheiros de meu domingo a meio sol. no caminho há jasmineiros em flor, o que perfuma os passos, monitorados por um aplicativo que não foi programado para essas sutilezas. ele também não registra os pensamentos por quilômetro percorrido, nem a natureza (amorosa) das memórias.

o coração tem aguentado o tranco, mas vai disparar ao te rever. leve lenços porque meus olhos ainda são crianças, sem maturidade emocional para os "nãos" do descaminho.

se eu morrer, que seja desse amor que você não sabe como socorrer.
se sobreviver, que nada diminua a minha loucura, meus excessos, este viver você entre o aqui e o além.

karma, meu bem, ainda não tem cura.

assinado eu, seu lado são.


valéria tarelho

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15 janeiro, 2016

adapte-se

por valéria tarelho em ,

O meu amor é elástico, anatômico, dobrável, adaptável.
Moldável, o meu amor - massinha - nas tuas mãos criança.
Maleável, o meu amor - de papel - no teu coração menino.
Mas só enquanto, seu moço, você merecer me comer sem caroço.

valéria tarelho


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da cor do amar

por valéria tarelho em , , ,

a esperança
é anis
turquesa
tiffany

o azul
que ora
me tange

seja a cor
- piscina -
que me atinja



valéria tarelho
* a nossa cor

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14 janeiro, 2016

glossário

por valéria tarelho em ,

pior que não ter amado
é quando você
sabe
o sabor exato
da palavra
amor

- flambado -

e não pode mais
prová-la

- em chamas -

nem no dicionário



valéria tarelho

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10 janeiro, 2016

amar_go

por valéria tarelho em , ,

as meninas
dos olhos
ficaram moças

estão amando

dilatando à toa
chorando feito
criança



valéria tarelho

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sombra e água fresca

por valéria tarelho em , , , , ,

você me brisa
você me praia
você me acampa
você me férias

exercita
brinca
descansa

você me ama
:
jardim
montanha

a toda pétala


valéria tarelho
*serie: recados para Antônio

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09 janeiro, 2016

arranha-selfie

por valéria tarelho em , , , , , , ,

ela caiu
do alto
do ego

aquela outra
se jogou
do parapeito
do umbigo

saíram bem
na foto
:
milagres
de são
filtro



valéria tarelho

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voos

por valéria tarelho em , , , ,



que o amor
nos salve
e nos sustente

somos
aves
tateando
novos
céus
:
nuvens dóceis
que nos
desenhem



valéria tarelho

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ângulos

por valéria tarelho em , ,

que tal ver a vida por outro ângulo?
o lado negro nem sempre foi terrível, assim como, o lado branco, teve seus momentos encardidos.

não julgue o livro pelos poemas escritos, procure conhecer os esquecidos no limbo.
poetas são um poço de virtudes e vícios.


valéria tarelho

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08 janeiro, 2016

além da vida

por valéria tarelho em , , , ,

em alguma vida foi assim, você me cuidando desde cedo. e sei que em todas que vivemos, tive seu zelo.

ainda tenho. e tens o meu. é o que nos mantém, apesar do tempo e dos entremeios.
é o que me dá alento.

até a próxima, meu bem.

até além.



valéria tarelho

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meteórico

por valéria tarelho em , , , , ,

mesmo na incerteza de um possível céu [meu e teu] já saboreio as memórias do nosso amor de urgências todas elas têm gosto de estrelas valéria tarelho

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petrichor

por valéria tarelho em , , , ,

quero amanhãs que me devorem. enjoei de hojes sem teus beijos. coleciono ontens secos. os lábios rachados dos agoras sangram em bicas. o poema chora seu sinal. vermelho. rima que nunca cicatriza. mordo as horas que há bocas nos separam. sepultam os abraços. hojes de urnas contendo cinzas.

quero amanhãs de asfalto, pedágios, velocidade máxima. amanhãs de pressas e apreços. precisão de línguas lambendo fal[h]as e silêncios. a saliva das palavras selando cada sílaba do desejo.

amanhãs tenros para nos comermos. crús. com destempero. destemidos.
à luz dos próximos milhões de sóis.

amanhãs com chuvas que desprendam nosso cheiro pelas ruas das futuras luas. que levarei no ventre.



valéria tarelho

* petrichor: o cheiro da chuva após atingir o solo seco

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correnteza

por valéria tarelho em , ,

amar
miar

rio
mar

basta
rimar
almas

amansar
águas

que o poema
engata
sua marcha

jorra feito
cachoeira



valéria tarelho

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07 janeiro, 2016

sua sereia

por valéria tarelho em ,

de que são feitas as manhãs de ausência? devem ser frias, retorcidas, azedas. secas. sem sal. devem ser graus acima do breu. sem som. o próprio umbral.

completamente antagônicas às maravilhas que você me doa [desde quando me conheço por peixe].

perdoa. volta a ser minha ilha. meu atol. lagoa que me abriga. meu reino de coral. meu colo. o quintal onde sou sua mais linda loucura. o fundo de olho onde você mergulha e respira sua lenda mais verdadeira.


valéria tarelho

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aquarELE

por valéria tarelho em , , , , ,

E hoje me pintei de ti. Das tintas de tua voz. Das cores que descubro e nem sei o nome. Todas oriundas da paleta de tua presença. Única. Específica.

Hoje, simplesmente, pintei o presente. Colori o olhar, aquarelei a íris do arco multicor que você acorda em mim. Minha criança interior. Minha crença no poema que nos declama.

Hoje, que eu não cresça. Permaneça assim, impregnada de inocência.


valéria tarelho

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05 janeiro, 2016

encontros marcados

por valéria tarelho em , , ,

Há encontros que são verdadeiros encantos. Uma vida é muito pouco para o exagero que te amo. Enquanto houver pulso, estarei te respirando.

Vem, que te dou colo, meu bem, quando teu corpo pedir repouso. Vem, que me transformo no teu sonho. No teu pedaço ingênuo. No teu inteiro. E te resgato a tempo de termos quatorze anos. Ou dezoito. Ou a idade de nos perdermos. Um no encanto do outro.


valéria tarelho

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ao vento

por valéria tarelho em ,

Que o dia seja menos denso e a saudade não se levante tão cedo, embora tenha despertado antes de mim.

Sinto tua presença. No "bom dia (minha linda)", que ouço repetidas vezes. Ainda. Religiosamente.

Terça-feira, 5 de janeiro, ano que veio sem você. Só penso que é menos um dia e que uma hora dessas você chegará para o " bom dia". Ao vivo.

Que o beijo e meu cheiro cheguem aí. Destino: tu. Teu pensamento.

- Pedi ao vento -



valéria tarelho
*e fui prontamente atendida <3 p="">

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04 janeiro, 2016

apesar do cérebro

por valéria tarelho em , , , ,

Por alguns meses, frequentei o céu. E céu é um campo onde encontrei espaço - amplo - para te sonhar. Também é céu a porta de acesso que ousei atravessar, para que pudesse te realizar. E tentar ser teu pedaço mais doce no decorrer dos dias e noites.

Céu, daqui em diante, jamais será tratado no pretérito. Vivo um céu presente. Ainda sinto todo o meu ser em nosso céu mais recente.

Céu, meu doce, é todo esse [a]mar que nos permeia: da origem em meio ao sal, ao ponto xis no mapa da nossa mina. Escondida. Paradisíaca!

Céu é uma imensidão. Tão vasto, que, às vezes, me perco. E penso pousos para nosso voo. Repenso o solo. Peso, na palma da mão, o mel da tua presença, comparado ao metal da ausência. E oscilo entre o etéreo e o chão. Mas aborto essas missões suicidas, ao lembrar-nos: pássaros. [pre]Destinados ao alto. Ao patAMAR mais elevado . Às nuvens. Jamais abaixo da linha do "horizontem". Pairando o hoje, que nos enleva.

Céu é a soma do que sou, quando tu és, é o total que nos tornamos. Céu é múltiplo de tudo que ofereço, e que me dás, quando ousamos um par de asas [nas palavras, nos gestos, no desejo que nos levita].

No meu céu de tantos dias, te eternizei . Inteiro. Meu céu tem gosto, cheiro, sabor, textura, sons, tem teu rosto e atende por teu nome [que eu sei , sempre soube, guardar no peito].

Estou no céu e não vivo um momento. Nego qualquer investimento em um paraíso perdido. Para mim, é tudo completo, porque és definitivo. Em mim. E tudo que crio, pensando em ti, te manterá vivo. Comigo.

Meu tempo é a lembrança onde tu sempre arderás. Meu lucro é o amor [por ti] que veio para ficar. Fixar em mim. Tatuado na pele de todos os amanhãs.


valéria tarelho

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dos vazios

por valéria tarelho em , ,


o não dito
dói tanto
quanto
o grito

o tempo
que dura
o silêncio
rompe
o tímpano

vem
e me cura

sussurra
uma loucura
qualquer

ao pé
do ouvido



valéria tarelho

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ceciliando

por valéria tarelho em , ,

Começar de novo e acreditar que, em janeiro, chegaremos lá. Não sei onde, mas lá tem você, eu, e o que pudermos levar no coração. Que seja a flor da leveza que um dia cultivamos.


valéria tarelho



"Viajo sozinha com o meu coração. 
Não ando perdida, mas desencontrada. 
Levo o meu rumo na minha mão."
Cecília Meireles MEIRELES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001

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03 janeiro, 2016

vista paradisíaca

por valéria tarelho em

a linha tênue entre a solidez, a solidão e meu olhar fragilizado, resultando em fortaleza. vontade de vencer a paisagem.


valéria tarelho — at Praça Do Estoril.

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depois de nós

por valéria tarelho em , , ,

depois de nós,
laços ou embaraços?

depois de nós,
que outros abraços

serão tão exatos

em espaço pouco
e aperto mútuo?

depois de nós,
quem mais
(ou melhor)

cerzirá o buraco
onde pulava
meu coração

de mãos doidas
com o seu
?



valéria tarelho


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01 janeiro, 2016

hipocrisia zero

por valéria tarelho em , , , ,

Basta de eufemismos, de pílulas douradas, de palavras perfumadas para disfarçar o ranço.

A verdade é tão mais linda quando crua, rasgada, nua, de cara limpa. Com cheiro do que há na (sua) natureza: seja flor, seja estrume.


valéria tarelho
*por um mundo com menos falsidade

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assim seja

por valéria tarelho em ,

O que será, serenará a angústia da espera. Nunca fui fã de indefinições. E depender da decisão do outro, nunca foi a minha praia.

Vem comigo ou vá embora, só não demore a me tirar a venda e os grilhões.


valéria tarelho

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humanas e exatas

por valéria tarelho em , ,


o teto da sala
não fala
nem conta
os silêncios
que contenho

ainda bem
que ele só abriga
e ilumina
minha palavra

mas falha
em história
memória
e matemática


valéria tarelho

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