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22 novembro, 2015

nãovembro

por valéria tarelho em , , ,

Não vem (bro), que não tem


Estou vendo novembro passar. Se arrastar, na verdade. Lento. Inútil, já que não posso voar. Visitar o ninho. Cuidar do amor passarinho, com - muito - beijo no bico.

Espero dezembro (lado) alado. Pode ser o de sempre, acrescido da leve presença das asas que exercito há alguns meses.

Dezembro de plumas. Simples, sem paetês. Dezembro de aconchego, com a poesia que emana das mãos dadas. Toda distância será perdoada. Todo novembro - perdido - será esquecido. Dezembro promete ser mais próximo. Quase perfeito. Doce. Dose além da medida do possível. Mês doze. Dove. Que nos leva a crer no novo.

Pode acontecer um dezembro com gosto de abril, gesto de abril, cheiro de abril, gentilezas de outono. Amenas.

Dezembro com olhos de zelo, pousando seus beijos em meus cílios cansados.

Crédulos.



valéria tarelho

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19 novembro, 2015

"o tempo passou na janela"

por valéria tarelho em , ,




Depois dos 50 e de um câncer, também adquiri uma certa urgência.

A idade faz com que você pense nas relevâncias e as priorize; a doença te lembra que a vida é efêmera e o que não for para já, pode ser que não aconteça. Nem em Júpiter*, como preconiza a música.

Meu tempo é escasso, meu prazo tem um termo, minha paciência para determinados assuntos está por uma gota; para outros, esgotou. Secou a fonte.

Virar algumas páginas, queimar etapas, pular fases desnecessárias, não significa que desisti. Pelo contrário, insisto e resisto até o fim, só não me permito ao luxo do desperdício de meu tempo. E só eu sei o quanto ele me é caro e não o valorizei como deveria. "Mea culpa, mea maxima culpa".

Dormir no ponto, só se for no final de um exaustivo capítulo, para logo despertar e dar início a um (uni)verso. Em um novo livro.

Carolina, uma vírgula! (até que daria um bom título)


valéria tarelho

título : trecho de Carolina, do Chico

*menção sobre "o que não é para já, talvez seja para Júpiter ", trecho de Note, autoria de arrudA e Peri Pane


imagem: trecho de letra dos Engenheiros do Hawaii, via Pinterest

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cegueira noturna

por valéria tarelho em ,


soul de lua
[a face escura]
te amo 
sem nuvem
de dúvida
chovo quando
o verso nubla
te sonho 
[sóbria]
há brumas
e brumas
e brumas

eu sou só
[sua]
so[m]bra

e você aí 
solzinho

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Chaga

por valéria tarelho em ,



Saudade arde. Só quem sente, sabe a intensidade.

"Assopre, meu bem, que passa". Crendice!

Coça, nasce casca, mas, quando parece que está curada, você cutuca ou dá uma batida na [es]quina de uma lembrança.

Saudade não cicatriza nunca. Não dá descanso.


É uma ferida sempre alerta.

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caro coração

por valéria tarelho em , ,


dê adeus à dieta, permita- se sair da linha: ame! o amor tem incontáveis calorias. é mel. é massa. é o prato da casa. o fast food da esquina. delicatessen.

prove o seu, enquanto quente; coma o céu, enquanto leve. o sabor se altera, se o amor espera; o prazer se perde, se o amor esfria.

consuma esse amor: doce, ardente, picante, adiposo, com excesso de química. amor, para matar as fomes e morrer de amor.

exploda, coração!

sem moderação.


valéria tarelho


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do avesso

por valéria tarelho em ,



No avesso tem o verso, tem você, tem(os) nós -aparentes-, tem a poesia costurada com o fim da linha.

Tinha etiqueta. Rasgamos.


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por tanto isso

por valéria tarelho em , ,



isso, que chamo de amor, só sei sentir por ti.

isso, que é chama e água fresca, que é sol a pino e sombra, que é prazer e o pior tipo de dor, que é vida em mim e o fim da minha paz, tem teu nome e [a]feição.

isso tem teu endereço e idêntico esconderijo. isso tem teus olhos me sorrindo e atraindo desde menino. isso tem teus braços, aninhando, junto ao peito, meus suspiros [e sonhos, com o recheio possível].

isso tem deus dedos de midas, dourando minhas pílulas. tem teus ares - ardores - de marte (vênus que o diga). tem teus modos de homem: que morre de amores. em mim.

portanto, vida, se isso (que insisto) não for amor, te faço um pedido: releve.

e se isso for uma febre, quem sabe, um vício ou um antigo feitiço: que não se quebre


o enquanto.


valéria tarelho

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Isca

por valéria tarelho em , ,


Tenho palavras reservadas só para você. E palavras inventadas, em uma língua nova e afoita, que só cabem em sua boca.

Tenho, também, palavras mansas, no idioma que você domina, para quando a correria for a tônica do dia.

Tenho prosa [pouca] para seu amanhecer e poesia [em pencas] para todo solto dia.

E o melhor: tenho você, que me inspira e provoca todas essas palavras: de amor e armadilha.


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And so it goes

por valéria tarelho em ,


Te amo por causa de quase nada. Por coisa mínima, que tanto significa. Por pouca poesia, que, no dia a dia, superou as [parcas] expectativas. Virou torrente, o amor que era chuvisco. Garoa fina. Hoje, irriga minha vida, o amor que era pingo. Virou rio. Queda d'água. Fonte do meu riso. Usina.

E nem precisava da força intensa dessas águas, já que eu te amo por uma poça rasa. Pela lembrança que restou da chuva, retida na calçada de teus olhos. Onde dei meus pulinhos, igual criança. Te amo pelo nano instante em que tua úmida paisagem permaneceu invertida em minhas retinas. E converti em quadro, o teu retrato cristalino.

Eu, que só pedia [podia] uma rima, me veio esse amor: um livro. Com texto amarelado pelo tempo e páginas em branco para [meu] preenchimento.

Não era necessário ser assim, imenso. Te amo por um lapso em que somos eternos. Por um pedaço de sonho que temos diante do vasto espaço que não abrangemos. Por uma fatia de dias nessa vida tanta e torta, onde te amo a torto e a direito. Por pequenos gestos, teus e tão teus, te amo com este meu amor gigantesco. Por um naco. Por um tico. Por um flash de memória. Por um branco que me veio agora: te amo todo um mundo colorido. Onde tu pintas, com teu sorriso, é o lugar em que descanso.

Te amo como um grão que germina. E nasce flor de enfeitar a vida. De perfumar tudo que meu olhar avista. Te amo botão se abrindo [de flor e de camisa]. Te amo brisa à flor da pele. Cheiro de teu peito. Teu aconchego, meu arrepio. Te amo quando me colhes no jardim secreto que abriga as saídas de nosso centro. E te amo quando me beijas. E bisas. E quando por todo o meu corpo você vira vento. Me revira. Por dentro.

Bastava um sopro, me acontece esse amor-ciclone. De mudar meu eixo. Não tem mais jeito de te amar sem espiralar o pensamento. Não tem como voltar atrás, se já não [re]conheço minha rosa dos ventos. Perdi o Norte, quando te achei ao Sul da vida. Se amar-te é o meu caminho, só digo que eu o sigo. Contigo ou só, mas sempre com este amor [oeste]. Amor celeste.

Te amo ponto e vírgula. Amor que não se finda. Luz. Sina. Ação. Te amo todos os sinais. Os sins e nãos. Talvez, quem sabe, na dúvida e na razão. Te amo um verbo que me transita. Amo adjetivo, te admiro sob qualquer prisma. Amo - sujeito oculto no meu te[x]to - teu lado lindo e o menos fotogênico. Amo teu jeito doce e amo o mau gênio, que nem conheço, mas imagino. Amo teu íntimo e o exterior que envolve tua alma [amada].

Te amo ,a princípio, desde o início. Te amo e não há outro meio, porque sem esse amor já não existo [assim, como aprecio ser, graças ao amor que veio me florescer].

Por fim, te amo. Finalmente. Até que enfim. A tempo de. E por mais que digam [e eu repita] não haver para sempre, insisto que há. Cismo. Porque em mim, meu bem, tu és irritantemente definitivo. Coçando e acariciando por toda a minha existência. Para todo o sempre serás esse cisco e o motivo do brilho que trago nos olhos. Esse risco que percorro e o infinito que levo no corpo. Esse amor de passo em passo, de grão em grão, de tempo em tempo. Caminhando, semeando sonho, céu, oceano, campo de girassóis, um lugar sereno para nós dois. Simples assim. E é um luxo possuir este amor de pequenas delicadezas!

No mínimo, eu te amo por causa de uma fração de segundo em que me vi refletida em tua íris. No máximo, é só pelo fato de existires.

Perene. Em mim.


valéria tarelho

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par a isso

por valéria tarelho em ,


desde que você
[amor]
apareceu
:
há par

e céu


valéria tarelho

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ao pé do ouvido

por valéria tarelho em , , , ,

teu nome
[cantiga
antiga
em novo
timbre]

atravessa
a língua

atrasa e pausa
para que eu
o sinta
invadindo
o labirinto

teu nome
[poesia
e prosa]

harmoniza
minha rima
com a tua
engenharia

teu nome
um poema
implora

meu verso
explode
no h
das horas

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livre arbítrio

por valéria tarelho em



o amor é lindo
o amor é li[bi]do
o amor é indo
e vindo

o amor é ponte
ligando
longe perto
ontem hoje

a infinitos

o amor é livro
aberto

no teu
[ único ]

capítulo

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pavão misterioso

por valéria tarelho em



ontem
corujei
uma garça
lembrança
sua

hoje
bem
te
vi

[te
quero
quero
tanto]

não
seriema
daqui


valéria tarelho

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está para nascer

por valéria tarelho em , , ,


Ainda não inventaram a palavra que defina este encanto trançado nos cabelos do vento.

Nenhum idioma traduz o modelo de texto que estamos desenhando. Desconheço exemplo na literatura, com tais contornos. Com as nuances que o tempo foi aquarelando.

Somos feitos de pigmento e água. Liquefeitos. Escorrendo. Correndo riscos. Dois rios de longo curso. Praias do mesmo oceano. Sempre as águas. Que nos banham. Lavam a alma. Sempre a rima onde nos ilhamos. O abissal do olho.

Não sei quem assina a coautoria de nossa história. Sei que, no cafuné das horas, se desenrola nosso melhor enredo.


Nasce um poema no encanto - inefável - em que nos mesclamos.


valéria tarelho

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poema para os olhos amendoados do meu amor

por valéria tarelho em , , ,


continuem
a nos
ler

no outdoor
que propaga
amor

no romance
que estiver
em cartaz

nos sinais
ver_de_amar_elos
dos faróis

nos manuais
que ninguém mais
lembra

porque eu
pausei
:
já nos sei
de cor


valéria tarelho

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dos caminhos

por valéria tarelho em , , ,



entre o teu
e o meu
travesseiro
há uma
estrada
interditada

[com entrada
e travessia
proibidas]

amor
é este
atalho
em obras
que estamos
t[r]ocando

com as próprias palmas
o suor dos corpos
o sal das lágrimas

minhas palavras
somadas
a teus gestos
concorrendo
contra o tempo
ao preço de
almas
'superfraturadas'

[ tudo compensa
se vez e quando
meu travesseiro
é o teu peito]


valéria tarelho

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a la almodóvar

por valéria tarelho em , ,


Antonio Banderas e Victoria Abril, em Ata-me, de Pedro Almodóvar




já que
nosso amor
usa mordaças
e máscaras

não hesite

dê mais corda
a esta
tortura
:
ata-me

valéria tarelho



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Pousada

por valéria tarelho em , , ,



É por teus olhos [amêndoas] que os meus [cocoa] amanhecem. E, quando te vejo, o desejo escoa [em jade]. Serpenteia. Em Ondas. Transborda suas tantas transparências.

Tenho sempre uma [lág]rima pronta, a tua espera. E um riso de canto de boca, que se alarga a tua chegada.

É por teus olhos de ontem que os meus de outrora adormecem. Quando o corpo se veste, a boca se despede. E a espera hospeda em meu olho - espelho - o teu melhor ângulo.

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Primaferas

por valéria tarelho em , , ,



E é com extrema delicadeza que te abro as comportas para que me inundes com as águas da espera. Te escancaro os portais das pernas, as clareiras dos poros, as cortinas dos olhos.

Ofereço, a ti, todos os veios. Minhas riquezas. Para que venhas, e me encontres - sempre - perfumando o leito onde deitamos as mais nuas intenções.

Parecemos feitos de frescor e mansidão. Por dentro, somos fome e erupção. Mordendo as tardes em flor.

[Fr]ágeis dentes de leão.



valéria tarelho

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Por uma pétala

por valéria tarelho em , ,



O que me primavera exatamente agora, são teus olhos de orvalho, tuas mãos (mágicas) jardinando meu solo e a lembrança de teu corpo fertilizando meu substrato.
Em tua vida sei que sou flor e fêmea. Acácia das tuas carícias. Orquídea fora de época.
Efêmera.

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etc...

por valéria tarelho em ,



saudade
é essa reticência
que pinta

após tanto
et cetera
entre nós


valéria tarelho

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