leitores via feed assinar feed do blogassine textura por email

27 setembro, 2015

recall (lote 62)

por valéria tarelho

destino
ou
acaso

alguma
cons_piração
dos
astros

verso
escrito
no avesso
do tempo

um estrago
um conserto

note
o fato
concreto
:
fomos
feitos
no mesmo
lote

possuímos
idêntico
defeito

e foi preciso
uma era
para ajustar
duas
peças

raras


valéria tarelho

Bookmark and Share

sarauvellosoperez

por valéria tarelho em , , , ,

Assim, tudo junto e misturado, aconteceu: Sarau da Maria, lançamento do livro "No Umbigo do Vento", de Bianca Velloso e a participação especial de Flá Perez no sarau.
Enfim, conheci pessoalmente duas queridas. Floripa, Campinas e São José dos Campos eram um só ponto no GPS: Vila Maria - SP.

Alguns registros de antes e durante:

com o Theo 




voz do GPS como "back vocal" e lá no finalzinho, Theo faz gracinha ( não se faz mais neto como antigamente )

com Bianca Velloso, a graciosidade em pessoa

com Flá Perez, a AntropoFlágica :)


Bookmark and Share

por valéria tarelho em ,




que para cada doida de pedra como eu, haja um maluco beleza com o seu sorriso.
louco seria não querer morar em nosso hospício particular.


valéria tarelho

Bookmark and Share

sexta-feira, sua linda

por valéria tarelho em





"você é linda 
mais que demais
você é linda 
sim"

Que a sexta-feira só não pese na consciência. No mais, que venha obesa, excessivamente doce, sem ser enjoativa! E não se prive de provar o lado adiposo da vida. Prove a sexta em fatias. Sangrando possibilidades. De sobremesa, peça um sonho açucarado. Morda cada pedaço dessa improvável chance de felicidade. Quem sabe, hoje, uma felicidade plus size lhe abrace.


valéria tarelho

*imagem via pinterest

Bookmark and Share

porque sim

por valéria tarelho em , ,



Porque te amo desde a meninice, quando éramos felizes dando alguns passos juntos, em curto espaço.

Porque te amei, até quando abaixei o som do teu nome, desliguei o farol de teu sorriso, adormeci teus olhos e me afastei para não atrapalhar teu sono. Em mim. Por anos. Décadas. Tantas que, quando me dei conta, era uma outra vida. A época de pegar ondas deu lugar à correria em terra firme. As contas deixaram de ser mera tarefa, embora continuem sendo um problema resolvê-las. As pessoas com as quais nos relacionamos não são as mesmas. A família cresceu, porque semeamos amor em outros solos e colhemos seus frutos, que levamos no colo, colocamos os rumos aos seus pés.

E nesse novo mundo, com novos rostos, novos planos, tudo novo, fui fazer barulho. Teu nome agora ecoa, reacendi o teu sorriso, despertei teus olhos. Fiquei um tempo desacreditando nesse amor, de um passado ainda vivo, mas que acordou em um a realidade diferente.

Agora assumo o susto. Assumimos. Somamos. E a matemática só não supera a nossa história. A geografia complica, mas não interrompe nosso trânsito. A tecnologia é nossa melhor amiga.

E descobrimos, nesta idade de urgências, que "eu te amo" é mais bonito quando dito sem pressa, com os olhos, em nossa língua.

Porque te amarei por toda a vida, ainda que passem outras trinta décadas, teu nome, sorriso e olhar, levarei comigo: no peito e subentendidos nos textos que procrio.

Para sempre é um lugar dentro de um livro. Papéis em que existo, tu és, somos livres.



valéria tarelho
24.0.15 , primavera

Bookmark and Share

engatando a quarta

por valéria tarelho em ,

o que nos reserva esta quarta que permeia a semana, inaugurando a primavera? com que mistério ela - quarta-fértil - trata o solo para que haja colheita farta nas mais improváveis datas e longínquas searas (onde olhares não alcançam). sob que pretexto ela - quarta-fênix - semeia amanhãs em terras onde jamais? por que renasce onde há extensa seca (onde sabe-se que quase nada vinga)? com que constância virá preceder minhas alegorias (de quinta)?

quais os teus fins, querida quarta? quem teus reféns, por hoje? que espécie de encanto há no grão que germina em teu jardim, neste setembro pronto para partir?

aguardo, ansiosa, tuas mágicas respostas.


valéria tarelho
quarta-feira, 23.09

Bookmark and Share

25 setembro, 2015

Há dunas eras

por valéria tarelho

"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você"
[nando reis - all star]


Estranho não é sentir esta vontade inesperada de querer estar em outro plano, outro planeta: aquele onde eu possa ser o colo que você busca quando bate insegurança, ou quando a cabeça pulsa sem dar refresco. Vontade de ser tuas férias. Tuas datas festivas. Ser teu conforto, lazer, alegria. Teu desejo de retorno no tempo.

Estranho não é querer, de uma hora para a outra, te acolher em meu abraço, fazer dele teu abrigo. Ser teu refúgio, teu afago, teu alívio. Teu motivo de vir. De voltar. De não partir. E me armar de forças para espantar teus fantasmas, teus monstros, o temor - invisível - que te causa arrepio. E creio, com mínima margem de erro, que consigo te proteger até do espelho. Teu arqui-inimigo. Pelos poderes do amor que tenho. Espantoso, pouco te sei, mas acredito em tuas falas. Confio no que diz o teu silêncio.

Estranho não é necessitar, assim, do nada, assoprar os arranhões do decorrer do dia.  Limpar tuas chagas, enxugar tuas mágoas, pentear as enxaquecas. Expulsar, de tua vida, tudo que te causa dor. Te curar. Te cuidar, até que todas as angústias amor_teçam. Adormeçam.

Estranho, também, não é este meu olhar de zelo nascido há pouco, mas que gerei por décadas (sim, agora eu sei). Também não é te ver, de repente, com novas lentes e observar, nitidamente, que era você - tu - o vulto de sempre. Presente. Por uma - cega - era.
Estranho, de verdade, não é pronunciar teu nome incontáveis vezes, só para que eu ouça a harmonia contida em duas sílabas. E te sinta, melodia. Teu nome é música em minha poesia. Nem é estranho te manter na boca,  armazenar no peito, te provar sempre que precisar: meu alimento. Oxigênio. Provisão de amor, para que eu viva.

Estranho, mesmo, é perceber, no fim dos tempos, o quanto você houve em mim. O acúmulo que havia. Há. Existe desde muito antes deste meu despertar. Um susto bom. Um bom súbito.  E não era sonho, só que desviamos nossos rumos. Criamos outros mundos. Distanciamos nossas vidas e nos demos adeus. Sem dar. Sem, definitivamente, apagar o outro da história.

É estranho, lindamente estranho: há outonos, (seunomeaqui), que eu te [ch]amo.
E continuo.

Assinado eu, que sou tua. Até o fim.


valéria tarelho
[lelinha]
21.09.15


"não vejo a hora de te reencontrar
e continuar aquela conversa,
que não terminamos ontem, ficou pra hoje.​"​

Bookmark and Share

amar_elo

por valéria tarelho em , ,



o amor é liga. coisa de cola. negócio com ímã. um troço com solda. um treco que gruda. corrente que circunda duas vidas.

o que o tal amor une, adere firme, fixa. demora para sair da pele (quando há saída).

amar é caro. amar é um barato. amar é doado. amar é doido. doído. cicatrizado.

amar é contato. com tato. é algo para ser cuidado. cultivado com zelo, para mantê-lo unido.

amar é um elo. um aro. namoro. olho no olho. espelho do outro.

amar é riso. amar é raro. amar é isso.

anel de ouro.



valéria tarelho
22.09.2015

Bookmark and Share

18 setembro, 2015

tu

por valéria tarelho em , , , ,


Tu, só tu, me libertas. Tu és todas as janelas, portas e passagens secretas, escancaradas. Tu: as descobertas.  Tu, só tu, me guias. Indicas as vias [aéreas] para a minha fuga.  Meu bater de asas. Evasão,  mas não de ti, nunca de ti:  tu propicias as saídas e, ao mesmo tempo, me enlaças. Em ti. A ti. Me atas. Me atrais. És meu ímã, meu amor. Vida minha.

Em ti me encontro solta, pronta para sermos um lugarejo chamado eu e tu. Estância do "nós um". Nosso endereço é no espaço um do outro. Um o número do outro. Tamanho justo. Possuímos, por domicílio, este nosso sonho, que acomoda eu e tu ("nós únicos"), com muito aconchego. Mútuo.

Todos os caminhos eram ermos, escuros, até que tu - minha luz - vieste habitar meus ares. Se hoje respiro com alívio, sem auxílio de subterfúgios, é porque tu - minha brisa -  passaste a soprar carícias com esse teu jeito de vento bom. Suave. Necessário para dar movimento, afastar o tédio, renovar  - fora e dentro - todo o meu ser. Que agora voa, mora contigo no voil das horas,  vislumbra um amanhecer possível, arejado de "nós últimos". Para sempre, ainda que nunca.

Eu e tu, como um sopro. Voláteis. Do princípio ao (até que en)fim.

Eu e tu: a luz do túnel.


valéria tarelho

*update 18/09/15 - 19:51



"Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você"


 

"Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim"

Bookmark and Share

17 setembro, 2015

ensolarado

por valéria tarelho em ,

não era amor
rimava com mar

poema em ondas
solar

era pomar
de conchas
estrelas do lar
chalés de areia

era com ar

não era amor
à sombra
era sob
ozônio aberto

era sem teto
demasiado vento

'ultraviolento'
refresco

condicionado

não era amor
em si

era em sol
arado



valéria tarelho
‪#‎nãoeraamor‬

Bookmark and Share

entre o sol e a solidão

por valéria tarelho em , ,


amores chegam
e saem
amores cegam
e sabem

semear
o que impressiona
ser
o que impulsiona

são degraus
na escuridão

amores
sempre serão
míticos
egoísticos

apocalípticos

ego & psique
narciso & eco
apolo & jacinto

céu & chão


valéria tarelho

Bookmark and Share

assinado eu

por valéria tarelho em , , , , , , ,

Bookmark and Share

15 setembro, 2015

tensa

por valéria tarelho


Bookmark and Share

14 setembro, 2015

recônditos amores

por valéria tarelho em , , , ,

Peri Pane, música e letra, com intervenção poética de arrudA
Parque Vicentina Aranha, SJC, 13.09.15

 

Bookmark and Share

água da fonte

por valéria tarelho em , , , ,

Participação especialíssima de Ligia Kamada no show Canções Velhas para Embrulhar Peixes 2


 

"Será que não nos vimos antes
Eu pedra de rio, você diamante
Será que não nos vimos hoje
No cheiro da chuva ou na água da fonte"

Bookmark and Share

sambinha

por valéria tarelho em , , , , , ,

Ontem, no Parque Vicentina Aranha, final do show.



Gustavo Cabelo, Peri Pane, Otávio Ortega, Ligia Kamada e arrudA



E o vídeo oficial, com Peri Pane ~> vale muito ouvir o arrudA declamando




tem como não amar?

Bookmark and Share

eu te isso

por valéria tarelho em ,


não quero
isso
anêmico

dispenso
isso
cênico
pálido

eu quero
isso
hemorrágico

poético
enigmático

e peço isso
instantâneo
anti-histamínico

antiácido

isso
tem que ser
elástico
flexível
movido
a jato

isso de imediato

as demoras
causam úlcera
cistos
criam ácaros

as esperas
geram riscos
edemas
filhos

dor no ciático

e quero
isso
dopamina

a todo
custo
isso
injetado

adrenalina
pro chilique
anafilático

isso
morfina

[amor é isso
Estar dopado]

isso sem
a dor
do parto



valéria tarelho

Bookmark and Share

ando pelo lado ímpar

por valéria tarelho em , , , , ,

Começar o dia (e a semana) com música boa, poesia tanta, emoção sem fim!

Apresentação de ontem no Parque Vicentina Aranha, aqui em São José dos Campos.
Salve André arrudA, Peri Pane, Ligia Kamada, Otávio Ortega e Gustavo Cabelo!




"ando pelo lado ímpar procurando par"

Bookmark and Share

pirâmide alimentar

por valéria tarelho em ,


Bookmark and Share

flortaleza

por valéria tarelho em , , ,


pele de seda
da raiz
às pétalas

[não importa
a idade das pedras
- pérolas -
que ostenta]

toda mulher
enfeita
conforta
brota fé
e força
bruta

por onde flor



valéria tarelho

Bookmark and Share

domingo no parque

por valéria tarelho em , , , , ,

Gustavo Cabelo, Peri Pane, Otávio Ortega e arrudA


Manhã de domingo, com música e poesia, para que mais?
Para melhorar, veio a chuva mudar o show da área externa para a sala Reginaldo Poeta. Poesia que se completa, contempla e nos (en)leva pelas notas das canções. Instrumental, voz ( vozes, com a participação da maravilhosa Ligia Kamada), intervenções poéticas, uma conjunção de delicadezas tornaram perfeita uma manhã cinzenta!
Meu domingo amanheceu no céu. E vi os anjos.

uma folha de arrudA e uma fã muito fofa :)




levei o livro do arrudA que comprei no ano passado para pedir dedicatória, sou boba?

 
e comprei o cd que tem as músicas do show



Love, só love!


Perdi a apresentação de "Note" ...não era para já, mas tem um videoclipe aí abaixo, com o Peri:




"o que não é pra já, talvez seja para Júpiter"


~> filmei uma parte do show, depois publico aqui no blog

Beijos, ótima semana!
v

Bookmark and Share

13 setembro, 2015

deu match

por valéria tarelho em , , ,

é domingo - amor -
levante
vamos à luta

vem [vi]ver
nosso sonho

acredite
:
lá dá pé
lá já somos
- para sempre -

um par

[e ímpares]


valéria tarelho

*dialogando com esta maravilha do Múcio Góes, minha inspiração de vida!



** e logo mais tem ‪#‎cancoesvelhas‬ no Vicentina Aranha, com o arrudA (tietagem explícita, me aguarde)
*** vamos à música !

Bookmark and Share

seja como flor

por valéria tarelho


o amor
é um bulbo
de lírio

que há vasos
deflora
meus vazios


valéria tarelho

ilustração de Carroni

Bookmark and Share

perspectivas

por valéria tarelho em , , , , ,


nada sei
mas desconfio

o amor
só é bonito
bem distante

e de perfil


valéria tarelho

*imagem via tumblr


Bookmark and Share

insular

por valéria tarelho em ,

não era amor
era uma
maravilha

havia
o brilho de orion
nos olhos
o calor do sol
nos poros
a paleta de abril
no céu da língua

uma reserva
paradisíaca
na esfera
fauna e flora

não era amor
era uma ilha
- particularmente -

afrodisíaca



valéria tarelho

Bookmark and Share

10 setembro, 2015

esmero

por valéria tarelho em ,


não era amor
era perfeito

(feito à dedo)

maleável
no beijo
moldado
no abraço
modulado
no corpo

não
não era amor
nem meio termo

era sem sobras
sob medida
inteiro

o amor
deforma
com o tempo


valéria tarelho

Bookmark and Share

'desexistência'

por valéria tarelho em , , ,



"agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim"
joão e maria - chico buarque


o reencontro foi na idade do não, trinta e tantos anos após um tempo em que, talvez, pudessem ter existido. quem sabe, sim, com grande chance.

mas não, e agora eles não irão juntos ao show da vida real. não, as viagens de férias não serão no mesmo resort, mas eles têm alguma sorte: por enquanto podem trocar ideias e fotografias das paisagens [em que jamais foram vistos juntos]. não, nos natais não estarão entre os presentes. não irão de mãos dadas comprar pão, não trocarão olhares a céu aberto. não, nenhum evento, por menor que seja, aguarda a presença de ambos. juntos. nem mesmo na apoteose do que foi vivido, terão direito ao luto. não. ao menos em público. 

como na infância, o não lhes apontando o dedo e moldando o ego. o não em mímica, o não da fala, palavra repetitiva. eco.  aprendemos cedo que significa o que priva, nega, proíbe, impede, impossibilita. bloqueia. o não que fecha portas. que vence as melhores partidas. que fixa uma ponte entre o poder e a poda. o não é "flórida" (freud explica eu não ter escrito foda com todas as letras)! o não limita as investidas. delimita o gesto. tolhe as escolhas. filtra. não deixa que a liberdade escoe. não é não. e acabou. não tem saída. 

e, sim, eles sabiam. havia urgência no pertencimento. havia o [am]ar rarefeito enchendo o peito de uma alegria que era idêntica a de antes, a da idade [da ilusão] do para sempre . e, sim, conheciam sua sina. 

passaram dias preenchendo as lacunas do que não viveram. deram um rosto para cada época. atribuíram falas ao silêncio impetrado pelo tempo. coloriram o branco cenário da sala das ausências em que se [des]espera por alguém. chamaram de amor o brilho que brotou nos olhos e renovou os sonhos. filmaram os primeiros passos do filho que jamais puderam. superaram o frio, o gelo, o deserto.  construíram um teto no topo de seu mundo imaginário. um bangalô de afeto. avarandado por fora, arejado dentro. riram muito, de tudo, por nada. eram a melhor companhia um do outro. um no outro. unidos. únicos. formaram um par. um para um.

sim, eles sempre souberam dos obstáculos. podiam ver o não com seus tentáculos, jogando a felicidade para o alto. então, não fizeram planos.  seguiram, absorvendo toda gota, cada partícula, o mínimo motivo de sim, existirem. e eles eram. eles foram. eles ousaram. amaram-se, sim, muito. a todo momento daquela existência. por um tempo estiveram juntos no mesmo reflexo do espelho. 

até que - fatalmente - não.


valéria tarelho
"e pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz"

*imagem via tumblr

Bookmark and Share

09 setembro, 2015

equivalência

por valéria tarelho


você
que não sabe
da reza
a metade

sequer
saberá
o terço

o que faço
e penso
nem aos poemas

confesso


valéria tarelho

Bookmark and Share

(go)laço

por valéria tarelho em , , ,


de nós, pretendo laços. enlaces que não prendam (e arrependam), que não passem aperto, que se desfaçam fácil (em um piscar de dedos) e se construam sem esforço. laços que sejam enfeites: flor de fita no cabelo, lenço estampando o cuidado, laço borboleta: alado (nossa cota de leveza); e, acaso algum fato necessite de firmeza, que apareça o laço aliado: lado a lado, trazendo segurança à trança dos dias, de aparência ingênua.

desejo a nós (por alguns anos) essa espécie de laço que a aspereza do tempo e o parco espaço não desatam. camadas de abraços, voltas e mais voltas de beijos, olhar atento ao centro, cascata de riso, carinho, respeito. adorno sobreposto de passado e hoje em diante, um realce ao pacote que a vida trouxe em sua visita mais recente.

laço que será para sempre o mais delicado adereço do nosso presente.


valéria tarelho

Bookmark and Share

08 setembro, 2015

53

por valéria tarelho em ,


não discuto
com o futuro

o que vier
é luxo


valéria tarelho

Bookmark and Share

rústico

por valéria tarelho em , ,

não te quero
cais
não te quero
terno

quero teu amor
na relva
:
jeans
das selvas



valéria tarelho

Bookmark and Share

cavalinho azarão

por valéria tarelho em , ,

só solto
as rédeas
quando a saudade
aperta

aí já era
:
dispara
esse coração
filho de uma
égua


valéria tarelho

Bookmark and Share

sem título

por valéria tarelho em ,

não era amor era a terça-feira blefando chegou eufórica chovendo sonhos sobre minha cobiça [não era amor era da china]
valéria tarelho
*não era amor
mas parecia*


imagem via Google

Bookmark and Share

07 setembro, 2015

nós

por valéria tarelho em , , ,


nem
o tempo
tampouco
o tipo
de aperto
que nos
envolve

nada
desfaz
nosso
enlace

nada
dissolve
o encanto

sequer
o monstro
da saudade
ousa
passar
perto

[sem disfarce]



valéria tarelho

Bookmark and Share

era calórico

por valéria tarelho em


não era amor
era morango
era amora

era a cereja
da torta
o ponto exato
da calda

não era amor
- simplesmente -
era mais quente

a clara em neve
e o açúcar
do merengue


valéria tarelho

Bookmark and Share

06 setembro, 2015

tudo seu

por valéria tarelho


e assim sendo
te ofereço
meu subsolo
e céu

[de bônus
este setembro]

deixo
além dos beijos
meus recalques
e relíquias

um par
de asas
na cabeça

dois mil pés
apenas
[que não
sabem a
direção]

uma lenda
uma lembrança
uma leveza

algumas
pílulas
de poesia
e suas
- pífias -
epifanias

[também te doo
a dor
do que sobrou

e a delícia
que só nós

soubemos]


valéria tarelho

ouça aqui ~> https://soundcloud.com/val-ria-tarelho/tudo-seu/s-jvnBU

Bookmark and Share

p.s. era total

por valéria tarelho em ,


não era amor
era imortal

- e tão
humano -

meu zeus
meu urano
meu poseidon

[e o meu erro
foi querê-lo

mito
além]


valéria tarelho

Bookmark and Share

floracão

por valéria tarelho em ,



tão hilda
tão eu

casca de ferida
flor
que a poesia
(es)colheu


valéria tarelho
*imagem via tumblr

Bookmark and Share

hotel califórnia

por valéria tarelho em , , , ,

e olhe o teste do Face acertando no alvo !




Bookmark and Share

e se

por valéria tarelho em , , ,





se
[con]
sigo
seu
sonho

tenho
um
pesadelo

pra
chamar
de
mel


valéria tarelho
*imagem via pinterest

Bookmark and Share

poesia infantil

por valéria tarelho em , , , ,


O pé de poema continua dando frutos.
Passe lá, sente à sombra, colha a fruta madura, prove o sumo, sonhe que é possível ser criança. Sempre!


Bookmark and Share

05 setembro, 2015

o que jamais imaginei

por valéria tarelho em , , ,


não era amor
era maior

com alguns poréns
seus pois és
minha poesia

além
do mais
não era amor
era melhor
:
era só meu

[e quem diria]


valéria tarelho

Bookmark and Share

04 setembro, 2015

praticando o pé no xô

por valéria tarelho em , , ,


meu mundo
cão [you]

eu que agora
aprenda
a [te] enxotar



valéria tarelho
*dialogando com o super assis freitas




Bookmark and Share

03 setembro, 2015

orgasmos múltiplos :)

por valéria tarelho em , , , , ,


Ter poemas publicados em livros didáticos não é novidade, há alguns anos aparece um convite daqui, outro dali, mas, até então, para livros do Ensino Fundamental. Poemas como o Centopeia, Dona Joaninha e Dona Baratinha, Bolinhas de Sabão, já participaram do aprendizado da garotada na faixa dos 7 a 10 anos e AMO saber que pertenci, de alguma forma, a esse mundinho onde reina o imaginário. Mais que isso, AMO estar viva para acompanhar essas publicações, pois até bem pouco tempo, os didáticos só traziam textos de autores mortos.

A grande novidade, motivo do êxtase, do momento inefável, é ter um poema publicado em livro didático do 3º ano do Ensino Médio, ou seja, o famoso "terceirão"! Quem irá ler e debater o texto será um[a] quase universitário[a], que mágico isso!

Em 2013 autorizei a Ed. Saraiva a publicar o poema, sabendo que seria publicado em 2015. Imagine as bolhas de ansiedade. Na época já vibrei como final de campeonato, com meu time ganhando. Ok, não tenho time, mas a sensação conheço de outros carnavais (não, também não tenho escola de samba). E hoje me chega o tão esperado livro, acho até que foi como ver o filho após gestá-lo por meses a fio.

Gratidão eterna à Saraiva, às organizadoras do livro e à responsável pelo setor de iconografia e direito autoral da editora, Erica Brambila, super gentil!

O poema publicado, "livre para voar", foi especialmente dedicado a Adriana Karnal, outra flor dessas especiais que só Deus mesmo poderia plantar em meu caminho.

Status: #felizdemaisdaconta






Bookmark and Share

delirium tremens

por valéria tarelho em , ,




a paixão
entorpece
deixa em
transe

é um elefante
pink
na estante [vítrea]
de sua sala
íntima

a paixão
é hipnose
atinge o sangue
percorre
cada artéria
come uma a uma
das suas células

a paixão
trança as pernas
cai aos pés
enxerga em zoom
carrega na tinta
inflama
entra em coma
morre

a paixão
é um porre

(garçom
mais uma dose)


valéria tarelho

*ouça aqui: ~> https://soundcloud.com/val-ria-tarelho/delirium-tremens

*imagem via Google

Bookmark and Share

ok, é quinta

por valéria tarelho em , , , ,

Bookmark and Share

02 setembro, 2015

mar

por valéria tarelho em , , , , , ,

O talento de Paulo Medeiros e minha ousadia em aceitar a parceria gentilmente proposta pelo artista, registrados nesta tela. Linda!

Tela: Mar (2005), de Paulo Medeiros (Viseu - Portugal)
Poema de Valéria Tarelho



"A vida vem em ondas como um ..."



 Aveiro Museum - jun/2015

Bookmark and Share

01 setembro, 2015

zona de risco

por valéria tarelho em


amar
é morar
em um
barraco
à beira
de um
barranco

o amor
te mantém
equilibrado

até que tenhas
os sonhos
soterrados


valéria tarelho

Bookmark and Share

lúdico

por valéria tarelho em , , , ,

Hoje espero encontrar, dentro de mim, de ti, de todos, esse ser lúdico, com cabelo tiffany, nariz de cereja, cheiro de infância e que mantém (mesmo que cresça) a poesia no olhar. E, com ele, rir. Rirmos. Chorarmos de rir, derrAMARMOS lágRIMAS de imensa alegria. Sermos, ludicamente, felizes!
Sorria, você está sendo "ludificado" !


valéria tarelho

Bookmark and Share