22 Setembro, 2011
a espera de
sentido novo
na [mu]dança
de época
daqui a pouco
ela estreia
no palco
e já pressinto
um espetáculo
repetitivo
valéria tarelho
chuva de pétala
cheia em meus olhos
- poetas -
inundados de flor
valéria tarelho
*só para me redimir do poema anterior :)
* fotos das flores que inundaram meus olhos no domingo passado, em Caraguatatuba-SP
21 Setembro, 2011
14 Setembro, 2011
viver dói, dear
dá náusea
dor de barriga
sangra
faz ferida
viver - essa úlcera -
não cicatriza
viver
é uma febre
por dia
virose após virose
epidemia
viver - essa doença -
contagia
viver alucina
viver é dose
viver consome
viver leva à morte
viver - essa narcose -
vicia
só por hoje, vida
[sobre]
viva
valéria tarelho
*publicado hoje no Poema Dia
08 Setembro, 2011
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gosto de pão assim: salpicado de sardas. como esses gergelins das tuas costas. me perco em contas quando pintas. me encontro em meio a tantas asperezas finas . provo - pão e pele - fibra a fibra. sinto - grão e melanina - com ponta de lingua. mil ideias se assanham ao sabor do sal que banha a superfície. ao lembrá-lo quente, pronto a qualquer hora, dispenso o sonho [sem semente]. entrego os pontos. integralmente.
gosto de pão assim: salpicado de sardas. como esses gergelins das tuas costas. me perco em contas quando pintas. me encontro em meio a tantas asperezas finas . provo - pão e pele - fibra a fibra. sinto - grão e melanina - com ponta de lingua. mil ideias se assanham ao sabor do sal que banha a superfície. ao lembrá-lo quente, pronto a qualquer hora, dispenso o sonho [sem semente]. entrego os pontos. integralmente.
valéria tarelho
* publicado no proseares em 20.03.10
** selecionado para o Livro da Tribo 2012
07 Setembro, 2011
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não era amor. era pele. em cada encontro, um atropelo.
colisão de urgências. choque de boings em pleno voo. corpos em queda [quase] livre. destroços.
não, não era amor. nem pele, aquele bombardeio dentro.
dois destróiers com mísseis nos olhos. teleguiado momento. azul-afundamento.
dois destróiers com mísseis nos olhos. teleguiado momento. azul-afundamento.
não era nada além. nada a quem. nada na onda-nave que impulsionava o vício.
isso existiu por um ciclo. curto-circuito. abalo sísmico. um não sei quê, com ímã.
cio, cisma, ou nada disso, sei que mexia.
movediço.
valéria tarelho
valéria tarelho
*publicado no "proseares", em 14.07.11
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