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29 setembro, 2011

quebra-cabeça

por valéria tarelho em

tem pessoa que é mil
peças

[vá para puzzle que partiu]


valéria tarelho

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22 setembro, 2011

primavera

por valéria tarelho

a espera de
sentido novo
na [mu]dança
de época

daqui a pouco
ela estreia
no palco
e já pressinto

um espetáculo
repetitivo



valéria tarelho
























chuva de pétala

cheia em meus olhos
- poetas -
inundados de flor


valéria tarelho
*só para me redimir do poema anterior :)
* fotos das flores que inundaram meus olhos no domingo passado, em Caraguatatuba-SP

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21 setembro, 2011

à míngua

por valéria tarelho


porque penso demais
nas consequências
há poemas
não acontecemos


éramos versos
em alta frequência
e rimas tranquilas
quando eu não nos temia

e ainda por cima
havia trema
em nossa língua


valéria tarelho



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14 setembro, 2011

um dia de cada vez

por valéria tarelho em ,


viver dói, dear
dá náusea
dor de barriga
sangra
faz ferida

viver - essa úlcera -
não cicatriza

viver
é uma febre
por dia
virose após virose
epidemia

viver - essa doença -
contagia

viver alucina
viver é dose
viver consome
viver leva à morte

viver - essa narcose -
vicia

só por hoje, vida
[sobre]
viva


valéria tarelho
*publicado hoje no Poema Dia

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08 setembro, 2011

meu céu, meu sésamo

por valéria tarelho em , ,

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gosto de pão assim: salpicado de sardas. como esses gergelins das tuas costas. me perco em contas quando pintas. me encontro em meio a tantas asperezas finas . provo - pão e pele - fibra a fibra. sinto - grão e melanina - com ponta de lingua. mil ideias se assanham ao sabor do sal que banha a superfície. ao lembrá-lo quente, pronto a qualquer hora, dispenso o sonho [sem semente]. entrego os pontos. integralmente.

valéria tarelho
* publicado no proseares em 20.03.10
** selecionado para o Livro da Tribo 2012

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07 setembro, 2011

isso

por valéria tarelho em ,

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não era amor. era pele. em cada encontro, um atropelo.
colisão de urgências. choque de boings em pleno voo. corpos em queda [quase] livre. destroços.

não, não era amor. nem pele, aquele bombardeio dentro. 
dois destróiers com mísseis nos olhos. teleguiado momento. azul-afundamento.

não era nada além. nada a quem. nada na onda-nave que impulsionava o vício.

isso existiu por um ciclo. curto-circuito. abalo sísmico. um não sei quê, com ímã.

cio, cisma, ou nada disso, sei que mexia. 

movediço.




valéria tarelho

*publicado no "proseares", em 14.07.11

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05 setembro, 2011

nada a |per|doar

por valéria tarelho em ,

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para não chegar ao término
agi contra os princípios 
e meios-termos 
que abomino

não era o momento
de desligar
os aparelhos


valéria tarelho
*publicado no "poema curta-metragem" em 23.07.11

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