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30 setembro, 2010

batuta

por valéria tarelho




ela toca em orquestra
ele é poeta das ruas

quando busca
pôr notas concretas
em sua boca

a  des        cer
         con        ta



valéria tarelho

*vídeo: animação do poema "ugas(mo", do livro "Onomatopoemas" (1978), de Hayle Gadelha, com a música "Elegia", de Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos, sobre poema de John Donne, cantada por Caetano Veloso.

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29 setembro, 2010

convite para um suicídio

por valéria tarelho em


edição 42 | setembro de 2010

temas: 

masturbação | proposta | phoenix

convidadas

adélia prado
ana peluso
neusa doretto
soledade santos


imagens


+ as suicidas de carteirinha

*nesta edição venho com quatro poemas, sendo um inédito. 



confira em:



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noturno

por valéria tarelho em


imagem: "emptiness" © tom persinger

eu
adepta dos venenos
(lentos-letais)
dos 'poemácidos'
alucinógenos

eu das carnes cruas
das palavras acres
das ideias kamikazes

eu e meu
harakiri
de araque

eu talvezquemsabe
dust in the wind
cheirando a pó
eau de álcool & tabaco

eu (aquela)
de nós cegos
do (só meu)
desassossego
da sua evi[l]dente
sequela

eu
dos voos solos
na boleia
brindando a boemia

em co[r]pos de geleia


valéria tarelho
*publ. no 'impura poesia', blog em fase terminal.

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28 setembro, 2010

tua_regue

por valéria tarelho em , ,

imagem via deviantart.com


1


porque eras vida
eu te tomava
às claras
sorvia em bicas
antegozava ao
primeiro gole


eras minha enxurrada
chuvessência
pura substância
palavrágua
de potável transparência


tanto fervílhamos
que secou a fonte
o ci|cl|o das thermas
terminou
em pó


[pós lama]


do amor
que era úmido
não há indício
de gota


ou vestígio
na boca
do passado
a vapor




2


logo agora
que éramos 
como água
- liquefeitos
um para 
o outro -
entrou
um mar
de areia

por que saara
?


valéria tarelho

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27 setembro, 2010

girassol

por valéria tarelho em , ,

imagem de pIXIEPOG

paz
ver
de
amar
elo

ouro
em pé
tala

gira
cielo

cel
sius
sóis
:
seus
mil
olhos

luz
que sol
cega

sois


valéria tarelho

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26 setembro, 2010

magenta

por valéria tarelho

meu carma
meu carmim
choque
azul-carmesim

pigmenta-me
púr_
pura


viole[n]ta-me

maravilha-me
cor
filha da fúcsia




valéria tarelho
p.s.: te cuida, Barbie :)




~> revirando o baú 



cheia de indiretas
indiscreta [na medida]
ousada [e daí?]
se preciso vou à luta
armada de meu veneno
:
inócuo para uns
estonteante para poucos
letal para quem for louco
de pisar em mim

[no fundo camuflo
um puta medo
de ser feliz]


v.t.
2005

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25 setembro, 2010

nobreza

por valéria tarelho em ,


primavera impera:
do lóbulo da jardineira
pendem brincos de princesa 


valéria tarelho
*foto daqui


por falar em brincos...



arte sã ,
publicado no Livro da Tribo 2005 e Revista Brasileiros, ed. 23


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24 setembro, 2010

lilás

por valéria tarelho em , ,



primavero
e o que era azáfama
agora me alfazema

a alma
- leve -
lavada anda


valéria tarelho
*foto de arquivo pessoal

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23 setembro, 2010

blue moon

por valéria tarelho em


imagem: Blue Moon, via Flickr


olhar atento ao
mínimo
detalhe [intro]

olhar perito ao
auscultar o íntimo
e dissecar a fonte

olhar com tato de
lente que sente
ledos relevos
na ponta dos dedos

olhar clínico a
percorrer caminhos entre
vertentes vãos viéses

olhar de vacilo
se os desvãos do olho
nu anunciam [tu -
com tudo - e teu
azul mais cínico]

e não desvio
o gozo riso
contido

no vaivém
dos cílios



valéria tarelho
*publ. no 'impura poesia', blog em fase terminal :(

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22 setembro, 2010

sempre-viva

por valéria tarelho em , ,

a vida
vibra
por onde
eu
f[l]or


valéria tarelho




Temporada das flores
Leoni

Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,

Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.

Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...

Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.

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pé de poema

por valéria tarelho em , ,



Em abril mencionei que pretendia criar um blog de poemas infantís, alguém se lembra? Eis aqui a prova e AQUI o "pé de poema", que semeei em maio, fui regando, adubando e agora que a plantinha tomou forma e oferta alguns frutos, abri as portas do pomar.

Cada poema vem acompanhado de uma atividade, vídeo, dica, enfim, algo lúdico relacionado ao tema do poema, enriquecendo e tornando mais divertida a leitura.

Sejam bem-vindos e boa colheita!







e-mail para contato, sugestões, dicas de literatura infantil, etc...: pedepoema@gmail.com

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19 setembro, 2010

cummings

por valéria tarelho em




trecho final, traduzido:

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

eu levo o seu coração ( eu o levo no meu coração)

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18 setembro, 2010

matinal

por valéria tarelho em

getty images


manhã
de arte
& hortelã

chove na boca
uma saudade
menta
[morning
drops
]

a pele pede
algo ardente
para que eu cometa
poema [ponto] com
manteiga

e logo cedo
peque
ao matar as fomes

serve
café fresco
leite quente
pancake

o beijo de sempre
:
seu
aceso



valéria tarelho

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16 setembro, 2010

cenas urbanas

por valéria tarelho

Google imagens

gripe
dengue
meningite
acidente
assalto...

até o amor
anda doente
mascarado
mutilado
armado até os dentes

[se] matando
por um
trocado


valéria tarelho

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15 setembro, 2010

digitais

por valéria tarelho em ,


em minhas viagens
:
paisagens exóticas
personagens eróticas
memórias

ReLeVoS
que jamais
revelei


valéria tarelho
publ. em 03/09/10, no poema curta-metragem

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