
[apesar do céu]
para Everton Behenck
vens
como convém
:
em vendavais
de viés
vertigem
& voz
a soar miragens
eco
seduzindo
o caracol
do ouvido
- lá onde eu
labirinto -
vens
de s.o.s.laio
em conluio
com um sol
insano
suar meu solo
ao "simolhar"
seu [im]pacto
vens
(quase) risco
(quasímodo) rastro
stratus
vez em quando
30 Março, 2010
29 Março, 2010
edição 39 março de 2010
temas: recomeço platonismo chuva
uma bela edição, apresentando as novas suicidas:
adriana versiani
ana próspera
carla luma
carolina caetano
marilena soares
priscila lira
convidadas:
greta benitez
lílian maial
lucia helena corrêa
milena de almeida
monika woolf
além das escritoras suicidas de outros carnavais.
um poema meu, dos três desta edição:
são as mágoas de março
[ou qualquer fossa assim]
eu te chamo
de sol a cio
tu me evitas
luas a f[r]io
recordo o início
quando tu
eras apenas [pó]
promessa
de tempo bom
- aguou -
chove a cântaros
desde então
[ é pau pedra fim caminho
esto oco ouco inho
aco idro ida ol
oite orte
aço anzol
- só
para não sair
do tom ]
valéria tarelho
escritoras suicidas
24 Março, 2010
em 1996 eu nem sonhava escrever poemas; sequer os lia. minha leitura se resumia a livros jurídicos de todos os tipos, tamanhos e pesos. sobretudo, peso. a escrita se restringia a nada poéticas petições, de natureza diversa.
mergulhada em processos, códigos, doutrinas, jurisprudências, problemas alheios, mal vi os filhos crescerem. assim, enquanto eu me perdia em papéis, protestos, prazos e advocacia a quatro, não notei que Nick, a caçula das meninas, era pura metáfora. precisava, apenas, ser polida. esculpida pelo tempo que viria.
infelizmente, o físico esguio, a morenice, a 'palhacice', o jeito zen, não herdei.
mas diz aí se não nasci com a pinta dela?

de Nicolle (aos 7 anos) para Nina, que fazia meu papel, enquanto eu, embrulhada em mil papéis, não tinha tempo para a poesia (que vi nascer anos depois. e era a cara da filha).

Nicolle, minha menina de circo, hoje tem 20 anos de poesia
23 Março, 2010
tem gente, assim, etérea, que desmancha a gente [que se acha pedra].
essa gente-lume, tem dedos de delicadeza e olhos de sorrir gentilezas. gente que "luziluzeia". e, com o mínimo gesto, é farol. e gestos de gente-sol dissolvem rudezas que serpenteiam ao redor da gente [que se sente pó].
palavra. garanto que vi gente-flor pairando na pauta musical de um céu poente. estava nem escuro, nem claro no dia que vi a oitava cor do sonho. mágico, ver gente-íris. que não existe. mas juro que há. juro, sim.
para a Jura [cheia de] Cy, que me "poesiou"
Declaração Pública de Ternura
[Juracy Ribeiro, do jura em cy bemol]
valéria t.
t. de textura
telúrica tenaz
valseira
t. de trilha
trama perfeitos poemas
assim a vejo
pão-pão, queijo-queijo
valéria tarelho
espírito velho
um corpo textual
tarimbado
22 Março, 2010
e aí transparece outro lado favorável do feed, o das 'provocações' imediatas. jorra um texto dali, que deságua aqui, desemboca acolá. vira pororoca. águas em choque. se, na natureza, essa força derruba árvores, modifica o leito dos rios, em mim ela opera turbilhões semelhantes. é um estrondo dentro, que não contenho. mergulho, me banho, surfo. surto, em ondas. agito águas mansas. ressuscito mares mortos.
há pouco recebi o feed do Fábio Rocha com seu mais recente post. no ato, peguei carona no mote [do mesmo jeitinho que o livro "Haikuazes" do Hamilton Faria inspirou meu "haicalos", que originou o "haicanagem", do André Alves, que vai saber quantas outras paisagens possibilitou]. estabeleci uma espécie de diálogo com o poeta, por impulso. segui a maré, à solta, entregue à sua força propulsora. força da 'provocação', gerando e iluminando ideias. não é assim, também, com a água?
DOS MOTÉIS
[Fábio Rocha]
Os motéis me lembram
aquelas paredes dos cemitérios
onde os corpos se deitam
lado a lado
e uns sobre os outros.
sem mistério
motéis lembram
crematórios
onde corpos
pegam fogo
e logo após
viram pó
"A poesia que provoca esse orgasmo fatal tem essa força de se postar frente a essa consciência a que somente ela pode nos conduzir. A consciência da gente eclodir como consciência do outro, como fragmento lançado na imagem acreditada como nossa.
20 Março, 2010
"gosto de pão assim: salpicado de sardas. como esses gergelins das tuas costas."
19 Março, 2010
18 Março, 2010
17 Março, 2010

Google imagens
humpty dumpty
[p]ovo
pólvora
palavra
:
não fui eu
que descobri
a fórmula
mas invento 'palólvoras'
explosivas
elixir da vida
nova arma
valéria tarelho
– Quando eu uso uma palavra, – Humpty Dumpty disse com certo desprezo – ela significa o que eu quiser que ela signifique... Nem mais nem menos.
– A questão é – disse Alice – se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.
– A questão é – disse Humpty Dumpty – quem será o chefe... E eis tudo.
Alice ficou pasmada demais para dizer qualquer coisa; assim depois de um minuto Humpty Dumpty começou de novo:
– São geniosas algumas delas... Principalmente verbos, são os mais orgulhosos... Com os adjetivos você pode fazer de tudo, mas não com os verbos... No entanto eu posso lidar com todos eles! Impenetrabilidade! É o que eu digo!
(...)
– Você parece muito esperto em explicar palavras, senhor – disse Alice. – Poderia por gentileza me dizer o significado do poema intitulado “Tagarelisco”?
– Vamos ouvi-lo – disse Humpty Dumpty. – Posso explicar todos os poemas que já foram inventados – e um bom número dos que ainda não foram inventados.
Isso pareceu promissor, de modo que Alice recitou a primeira estrofe:
– Era grelhúsculo, e os mangartos
flexiscosos giroscopiavam
e no lafrás verrumaravam:
e muito fristes pareciam
os estornões, e malincondes
os caititurfas arfolavam.
– É o bastante para começar, – Humpty Dumpty interrompeu – há uma porção de palavras difíceis aí. “Grelhúsculo” significa quatro horas da tarde – a hora em que você começa a grelhar coisas para o jantar.
* trechos de HUMPTY DUMPTY (Lewis Carroll, Through the looking glass, cap. VI)
"Lewis Carroll, professor de matemática em Oxford, escrevia sobre política sob a forma de estórias infantis, pois conhecia o poder da Rainha para cortar-lhe legitimamente a cabeça. Assim, como quem não quer nada, ele inventou esse diálogo entre Alice e aquele cabeça de ovo chamado Humpty-Dumpty. Questão semântica. O uso das palavras. Já notaram que todas as questões políticas estão dependuradas em questões de linguagem?"
** trecho do artigo "Lá Vem o John Wayne de Revólver na Mão" (Rubem Alves)
16 Março, 2010

imagem : art.com
quero a [to]tal liberdade
de não ter escolha
simplesmente aceitar
o doido amor
que a vida doa
ficar com ar de boba
amar à solta
e me amarrar
valéria tarelho
*update em out/11: publicado no Livro da Tribo 2012 com nova versão [inclusão de um verso na última estrofe]:
quero a [to]tal liberdade
de não ter escolha
simplesmente aceitar
o doido amor
que a vida doa
ficar com ar de boba
amar à solta
e numa boa
me amarrar
14 Março, 2010
[trecho]
"há um psicotrópico ultravioleta
no menu de ofertas"
~> hoje é 14, dia de post no "poema dia"
apostei / postei uma tentativa de espelhar a lucidez crua e nua, que, vista bem de perto, pode parecer loucura e dediquei tais linhas de realidade ao Rodrigo de Souza Leão [que, lá de Marte, deve estar dizendo: "mas que merda!"], sem pretensão de homenagem póstuma, afial, "há vida em marte".
11 Março, 2010
sarau das escritoras suicidas
por valéria tarelho
em
casa das rosas,
dedo de moça,
escritoras suicidas,
recital
Casa da Rosas. Av. Paulista, 37, SP
Com Virna Teixeira.
Convidadas: Assionara Souza, Cida Pedrosa, Florbela de Itamambuca, Patty Flag e Valéria Tarelho.
O projeto Escritoras Suicidas surgiu há quatro anos, a partir de um site (www.escritorassuicidas.com.br) que reúne edições temáticas de prosa e poesia de mulheres escritoras e homens que se fingem de mulheres, de diferentes partes do país. Durante a leitura, será apresentada a antologia Dedo de moça, publicada recentemente pela editora Terracota.
10 Março, 2010
09 Março, 2010
conheci um homem e tanto:
charmoso inteligente bom de papo
depois que o beijei
acabou o encanto:
puf!
virou sapo
ainda ouço seu coaxo
vindo do brejo em que o deixei
cinderelesco ao avesso
é bruto
grosso
podre
esse meu príncipe encantado
quisera que por encanto:
polido
refinado
no ponto
meu pobre namorado
fosse
brincadeira de criança
minha vida é uma ciranda:
volta e meia
ele meio-que-volta
diz um verso bem bonito
e sem adeus
vai embora
bruxas
feias
porcas
más
gostosas
nos contos
de fodas]
* "feias, porcas e más" e "se possível...sejam crianças para sempre"
~> exposições do artista plástico paulo medeiros - museu municipal de vouzela, portugal
*** na foto: uma feia, porca e má ;)
valéria tarelho
08 Março, 2010
e o dono dessa voz ainda se lembra de passar por aqui de vez em quando...
eu tô que tokyo! ;)
update [terça, 1h55]sugestão proveniente de uma madrugada condenada ao tédio, salva pela visita ao blogenerico.zip.net onde me deparei com o seguinte post, assinado por douglas doug [dd]:
Intimista
Intimista, o nome não poderia ser outro, trazer o artista para perto do seu público sem luzes, produções, palcos e outras coisas, foi a concepção usada esta compilação.
Como já disse em outras oportunidades é um privilégio para este que vos tecla a convivência (ainda que escassa no ano que se passou) com este artista, é comum eu assistir passagens de som ou presenciar a descoberta de uma nova harmonia.
Procurei mexer o mínimo possível nas gravações, aconselho aos leitores gravarem em CD e ouvir sem fones, em casa ou dentro do carro (foi assim que testei a compilação) por essa caótica paulicéia.
O repertório dispensa comentários, Jobianas, Melodianas, Domenicas e Santistas entre outras, tenho certeza que vocês ouvirão repetidamente cada faixa e a cada audição descobrirão coisas novas e ângulos diferentes.
A simplicidade da voz e violão apenas salientam ainda mais o talento deste grande artista e amigo, Tony “Pituco” Freitas.
Desfrutem deste clima intimista, sem moderação.
~> eis a minha sugestão: download já o Intimista !

sequoias
sereias
serpentes
- secrets -
há sempre
um 's'
- sinuoso-insinuante -
na dança
do meu v
entre
valéria tarelho
*ao sidnei, pelos insights nesses longos anos de parceria

estátua de Joana d'Arc na Catedral de Notre-Dame, Paris
parcas, fúrias, musas
ninfas, sereias, bruxas
lobas, gatas, najas
leoas, coelhinhas, cadelas
rainhas do lar, da bateria, rainhas-más
executivas, voluntárias, escravas
atrizes, esposas, meretrizes
bregas, peruas, patricinhas
rendeiras, liberais, lavadeiras
mumificadas, falsificadas, siliconadas
fadas, princesas, borralheiras
anjos, demônios, santificadas
amantes, namoradas, abandonadas...
afrodites, julietas, amélias
evas, dianas, nefertites
junos, medusas, belas
cinderelas, rapunzéis, malévolas
florbelas, cecílias, coralinas
hildas, marthas, lyas
madres teresas, mães-menininhas, madalenas...
garotas:
de ipanema, programa, propaganda
das telas, dos tanques, das ruas
do olimpo, dos contos, pés na terra...
fêmeas, feministas, femininas
meninas-poderosas
mulheres-maravilhas
um ar de maria
um quê de marylin
um toque leila diniz
joanas d'arcs
armadas de duplo xis
valéria tarelho
06 Março, 2010
05 Março, 2010
03 Março, 2010
valéria tarelho
[para líria porto]
matei-me
aos poucos
:
atirei rimas
a esmo
bebi do cale-se
do verso
saltei do décimo
andar do ritmo
- sem sucesso -
entre um cigarro
e um porre
a chance
que deu certo
:
ateei poemas
no corpo

tentativa de assassinato(me)
líria porto
num estalo sem estilo
tolo - desisto do tiro
(essa faca cega não me leva a nádegas)
estico a corda
e me/te enforco num toco
de cigarro
líria porto é escritora suicida e uma porção de coisas.
02 Março, 2010
trecho:
"...pode ser loucura minha, adrenalina pura. pode ser minha heroína essa droga de mulher maravilha que busco pelos becos e aspiro noutras bocas..."
'prosoema' completo no: ogatodaodete .

























indicado por Assis de Mello
indicado por Rosangela Ataíde


















blog: textura




