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31 agosto, 2006

sonhos (?)

por valéria tarelho



no ar, a edição 9 de escritoras suicidas, com o tema: sonhos

abaixo, um "poemeu" desta edição:

s.o.s. solidão

sonho
que
comporta
outros
corpos
pesa
pouco

tenso
o pesadelo
que
suporta
cama

:
sem
soma
de
t[r]emores


valéria tarelho

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a césar o que é de césar

por valéria tarelho

esgota-se
agosto
que ruge
orgias
bélicas

apaga-se
a efígie
que rege
clássica
mescla
de sons
em escala
esquálida

esvai-se
a oitava
gota
da dúzia
dose
de dúvidas

gasta-se
um oitavo
das doze
cotas
de dívidas

augusto
o goivo
reage
disposto
a liquidar
[mau] augúrio
:
armado
de aroma
e chuva
de ouro

dou
adeus
desgosto
a teu
corpo
morto
de
com
pos
to

[em trinta
e um ônus]

a gosto
dou olá
ao deus-
dará


valéria tarelho

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30 agosto, 2006

rodrigueana

por valéria tarelho em

dispenso
o bom gosto
gasto de uso
[ prolixo ]
roto de tanto
[ no osso ]
tedioso de ócio

lambisco
um nada prático
prato atípico
guarnecido de asco

assim almoço
vida fóssil
dura & bruta
como ela é
:
feita [ frita ]
no grito
(gr)atinada
na palavrardente
tragicômica
porno_
gráfica
ácida al dente
recém-suada
do forno

na sobremesa
degusto vidinha nua
bonitinha & engraçadinha
ordinária
úmida de chuva
[ como dita
a má conduta ]

embaraços
de família
em meio a ceia
:
obscena
folhetinesca
maldita

poesia grotesca
[ grau máximo ]
: profiro

valéria tarelho

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28 agosto, 2006

locução

por valéria tarelho


gravura © john tenniel

"depois de você os outros são os outros e só"
Leoni - os outros

a gente brinca
briga de mentirinha
a gente mal se fala
lê o [pre]texto
das estrelinhas

é asfixia quando
é galáxia enquanto

a gente faz de conta que
a gente namora
a gente finge que
não mora nem vê
a gente nem aí para

poesia de voyeur
prosa de viagem

eu o chamo de chato
no dialeto estrábico
que ele já domina
ele me desa[r]ma
doma demanda

é meu ímã
[a]trai sem supor que

pois a gente city
a gente country
a gente neverland
[wonder onde, alice?]

eu & ele [ali & se]
um paradoxo à parte
beer & coca light
malte & tea party

a gente se encontra
no entanto
a gente parte
no encanto
dos contrastes

entretanto a gente nem
nós nunca
os dois never
mor[r]e

a gente hesita ou
habita um
no ou
do outro

nesse nonsense
a gente reage a
rege o
exceto se

a gente insiste no
incide em
existe há
e tem um quê de
em toda essa
esquisitice

a gente
: humpty dumpty

loucos
são os outros

e sós

valéria tarelho
* perdoem o excesso de "a gente". foi proposital.
~> há um artigo aqui, de Cláudio Rodrigues da Silva, sobre pronomes pessoais e a locução a gente, com o qual concordo, em parte.

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27 agosto, 2006

à unha

por valéria tarelho

uma dose
de minúcia
: cisco asterisco pulga

coisa mínima
que [no mínimo]
coce a vista
belisque a língua
atice o tímpano

: preciso

poema
sem cílios postiços
sem mamão com açúcar
que salte sugue sangre
soe sem ruído

: persigo


valéria tarelho

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26 agosto, 2006

levis & leevre

por valéria tarelho



hoje dispenso meu lado dark
e largo, no armário,
o pretinho básico, diário.

pra variar, (ul)trajo algo indigo :
rasgado, justo, sujo, stonado...

- um escândalo, ele diria -

sábado,
abaixo do umbigo
e acima da virilha,
não quero nada bem comportado.


valéria tarelho
* da série: "vale a pena ler isso de novo?"

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lançamento em 4 de setembro

por valéria tarelho


clique na imagem para ampliá-la

O Mamaluco Voador — Luiz Roberto Guedes

[RELEASE]

Novela é narrada pelo padre Manuel da Nóbrega

“O Mamaluco Voador” inventa
aeronauta pioneiro no Brasil-Colônia

A Travessa dos Editores, de Curitiba, está lançando a mais ambiciosa aventura literária de Luiz Roberto Guedes: O Mamaluco Voador, misto de novela histórica e crônica irônica dos primórdios da colonização do Brasil. Narrada pelo jesuíta Manuel da Nóbrega (1517-1570), em puro “portoguês” quinhentista, esta novela epistolar resgata a lenda perdida do primeiro padre voador da Terra Brasilis: o noviço mameluco Anrrique Braz, filho de um ex-frade franciscano e de uma índia cristianizada.

Baseado na correspondência dos primeiros jesuítas no Brasil, O mamaluco voador dá notícia do dia-a-dia na colônia: os “maos custumes dos gentios”, as crueldades perpetradas contra eles pelos “maos christãos”, a invasão dos hereges franceses no Rio de Janeiro, e os trabalhos, fomes e fadigas sofridos pelos “soldados de Christo” em sua missão de ganhar almas para o céu – além de servir aos objetivos temporais do colonizador: o domínio da terra, a exploração de riquezas e a “sobjeição” dos indígenas, “polo amor de Christo ou pola força das armas”.

Proto-herói nativista — Sob a capa da aventura, Nóbrega relata a peleja do mestiço com sua “metade índia” para tornar-se um fiel soldado de Cristo. No entanto, como um proto-herói nativista, o Irmão Braz contestará a escravização dos “yndios” e sua aculturação forçada. Por fim, a rebeldia do mamaluco fará com que Nóbrega veja nele um “ardiloso servo de Sathanaz”.

Para o escritor Nelson de Oliveira, que assina o prólogo, “O mamaluco voador já nascerá clássico, ao lado do Catatau, de Paulo Leminski, e das Galáxias, de Haroldo de Campos”. Poeta, escritor e tradutor, Luiz Roberto Guedes publicou, entre outros, Calendário Lunático – Erotografia de Ana K (Ciência do Acidente, 2000) e organizou a antologia poética paulistana Paixão por São Paulo (Terceiro Nome, 2004).

Lançamento: Segunda-feira, 4 de setembro de 2006, a partir das 19h00, no Bar Balcão, Rua Melo Alves, 150, Jardins, São Paulo, Tel. (11) 3063-6091.

Formato: 16 x 23 cm — 144 páginas
Design: Tereza Yamashita & Nelson de Oliveira

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filha da pauta

por valéria tarelho

a cabeça cheia de porquês
a mente porca
[por causa daquela coisa
que me dá quando me dou
e me dôo e me dão por aí]

não escrevo palavrão
porque papai me obsta

mamãe ensinou
todas as respostas

[mamãe é foda
culta]


valéria tarelho

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24 agosto, 2006

loas

por valéria tarelho em



por hora
ela me dá colo
não mais cólera

oferece
cálice cama corbelha

mostra garbo
de boa moça

! sonsa !

a vida
- amiguinha da onça -
pensa que engana

logo a mim : dama
das camaleoas


valéria tarelho

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viva Leminski [vivo, sempre]

por valéria tarelho em

p. leminski
n. ctba / 24 ag 44
bóia fria do texto
trovador apaixonado
cançonetista
apanhador de arrepios
acrobata

p leminski



já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo

morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma

morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma

p leminski

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23 agosto, 2006

pesos e [des]medidas

por valéria tarelho

antes
a insônia

era o peso

sono:
desejo branco

brando relevo
no véu
da névoa
[noiva
- pudica -
do orcus
negro]

irrelevante
o grafite
cal[ma]
virgem
onde erige
a noite núpera

[núpcias
às portas
da morte]

nada mais
absurdo
que a luz
além do muro
nada mais
lúcido
que há pez
absoluto

agora
o sono
crê [criança]
em levez
na balança

só mede
o medo lúdico
de amanhecer
para o recreio

te sonho amor
no descuido
do pesadelo


valéria tarelho

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22 agosto, 2006

pó & cia

por valéria tarelho

poesia
em si
seria
sépia
não fosse
o assédio
- cinza -
que me
cerca

carma
que me
afaga

queima
que me
apega

coma
que me
apag

valeria tarelho

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21 agosto, 2006

dois cliques de sábado

por valéria tarelho


clique na imagem para ampliá-la


da esquerda para a direita:

liliana lavoratti, representando jussara salazar
valéria tarelho
lucas carrasco [florbela de itamambuca]
virna teixeira
bruna beber
andréa del fuego

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19 agosto, 2006

última chamada

por valéria tarelho

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18 agosto, 2006

meia-volta, volver

por valéria tarelho

existe
um começo
um meio
um fim

] exit [
por fim
um meio
de recomeço
[ existir ]

valéria tarelho

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17 agosto, 2006

um tanto quanto plástica

por valéria tarelho

não, meu bem, hoje não tem poesia. poesia [essazinha] é pra quem tem peito e hoje acordei para a realidade: preciso - urgente - de uma prótese.

caiu a ficha, assim que notei as formas mínimas. poeminhas cheirando a leite [tão parecidos com os de menina que adolesce]. coisinha meio empinadinha, é certo, mas nada notável. nem um pouco proeminente. niente, nothing, rien, nichts, nada que atice o imaginário [hétero, homo, bi e todos os seus derivados]. a vantagem [no não avantajado] é que são naturais. e meus. tem voyer que não se incomoda. até gosta. os olhos gozam entre uma espiadela e outra nessa ausência de protuberância. carência, só pode. ou coisa indefinida, que nem aquele tal [o pai daquela palavra esquisita: psi qualquer coisa] se atreveria.

mas hoje não, meu bem. hoje acordei mulherzinha de tudo. vaidosa atéééé. cheia de pose. e possessa. querendo meter os peitos nesse mundão com fome de carne. ânsia de substância. mundo cão. carnívoro mundo homem. mas, cadê? assim, desprovida de tudo, me falta coragem ["coragem" é delicadeza, porque estou mulherzinha, repito - pensem aí em algo que macho diria e eu também, não fosse hoje].

poesia é para quem tem peito. desisto [hoje ao menos]. hoje encarei de frente o óbvio: esse estilo - agora - não me serve. aderi ao protótipo. hoje uso alguns mililitros extras [vês como o bojo fica preenchido? notas como transbordo?]. é tanta prótese que nem cabe na tua boca, neném. teus olhos, então, são poucos para este oceano siliconado [nem ouso mencionar o volume que te escapa das mãos. visualize, meu bebê. visualize].

hoje, benzinho, acordei sem peito para encarar até espelho três por quatro. vi-me démodé. nenhum modelo me caía bem. foi então que abri mão dos receios e implantei esta prosa [que em mim é tão artificial quanto os seios daquela uma - sim, essa aí e aqueloutra também].

ok, ok, sinto-me desconfortável. talvez pareça produto falsificado: made in pê quê pê city. mas hiper na moda. in, é mais chique [in é muito gay, mas também é coisa de femeazinha - li na vogue, na recepção, entre um medinho e outro] . o alívio: nada impede que eu amamente sua sede [li não sei onde. não, não foi na vogue, nem na cláudia, nem naquela outra [a da ilha da fantasia], mas é fonte segura. senti firmeza].

por hoje chega, baby. vou evitar exageros e parar por aqui. já está de bom tamanho, concorda? e temo que o novo "visú" [pausa para enxertar um look nessa falha minha]...

como dizia, temo que o novo look vicie teu olhar, habituado a despir meus poemas flácidos [já convicta de que minha prosa, para ser gostosa, precisa - para ontem - de uma lipo. no papo].


valéria tarelho

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16 agosto, 2006

à francesa

por valéria tarelho

1

nada sei
a não ser
do seio
do nada

: nódoa
que detona
tecidos

: nódulo
no dedo [médio]
do tédio

nada
nas mamas
calejadas
da poesia

ainda encontro a cura

seja na bula
na bíblia
na cabala

uma fuga
na bala
na agulha

2

nada sou/
serei
a não ser
um sopro de
savoir-faire

: adega
- demi-sec -
do saber

: adaga
- cega -
da sabedoria

nada
na língua
flácida
da poesia

ainda acho abrigo

seja nos livros
nos discos
nos vídeos

alguma verdade
na vaidade
no vício

3

nada sei
além do que
não paira
mínima
dúvida

: tudo enfim
finda
em nada

ainda resta uma saída


valéria tarelho

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

(Álvaro de Campos - trecho de Tabacaria)


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convite

por valéria tarelho


www.escritorassuicidas.com.br

~> confira no site da LIBRE a programação completa

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15 agosto, 2006

siameses

por valéria tarelho

somos os mais íntimos
os mais enigmáticos

mesclamos nossas peles
com a pleura da palavra
somos sílabas singulares
sem sofismas plurais

somos os mais cúmplices
parecemos os mais complexos
possuímos o mesmo álibi

o teu veneno é mel
o meu tanino é céu

meu e teu o suor sob
um sol de meia-noite
teu e meu o soro sobre
o húmus dos insones

só nosso
o endereço do segredo
confinado em um quarto
crescente
[fonte das sedes
foco das fomes
fólio de sucessivas mortes]

e mudos e desnudos
e completos
seguimos rumo
ao cimo do sigilo

pátria dos prazeres
secretos

solo do intraduzível

língua onde nós
nos confundimos


valéria tarelho

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14 agosto, 2006

Hora H

por valéria tarelho

Entre a próxima terça-feira, 15, e dia 19 (sábado), a Casa das Rosas-Espaço Haroldo de Campos de Literatura e Poesia apresenta Hora H: um ciclo de eventos em homenagem aos aniversários de vida e morte do poeta Haroldo de Campos.Organizado por Ivan e Cid Campos, a homenagem reúne estudiosos e admiradores da obra de Haroldo de Campos. Serão feitas projeções de filmes, como os de Júlio Bressane baseados nos livros Galáxias, e o especial de televisão Poetas de Campos e Espaços, de Cristina Fonseca. Recitais com poetas como Gozo Yoshimasu (Japão) e Alice Ruiz, e apresentações musicais com Gilberto Mendes, Alberto Marsicano, Péricles Cavalcanti e Lívio Tragtenberg também irão compor a série de homenagens.

Confira a programação completa no site da Secretaria de Estado da Cultura.
Casa das Rosas - Av. Paulista, 37 - SP
fonte: SEC

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12 agosto, 2006

poesia no divã

por valéria tarelho


dúvidas, sugestões, broncas, um simples oi ?

skype-me de segunda a sexta-feira, das 9s às 11h

nome de usuário: valtarelho


download aqui ~> de computador para computador é grátis

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11 agosto, 2006

romantique

por valéria tarelho

L'individu bien conforme est taillé d'un bois à la fois dur, tendre et parfumé
Nietzsche

seu cheiro
- choque -
: rasgo de ar puro
no meu sufoco
viciado

seu cheiro
- chique -
: eau de homem
[poésie poison passion]
bouquet urbano
no meu ranço flor do campo

seu cheiro
- xis -
: agente noir
infiltrado
na curva [alva]
do meu anseio

seu cheiro
lance certeiro
: estratégia
movimento
ataque

seu cheiro
: argumento
ou fato

xeque-mate-me


valéria tarelho
* Un joueur romantique a un joueur qui éprouve du plaisir à attaquer et sacrifier (Pratique des Échecs- voir: Ark Angles - Great Australian Software)

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10 agosto, 2006

circo dos prazeres proibidos

por valéria tarelho


at the circus © susan gardos

segui seu conselho
:
aparei as unhas
do vício
que arranha
seus conceitos

aceito
seu jeito de domar amar
sem vestígios

uma dúvida
:
devo extrair os caninos
que traíram seu siso?


valéria tarelho

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poesia na estrada

por valéria tarelho em ,




agosto, 19, sábado, 14hs

estarei, junto com algumas das "suicidas", na Primavera dos Livros 2006 - SP, participando de um recital organizado por Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas e Samuel León, da Ed. Iluminuras.

local: Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso - São Paulo - SP

setembro (data a confirmar)

em Vitória - ES, a convite do poeta Jorge Sales, que (corajosamente) vem divulgando meu trabalho nos meios culturais de Vitória, sendo que tive um ou dois poemas musicados (visualizem as brotoejas de curiosidade).
não sei de muitos detalhes, só sei que aguardam apenas que eu confirme a data para programar alguma coisa. assim que tudo estiver acertado, informo vocês.

outubro, de 02 a 07



a convite do poeta Ademir Antonio Bacca, participo, pela segunda vez, do Congresso Brasileiro de Poesia, agora na sua XIV edição.
o congresso acontece na cidade de Bento Gonçalves - RS e conta com a presença de representantes de diversos Estados brasileiros e países latino-americanos.

~> considerem-se convidados a todos esses eventos. se eu sobreviver ao pânico de voar, encontro vocês por aí.

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09 agosto, 2006

das emboscadas

por valéria tarelho em

das armadilhas
que a vida
improvisa

: o dia
cheio de sur
presas
com prazo vencido

: a noite
drástica
que mal droga
meus fantasmas

[mais vivos do que eu
que caio nessa cilada
que a vida arma
que a vida planta
que a vida leva
no bico]

dos becos
de obscura saída
: a vida

o sol nasce
para todos
os defeitos


valéria tarelho

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escape do netscape

por valéria tarelho

se você entra aqui usando netscape, tenho uma péssima notícia: nada do que você está vendo corresponde à realidade - a minha.

aqui no fantástico mundo de val, os scripts dos links, janela pop up, etc, funcionam. isso porque a maioria dos scripts só são 'enxergados' pelo internet explorer, o navegador dos sonhos - os meus.

netscape é meu maior pesadelo, mas nem todo mundo aqui em casa sente o mesmo e usa essa "coisa" e esquece aberto e em um momento de descuido³ acabei navegando por ele mesmo. resultado: quase surtei quando vi meu adorado blog todo deformado (aquela janelinha do flashback, por exemplo, tem vida própria, não obedece a nenhum comando. não fecha nem com exorcismo)!

people, eu imploro: usem sempre internet explore ou textura será sinônimo de tortura - a nossa.



o blog, certinho como ele i.e.




o blog, no obscuro mundo do netscapeta

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08 agosto, 2006

eu te contemplo (há tempos)

por valéria tarelho


pintura: mirage © salvador dali

quando te penso
agradeço que
não passa disso

pensar
é o máximo
que posso

imaginar
é o parco verbo
que possuo

quando muito
fantasio que

[ah, se por acaso
tua boca
se por descaso
teu murmúrio
(em ondas
se por orgasmo]

mas logo apago
a idéia de

[ah, se por ocaso
tua lábia úmida
na seca
de meus lábios
se por relaxo
se por capricho
amor ou sexo]

num átimo
deleto
o que - em tese -
seria ótimo

sem o ato
evito
passo
em falso

veja baby
o lado
prático
:
você nunca
será passado

[mas ah
se por um lapso
uau
se por um ímpeto]


valéria tarelho
* ouvindo "eu te devoro - djavan"

"eu quero mesmo é viver
pra esperar e esperar
devorar você"

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07 agosto, 2006

lâmina

por valéria tarelho

é preciso, jack
perícia
para o corte certo

precisão cirúrgica
conhecimento de causa
anatomia do efeito

cortar o âmago
afastar o ego
extirpar nervos
: da pele do apelo
ao útero do tédio

estripar
órgãos do medo
rasgar o nó - górdio -
da garganta
mutilar a face do ódio
sangrar
seus sórdidos disfarces

é preciso, dear jack
conter impulso a tempo
enquanto abertos
todos os segredos

vá por partes
dispondo em postas
o adverso


valéria tarelho

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04 agosto, 2006

it's not so bad

por valéria tarelho

certa vez ele perguntou se eu já havia visto meu rosto aquela noite [de poesia e papo - sério e não - após tanto tempo sem tempo para].
sim, mas não foi preciso espelho. me sentia renovada por dentro. refletida no infinito [reflexo do bem que ele me faz. imagem da paz que ele transmite].
nada é tão ruim quando recordo tudo o que já vivi com e por causa dele [especialmente a visita a uma casa em reformas, quando vi sonhos em construção sob os escombros e percebi os meus ainda no esboço. hoje vejo a casa pronta, a casa prática, a casa portas abertas, a casa acolhendo. os sonhos, concretos, se renovando. o que me lembra que sonhar é - de certa forma - dar existência ao etéreo, no plano real. mas sonhar, só, não basta. é preciso buscar meios - lícitos & lídimos. é ímprescindível um leal companheiro para dar as mãos nesses passos incertos. mãos, essas, que colhem o que semeiam no jardim da amizade - onde brota uma espécie de amor, em vários tons . mãos que não escolhem a flor pelo nome, mas pela delicadeza e aroma que exala ao mínimo gesto: um enlace de dedos, por exemplo. ou o zelo no olhar por dentro].
nada é tão ruim quando lembro que ele está por perto. seu nome se traduz em pétala, sua essência em néctar [vida eterna, diz a lenda. e mais além, concluo eu].


Dido - Thank You


My tea's gone cold, I'm wondering why
I got out of bed at all
The morning rain clouds up my window
and I can't see at all
And even if I could it'd all be grey,
but your picture on my wall
It reminds me that it's not so bad,
it's not so bad

I drank too much last night, got bills to pay,
my head just feels in pain
I missed the bus and there'll be hell today,
I'm late for work again
And even if I'm there, they'll all imply
that I might not last the day
And then you call me and it's not so bad,
it's not so bad and

I want to thank you
for giving me the best day of my life
Oh just to be with you
is having the best day of my life

Push the door, I'm home at last
and I'm soaking through and through
Then you hand me a towel
and all I see is you
And even if my house falls down,
I wouldn't have a clue
Because you're near me and

I want to thank you
for giving me the best day of my life
Oh just to be with you
is having the best day of my life


* apenas porque sei que nem tudo são flores, mas gostaria de ser capaz de perfumar seus últimos dias.

thank you, my friend!
I'll be around [like you].

(^_^)ε^ )

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02 agosto, 2006

spo[r]tlight

por valéria tarelho em , ,

beleza ímpar
essa
do olho
no
essa
da íris
na

isso
faísca
o
isso
ofusca
a

visão
esse
frisson
esse
vis-à-vis
esse
fetiche
esse

elo
no
halo
na
ola
no

olho
no
foco
no
olho
na
fonte
no
olho
no

holofote
esse
point
esse
insight
esse

isso

fogo
logo
no

i

cio
do
jo
go

esse
na

isso
no

olho
nu


valéria tarelho
* olé!

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01 agosto, 2006

homem total

por valéria tarelho


na abertura do show de B.B.King
março/04 - foto de Marcelo Dischinger


O gaitista Engels Espíritos é o entrevistado desta terça, 1º/08, às 20hs, no programa Homem Total, da TV União.

TV UNIÃO - Canal 56 UHF BRASÍLIA / ACRE canal 13 / CEARÁ canal 17

e ao vivo pela internet: www.redeuniao.com.br

Apresentação: Rachel Bardawil

* sim, este é um blog poético e como já estive em dois shows desse "monstro", garanto a vocês: engels é o sopro mais puro da poesia. arrebenta. arrepia.
** espero que ele toque um blues e levite você também.

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dos abismos

por valéria tarelho em

seu beijo cabe

- exato -
no meu desatino

se encaixa
nas lacunas
de minha - única -
loucura

boca que
se ajusta
- lânguida -
à minha angústia

                             [aquela mais habitué
                             que habita o oco
                             de seu hálito]

língua que sela
- lábil -
meu apocalipse
lambe gotas
de meus lapsos

                             [aqueles que grafitam
                             sua órbita
                             traçam meu
                             obituário]

lábios
que me 
p
r
e
c
i
p
i
t
a
m


valéria tarelho

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