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09 junho, 2006

convite

por valéria tarelho



local: Casa das Rosas
Av. Paulista, 37 - SP
próximo ao metrô Brigadeiro

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06 junho, 2006

Arthur Rimbaud

por valéria tarelho em , , ,




Sensação

Nas belas tardes de verão, pelas estradas irei,
Roçando os trigais, pisando a relva miúda:
Sonhador, a meus pés seu frescor sentirei:
E o vento banhando-me a cabeça desnuda.

Nada falarei, não pensarei em nada:
Mas um amor imenso me irá envolver,
E irei longe, bem longe, a alma despreocupada,
Pela Natureza — feliz como com uma mulher.

arthur rimbaud - 1870
tradução encontrada aqui

rimbaudismo(infinitivamente pessoal)

yes, veloso
a vida é real
e de viés
[c'est
la vie
]

vem fugaz
__________foge
[mais] veloz

fera voraz
focando
a presa frágil

yes, baby
eu sei que é assim
:
a vida urge
[quelque chose
rouge
]

surge insigne
__________foge
[plus] selvagem

"e irei longe
bem longe"
:
acima de sampa
ao topo de london
além do haiti

[dans un autre
monde
] sentir
o modo rimbaud
de "caexistir"

valéria tarelho
(mon dieu! que caetano não me assombre e rimbaud, caso leia, me perdoe)
~> fim de outono, "rimbaralhando" meus neurônios

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04 junho, 2006

esporádico

por valéria tarelho

existe um abraço
que conforta
acalma ao toque
estanca & aquece
o frio (re)corrente

esqueço o mundo
- daninho -
do lado de fora
se me acho no
espaço dentre o
(ex)certo abraço

rosas não falam
simplesmente exalam


rosas exilam
- com tato -
esporas & espinhos
(très) brut_
ais

rosas - não raro -
brotam apreço
ao raso da
pele morta
e desabrocham pétalas
pós espera :
branca & seca

há um abraço
- blasto -
que me floresce
em pleno asfalto

valéria tarelho
ouvindo "preciso dizer que te amo",
com zizi possi

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01 junho, 2006

baudelaire pontual tarelho

por valéria tarelho em , , , ,

Enivrez-vous

Il faut être toujours ivre. Tout est là: c'est l'unique question. Pour ne pas sentir l'horrible fardeau du Temps qui brise vos épaules et vous penche vers la terre, il faut vous enivrer sans trêve.
Mais de quoi? De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise. Mais enivrez-vous.
Et si quelquefois, sur les marches d'un palais, sur l'herbe verte d'un fossé, dans la solitude morne de votre chambre, vous vous réveillez, l'ivresse déjà diminuée ou disparue, demandez au vent, à la vague, à l'étoile, à l'oiseau, à l'horloge, à tout ce qui fuit, à tout ce qui gémit, à tout ce qui roule, à tout ce qui chante, à tout ce qui parle, demandez quelle heure il est et le vent, la vague, l'étoile, l'oiseau, l'horloge, vous répondront: "Il est l'heure de s'enivrer! Pour n'être pas les esclaves martyrisés du Temps, enivrez-vous; enivrez-vous sans cesse! De vin, de poésie ou de vertu, à votre guise."

Charles Baudelaire
Le Spleen de Paris (1862)
Repris en 1864 sous le titre Petits poèmes en prose
Embriague-se

É preciso estar sempre embriagado. Isso é tudo: é a única questão. Para não sentir o horrível fardo do Tempo que lhe quebra os ombros e o curva para o chão, é preciso embriagar-se sem perdão.
Mas de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser. Mas embriague-se.
E se às vezes, nos degraus de um palácio, na grama verde de um fosso, na solidão triste do seu quarto, você acorda, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, pergunte ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, pergunte que horas são e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio lhe responderão: "É hora de embriagar-se! Para não ser o escravo mártir do Tempo, embriague-se; embriague-se sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude, como quiser"

tradução: Jorge Pontual

porralouca

brindes
de fúria
aguardente
drinques
de sangue
drugs

[life] é esse
filete
de veneno
que trago
na língua
e guardo
nos dentes

[pus
à mostra]

banquete
que pulsa
veias
vísceras
carne crua
carniça

loucura seria
bebê-la [vida]
água com açúcar
mastigá-la sopa
[fria de ócio]

sugo & mordo
essa vida
pútrida
antes que ela
[vampira]
me engula

valéria tarelho

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