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22 dezembro, 2005

simplesmente ridícula e nas estrelas

por valéria tarelho

ouvindo Songbird, com Eva Cassidy, um dos temas de Love Actually



nessa época do ano gosto de rever dois filmes, que são envoltos em um clima de delicadeza, romance, humor, onde as histórias acontecem tendo o Natal como pano de fundo. são duas comédias românticas, bem no estilo "água com açúcar", previsíveis, mas que me deixam uma sensação de bem estar indescritível. são eles:

Simplesmente Amor (Love Actually - 2003), que apresenta várias histórias em que o amor modifica a vida das pessoas (crítica aqui) e Escrito nas Estrelas (Serendipity - 2001), que trata do destino (uma crítica aqui).

ambos, para emocionar, rindo e/ou chorando ("ando tão à flor da pele que até beijo de novela me faz chorar", como diz a música do Baleiro). preciso disso e indico esses dois santos 'remédios' para quem anda se sentindo dentro de um espartilho. liberdade às amarras da alma!

sinopse dos filmes:

Simplesmente Amor: inesquecível, inatingível, lamentável, extático, emocionante, inesperado, inoportuno, inconveniente, inexplicável, deselegante, inigualável. O amor, na verdade, se manifesta de todas as formas, em todos os lugares. O novo primeiro-ministro inglês se apaixona, assim que ocupa o nº 10 da rua Downing, por uma das funcionárias do seu staff. Um escritor se refugia no sul da França para curar seu coração e acaba encontrando o amor dentro de um lago…
A mulher muito bem casada suspeita que seu marido a está traindo. A recém-casada suspeita dos sentimentos do melhor amigo do marido por ele. Um menino deseja chamar a atenção da garota mais inatingível da escola…
Um viúvo tenta se relacionar com o enteado que mal conhece…
A americana há muito tempo espera uma chance de sair com o colega de trabalho por quem é perdida e silenciosamente apaixonada. O astro do rock, em final de carreira, tenta um retorno ao palco de um jeito bem descompromissado…
E, assim, o amor vai transformando a vida de todos num caos total! São vidas e amores de londrinos que colidem, se misturam e atingem o seu clímax na noite de Natal, a cada ano que passa, com conseqüências românticas, hilariantes e emocionantes para aqueles têm a sorte (ou a falta dela) de estar sob o encanto do amor.

Escrito nas Estrelas: no corre-corre das compras de Natal de 1990, Jonathan Trager encontra Sara Thomas. Os caminhos desses dois estranhos no meio da multidão de Nova York colidem às vésperas do feriado, provocando uma atração mútua e incontrolável. Mesmo estando envolvidos em outros relacionamentos, Jonathan e Sara passam uma noite perambulando por Manhattan - ainda que não saibam o nome um do outro. Mas quando a noite atinge o final inevitável, a dupla é forçada a determinar qual será o próximo passo. Quando o enamorado Jonathan sugere a troca de números de telefone, Sara hesita e propõe uma alternativa que permitirá que o destino passe a controlar o futuro deles. Se eles foram feitos mesmo um para o outro, ela diz, eles vão encontrar uma forma de voltar um para a vida do outro. Pelo menos esse é o plano. Mas eles não têm essa sorte...
Alguns anos depois, as vidas de Jonathan e Sara tomaram rumos dramaticamente diferentes - com cada um deles prestes a se casar com outros parceiros. De uma vez por todas, chegou a hora de a dupla fazer todo o possível para encontrar um ao outro. Mas como eles podem enganar o destino e assumir o controle de suas vidas?

"todas as cartas de amor são ridículas", Pessoa. assim como os filmes. assim como a vida. deliciosamente ridículos, quando há amor.

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21 dezembro, 2005

Esperança

por valéria tarelho

Eis que as pálpebras da noite descortinam um novo dia
e um tênue raio de luz penetra pela fresta da janela matutina:
acorda a esperança, se espreguiça e, liberta do cansaço, vai à luta;
segue, sem pressa, sua labuta diária de disseminar-se por todo o planeta,
a expectar toda forma orgânica de vida: da mais simples, à mais complexa.
Nasce a esperança do ovo, da semente, do ventre da gestante;
a vislumbramos no olhar opaco do idoso e nos luzir dos olhos do infante;
vive no lar opulento do rico e sob o teto de zinco do pobre casebre.
Ilumina o céu de todos, clareando, inclusive,
o fim do túnel dos ímpios: escuro como breu;
unifica, na espera, a esfera do tempo: passado, presente, futuro;
transpõe eras, fronteiras, estações;
edifica-se em uma só crença ecumênica: o ideal de perene bonança;
nega toda espécie de desgraça: violência, fome, abandono...
sorri-nos, com a singeleza e inocência que uma criança encerra,
e nos carrega nos braços, aliviando o peso dos ombros.
A esperança é balsâmica, emoliente, é cataplasma:
purifica corações, abranda a dor, tonifica almas.
A esperança é artista plástica: com cacos de vidro quebrado,
nos dá de presente um mosaico. Faz uso de material reciclado;
restaura a antiga pintura e pendura um novo quadro na velha parede.
A esperança é dinâmica: move-se, remove obstáculos, revolve entulhos.
Anda, mergulha, voa, salta muros, escala montanhas;
dá-nos as mãos, nos acena, aponta atalhos nos caminhos.
Serve-nos de cais, ancoradouro da fé, segurança de um porto.
Abraça-nos, preenchendo o vazio do peito, e nos dá um alento:
a certeza de não nascermos sozinhos, fadados ao infortúnio.
Nascemos ligados a um fio de esperança:
o direito à vida, de um sonho dado por natimorto.

valéria tarelho

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19 dezembro, 2005

feliz natal to all !!!

por valéria tarelho

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08 dezembro, 2005

blue velvet

por valéria tarelho em , , ,

quando nem tudo
é veludo
cedo
ao tecido rústico:
qualquer trapo de chita
me veste
quando nem tudo
é azul-íris-dele
me adapto
à cor que me fita:
qualquer par de olhos
me despe
de quando em quando
veludo azul acontece
cru e nu
ele me serve:
amor-sobretudo

valéria tarelho
do baú

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02 dezembro, 2005

( )

por valéria tarelho em ,

há um nada novo
no íntimo

um oco recém-nascido
ocupando o buraco
do velho vazio
morto de tédio
há pouco

valéria tarelho

mas não sorria
incapaz

tremia
simulacro de vácuo
sem paz
nesse buraco

frederico barbosa
em
louco no oco sem beiras

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